Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
Mundo

Jornalistas enfrentam na Turquia "repressão sem precedentes"

Recomeçou em Istambul o julgamento dos colaboradores do jornal de oposição Cumhuriyet, cujo processo, sob a acusação de “actividades terroristas”, vem desde Julho. Johann Bihr, que tem a seu cargo a Turquia, no seio da organização Repórteres sem Fronteiras, faz um balanço pessimista sobre a situação da Imprensa no país, submetida a uma “repressão sem precedentes” desde o golpe falhado de Julho de 2016. 

Conforme declara, em entrevista ao Le Monde, Johann Bihr, a Turquia ocupa neste momento o 155º lugar na classificação de liberdade de Imprensa elaborada pelos Repórteres sem Fronteiras:  

“Isto é tanto mais desastroso quanto o país conhecia, até há poucos anos, um pluralismo mediático importante. Para silenciar a oposição, foi necessário mandar para a cadeia mais de cem jornalistas.” (…)  

“Mais de 150 órgãos de comunicação foram encerrados depois do golpe falhado. Já não há um canal de televisão que seja crítico, e apenas um punhado de jornais de oposição. O Cumhuriyet faz parte deste grupo, com o Birgün e o Evrensel, dois jornais de esquerda, e o nacionalista Sözcü. Mas estes títulos já quase não representam nada em termos de tiragem e de influência.” (…)  

Os jornalistas com uma postura crítica “são assediados pelo regime e mergulham numa atmosfera insalubre, mantida pelos media às ordens do Estado”:  

“A hostilidade de que são alvo pode encorajar elementos desequilibrados a passarem ao acto. Um apresentador da CNN na Turquia, Ahmet Hakan, foi agredido e hospitalizado depois da publicação de um editorial corrosivo por um jornalista pró-governamental. Todas estas intimidações e ameaças mantêm um clima de medo, hoje muito persistente na Turquia.”  

Sobre a atitude da União Europeia, Johann Bihr reconhece que já não tem tanta influência sobre o regime de Erdogan, “porque as perspectivas de adesão deixaram de ter a importância que tiveram”:  

“A União Europeia tem sem dúvida uma parte de responsabilidade, porque muitos Estados-membros não estavam dispostos a acolher a Turquia. De um lado como do outro, todos sabemos que as negociações estão em ponto-morto e não vão conduzir a lado nenhum. Mas a Europa podia fazer mais.” (…)  

 

A entrevista, na íntegra, em Le Monde, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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