Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Media

Receitas da publicidade digital diminuem perante a agressividade das plataformas

Há mais nuvens no horizonte dos meios de comunicação. Já sabíamos que o crescimento da receita pelo lado digital, nos media tradicionais, não cobre as quedas da publicidade no seu todo, nem a perda de leitores. Mas agora há sinais de que mesmo este avanço da publicidade digital está a abrandar, em especial pela “crescente voracidade da Google, Facebook e também da Amazon”. É esta a reflexão preocupante de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics

No caso espanhol, e como informa o autor, o maior grupo de media, a PRISA, líder na audiência digital, com cerca de 20 milhões de visitantes únicos, mostra os seguintes resultados: 

“A sua facturação publicitária na Internet cresceu 24,4% em 2016. Mas nos primeiros seis meses de 2017 só aumentou 5,2%, apesar de um sensível incremento na audiência. No ano passado a PRISA teve uma facturação de 1.360 milhões. E o conjunto da Imprensa diária na Espanha viu cair a sua facturação publicitária cerca de 9% na primeira metade do ano.” 

“No mercado norte-americano, a situação é de enorme eloquência. Há treze anos, a Google facturava por publicidade 70 milhões de dólares, e agora já vai em mais de 90 mil milhões. Este número representa mais do dobro de todas as receitas publicitárias de qualquer espécie dos diários norte-americanos. As receitas publicitárias da Imprensa nos Estados Unidos eram ainda de 63 mil milhões de dólares no ano 2000.” 

“A queda do emprego no sector foi espectacular: em Junho de 1990 havia quase 458.000 postos de trabalho na Imprensa. Em Março de 2016 este número era de 183.000. A circulação semanal total dos diários nos EUA, tanto impressos como digitais, caíu 8% no ano passado, segundo um estudo do Pew Research Center.” (…) 

“Diante desta deriva, perigosa para a qualidade e diversidade da Informação nas sociedades democráticas, começam a ouvir-se mais vozes que pedem que os gigantes da Internet sejam regulados como se fossem serviços públicos essenciais, como a electricidade ou a água. É curioso verificar que, tanto comentadores de direita como de esquerda, coincidem na ideia de regular as plataformas, especialmente a Google, como uma utility [empresa de serviço público]” (…)

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics

Connosco
Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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