Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Mundo

Jornalistas enfrentam na Turquia "repressão sem precedentes"

Recomeçou em Istambul o julgamento dos colaboradores do jornal de oposição Cumhuriyet, cujo processo, sob a acusação de “actividades terroristas”, vem desde Julho. Johann Bihr, que tem a seu cargo a Turquia, no seio da organização Repórteres sem Fronteiras, faz um balanço pessimista sobre a situação da Imprensa no país, submetida a uma “repressão sem precedentes” desde o golpe falhado de Julho de 2016. 

Conforme declara, em entrevista ao Le Monde, Johann Bihr, a Turquia ocupa neste momento o 155º lugar na classificação de liberdade de Imprensa elaborada pelos Repórteres sem Fronteiras:  

“Isto é tanto mais desastroso quanto o país conhecia, até há poucos anos, um pluralismo mediático importante. Para silenciar a oposição, foi necessário mandar para a cadeia mais de cem jornalistas.” (…)  

“Mais de 150 órgãos de comunicação foram encerrados depois do golpe falhado. Já não há um canal de televisão que seja crítico, e apenas um punhado de jornais de oposição. O Cumhuriyet faz parte deste grupo, com o Birgün e o Evrensel, dois jornais de esquerda, e o nacionalista Sözcü. Mas estes títulos já quase não representam nada em termos de tiragem e de influência.” (…)  

Os jornalistas com uma postura crítica “são assediados pelo regime e mergulham numa atmosfera insalubre, mantida pelos media às ordens do Estado”:  

“A hostilidade de que são alvo pode encorajar elementos desequilibrados a passarem ao acto. Um apresentador da CNN na Turquia, Ahmet Hakan, foi agredido e hospitalizado depois da publicação de um editorial corrosivo por um jornalista pró-governamental. Todas estas intimidações e ameaças mantêm um clima de medo, hoje muito persistente na Turquia.”  

Sobre a atitude da União Europeia, Johann Bihr reconhece que já não tem tanta influência sobre o regime de Erdogan, “porque as perspectivas de adesão deixaram de ter a importância que tiveram”:  

“A União Europeia tem sem dúvida uma parte de responsabilidade, porque muitos Estados-membros não estavam dispostos a acolher a Turquia. De um lado como do outro, todos sabemos que as negociações estão em ponto-morto e não vão conduzir a lado nenhum. Mas a Europa podia fazer mais.” (…)  

 

A entrevista, na íntegra, em Le Monde, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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