Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Receitas da publicidade digital diminuem perante a agressividade das plataformas

Há mais nuvens no horizonte dos meios de comunicação. Já sabíamos que o crescimento da receita pelo lado digital, nos media tradicionais, não cobre as quedas da publicidade no seu todo, nem a perda de leitores. Mas agora há sinais de que mesmo este avanço da publicidade digital está a abrandar, em especial pela “crescente voracidade da Google, Facebook e também da Amazon”. É esta a reflexão preocupante de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics

No caso espanhol, e como informa o autor, o maior grupo de media, a PRISA, líder na audiência digital, com cerca de 20 milhões de visitantes únicos, mostra os seguintes resultados: 

“A sua facturação publicitária na Internet cresceu 24,4% em 2016. Mas nos primeiros seis meses de 2017 só aumentou 5,2%, apesar de um sensível incremento na audiência. No ano passado a PRISA teve uma facturação de 1.360 milhões. E o conjunto da Imprensa diária na Espanha viu cair a sua facturação publicitária cerca de 9% na primeira metade do ano.” 

“No mercado norte-americano, a situação é de enorme eloquência. Há treze anos, a Google facturava por publicidade 70 milhões de dólares, e agora já vai em mais de 90 mil milhões. Este número representa mais do dobro de todas as receitas publicitárias de qualquer espécie dos diários norte-americanos. As receitas publicitárias da Imprensa nos Estados Unidos eram ainda de 63 mil milhões de dólares no ano 2000.” 

“A queda do emprego no sector foi espectacular: em Junho de 1990 havia quase 458.000 postos de trabalho na Imprensa. Em Março de 2016 este número era de 183.000. A circulação semanal total dos diários nos EUA, tanto impressos como digitais, caíu 8% no ano passado, segundo um estudo do Pew Research Center.” (…) 

“Diante desta deriva, perigosa para a qualidade e diversidade da Informação nas sociedades democráticas, começam a ouvir-se mais vozes que pedem que os gigantes da Internet sejam regulados como se fossem serviços públicos essenciais, como a electricidade ou a água. É curioso verificar que, tanto comentadores de direita como de esquerda, coincidem na ideia de regular as plataformas, especialmente a Google, como uma utility [empresa de serviço público]” (…)

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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