Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Mundo

Jornalistas enfrentam na Turquia "repressão sem precedentes"

Recomeçou em Istambul o julgamento dos colaboradores do jornal de oposição Cumhuriyet, cujo processo, sob a acusação de “actividades terroristas”, vem desde Julho. Johann Bihr, que tem a seu cargo a Turquia, no seio da organização Repórteres sem Fronteiras, faz um balanço pessimista sobre a situação da Imprensa no país, submetida a uma “repressão sem precedentes” desde o golpe falhado de Julho de 2016. 

Conforme declara, em entrevista ao Le Monde, Johann Bihr, a Turquia ocupa neste momento o 155º lugar na classificação de liberdade de Imprensa elaborada pelos Repórteres sem Fronteiras:  

“Isto é tanto mais desastroso quanto o país conhecia, até há poucos anos, um pluralismo mediático importante. Para silenciar a oposição, foi necessário mandar para a cadeia mais de cem jornalistas.” (…)  

“Mais de 150 órgãos de comunicação foram encerrados depois do golpe falhado. Já não há um canal de televisão que seja crítico, e apenas um punhado de jornais de oposição. O Cumhuriyet faz parte deste grupo, com o Birgün e o Evrensel, dois jornais de esquerda, e o nacionalista Sözcü. Mas estes títulos já quase não representam nada em termos de tiragem e de influência.” (…)  

Os jornalistas com uma postura crítica “são assediados pelo regime e mergulham numa atmosfera insalubre, mantida pelos media às ordens do Estado”:  

“A hostilidade de que são alvo pode encorajar elementos desequilibrados a passarem ao acto. Um apresentador da CNN na Turquia, Ahmet Hakan, foi agredido e hospitalizado depois da publicação de um editorial corrosivo por um jornalista pró-governamental. Todas estas intimidações e ameaças mantêm um clima de medo, hoje muito persistente na Turquia.”  

Sobre a atitude da União Europeia, Johann Bihr reconhece que já não tem tanta influência sobre o regime de Erdogan, “porque as perspectivas de adesão deixaram de ter a importância que tiveram”:  

“A União Europeia tem sem dúvida uma parte de responsabilidade, porque muitos Estados-membros não estavam dispostos a acolher a Turquia. De um lado como do outro, todos sabemos que as negociações estão em ponto-morto e não vão conduzir a lado nenhum. Mas a Europa podia fazer mais.” (…)  

 

A entrevista, na íntegra, em Le Monde, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
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Set