Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

Receitas da publicidade digital diminuem perante a agressividade das plataformas

Há mais nuvens no horizonte dos meios de comunicação. Já sabíamos que o crescimento da receita pelo lado digital, nos media tradicionais, não cobre as quedas da publicidade no seu todo, nem a perda de leitores. Mas agora há sinais de que mesmo este avanço da publicidade digital está a abrandar, em especial pela “crescente voracidade da Google, Facebook e também da Amazon”. É esta a reflexão preocupante de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics

No caso espanhol, e como informa o autor, o maior grupo de media, a PRISA, líder na audiência digital, com cerca de 20 milhões de visitantes únicos, mostra os seguintes resultados: 

“A sua facturação publicitária na Internet cresceu 24,4% em 2016. Mas nos primeiros seis meses de 2017 só aumentou 5,2%, apesar de um sensível incremento na audiência. No ano passado a PRISA teve uma facturação de 1.360 milhões. E o conjunto da Imprensa diária na Espanha viu cair a sua facturação publicitária cerca de 9% na primeira metade do ano.” 

“No mercado norte-americano, a situação é de enorme eloquência. Há treze anos, a Google facturava por publicidade 70 milhões de dólares, e agora já vai em mais de 90 mil milhões. Este número representa mais do dobro de todas as receitas publicitárias de qualquer espécie dos diários norte-americanos. As receitas publicitárias da Imprensa nos Estados Unidos eram ainda de 63 mil milhões de dólares no ano 2000.” 

“A queda do emprego no sector foi espectacular: em Junho de 1990 havia quase 458.000 postos de trabalho na Imprensa. Em Março de 2016 este número era de 183.000. A circulação semanal total dos diários nos EUA, tanto impressos como digitais, caíu 8% no ano passado, segundo um estudo do Pew Research Center.” (…) 

“Diante desta deriva, perigosa para a qualidade e diversidade da Informação nas sociedades democráticas, começam a ouvir-se mais vozes que pedem que os gigantes da Internet sejam regulados como se fossem serviços públicos essenciais, como a electricidade ou a água. É curioso verificar que, tanto comentadores de direita como de esquerda, coincidem na ideia de regular as plataformas, especialmente a Google, como uma utility [empresa de serviço público]” (…)

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

As datas são recentes, mas a história que contam parece comprida, tem capítulos uns atrás dos outros. O efeito da revolução digital sobre o jornal impresso está sempre a ser revisto e avaliado, como nos filmes de ficção científica em que o herói vai ao passado para tentar “corrigir” a História.
“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

ver mais >
Opinião
Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
É inegável a importância da tomada de posição conjunta de 350 jornais americanos que, respondendo a um apelo do The Boston Globe, assinaram  editoriais simultâneos, rejeitando a política de hostilidade desencadeada pelo presidente Trump contra os media. A data de 16 de Agosto ficará para a História da Imprensa  americana ao assumir esta iniciativa solidária e absolutamente inédita, que mobilizou grandes...
O optimismo de Centeno
Luís Queirós
"A economia da zona Euro cresce há 20 trimestres consecutivos", disse Mário Centeno no Grémio Literário, na palestra, proferida no passado dia 22 de Maio passado, integrada no ciclo que ali decorre subordinado ao tema  "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. O Ministro das Finanças de Portugal e presidente do...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...