Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Mundo

Jornalistas enfrentam na Turquia "repressão sem precedentes"

Recomeçou em Istambul o julgamento dos colaboradores do jornal de oposição Cumhuriyet, cujo processo, sob a acusação de “actividades terroristas”, vem desde Julho. Johann Bihr, que tem a seu cargo a Turquia, no seio da organização Repórteres sem Fronteiras, faz um balanço pessimista sobre a situação da Imprensa no país, submetida a uma “repressão sem precedentes” desde o golpe falhado de Julho de 2016. 

Conforme declara, em entrevista ao Le Monde, Johann Bihr, a Turquia ocupa neste momento o 155º lugar na classificação de liberdade de Imprensa elaborada pelos Repórteres sem Fronteiras:  

“Isto é tanto mais desastroso quanto o país conhecia, até há poucos anos, um pluralismo mediático importante. Para silenciar a oposição, foi necessário mandar para a cadeia mais de cem jornalistas.” (…)  

“Mais de 150 órgãos de comunicação foram encerrados depois do golpe falhado. Já não há um canal de televisão que seja crítico, e apenas um punhado de jornais de oposição. O Cumhuriyet faz parte deste grupo, com o Birgün e o Evrensel, dois jornais de esquerda, e o nacionalista Sözcü. Mas estes títulos já quase não representam nada em termos de tiragem e de influência.” (…)  

Os jornalistas com uma postura crítica “são assediados pelo regime e mergulham numa atmosfera insalubre, mantida pelos media às ordens do Estado”:  

“A hostilidade de que são alvo pode encorajar elementos desequilibrados a passarem ao acto. Um apresentador da CNN na Turquia, Ahmet Hakan, foi agredido e hospitalizado depois da publicação de um editorial corrosivo por um jornalista pró-governamental. Todas estas intimidações e ameaças mantêm um clima de medo, hoje muito persistente na Turquia.”  

Sobre a atitude da União Europeia, Johann Bihr reconhece que já não tem tanta influência sobre o regime de Erdogan, “porque as perspectivas de adesão deixaram de ter a importância que tiveram”:  

“A União Europeia tem sem dúvida uma parte de responsabilidade, porque muitos Estados-membros não estavam dispostos a acolher a Turquia. De um lado como do outro, todos sabemos que as negociações estão em ponto-morto e não vão conduzir a lado nenhum. Mas a Europa podia fazer mais.” (…)  

 

A entrevista, na íntegra, em Le Monde, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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