Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Receitas da publicidade digital diminuem perante a agressividade das plataformas

Há mais nuvens no horizonte dos meios de comunicação. Já sabíamos que o crescimento da receita pelo lado digital, nos media tradicionais, não cobre as quedas da publicidade no seu todo, nem a perda de leitores. Mas agora há sinais de que mesmo este avanço da publicidade digital está a abrandar, em especial pela “crescente voracidade da Google, Facebook e também da Amazon”. É esta a reflexão preocupante de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics

No caso espanhol, e como informa o autor, o maior grupo de media, a PRISA, líder na audiência digital, com cerca de 20 milhões de visitantes únicos, mostra os seguintes resultados: 

“A sua facturação publicitária na Internet cresceu 24,4% em 2016. Mas nos primeiros seis meses de 2017 só aumentou 5,2%, apesar de um sensível incremento na audiência. No ano passado a PRISA teve uma facturação de 1.360 milhões. E o conjunto da Imprensa diária na Espanha viu cair a sua facturação publicitária cerca de 9% na primeira metade do ano.” 

“No mercado norte-americano, a situação é de enorme eloquência. Há treze anos, a Google facturava por publicidade 70 milhões de dólares, e agora já vai em mais de 90 mil milhões. Este número representa mais do dobro de todas as receitas publicitárias de qualquer espécie dos diários norte-americanos. As receitas publicitárias da Imprensa nos Estados Unidos eram ainda de 63 mil milhões de dólares no ano 2000.” 

“A queda do emprego no sector foi espectacular: em Junho de 1990 havia quase 458.000 postos de trabalho na Imprensa. Em Março de 2016 este número era de 183.000. A circulação semanal total dos diários nos EUA, tanto impressos como digitais, caíu 8% no ano passado, segundo um estudo do Pew Research Center.” (…) 

“Diante desta deriva, perigosa para a qualidade e diversidade da Informação nas sociedades democráticas, começam a ouvir-se mais vozes que pedem que os gigantes da Internet sejam regulados como se fossem serviços públicos essenciais, como a electricidade ou a água. É curioso verificar que, tanto comentadores de direita como de esquerda, coincidem na ideia de regular as plataformas, especialmente a Google, como uma utility [empresa de serviço público]” (…)

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
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