Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Quando a lógica da "informação espectáculo" substitui o jornalismo

Há hoje mais interesse pela informação, principalmente quando ela se confunde com espectáculo  - o que sucede muito com a narrativa dos casos de corrupção. É útil que os media arranquem a máscara aos poderosos que se jugavam impunes e “donos da retórica pública”. O pior é quando o jornalismo falta à chamada e se deixa substituir pela lógica do entretenimento. Quando as biografias do delito passam a ser contadas pelos próprios delinquentes, que vêm à frente com declarações de inocência. “Corruptos que quebraram, pelos seus excessos, a omertà que amortecia o escândalo, com a complacência de um jornalismo ignorante ou ausente, vêm à cena como protagonistas.” Uma reflexão oportuna de Bernardo Díaz Nosty, jornalista e catedrático de Jornalismo, na edição nº 34 de Cuadernos de Periodismo.
O essencial do trabalho que aqui citamos é uma crítica do jornalismo como se pratica, neste momento, em Espanha, com referência especial às emissões de televisão, tanto as de noticiário como as de comentário e debate. 
O panorama descrito é, aliás, comum ao que se passa nas televisões generalistas portuguesas, que abusam dos telejornais extensos e dos alinhamentos onde o fait divers tem prioridade comparativamente com acontecimentos relevantes, nacionais ou internacionais.

O autor condena o comportamento de um jornalismo que, em vez de contribuir para reduzir a incerteza e reforçar a opinião pública “diante de desastres como a corrupção”, faça o seu contrário:

“Seguindo a lógica do sensacionalismo , em muitos casos tem agitado o debate e aumentado o ruído ambiente. E têm sido com frequência os ‘tertulianos’ [comentadores de painéis regulares] de amplo espectro  - que tanto tratam de devaneios de alcova como da acção da justiça -  que, com as cartas viciadas, descrevem as misérias com uma linguagem miserável. Porque mantêm posições combinadas, ajustadas a um guião, chamadas a animar a polarização e o espectáculo.” (...) 

Bernardo Díaz Nosty insurge-se, a seguir, contra o facto de estes comportamentos, que se esperam de um jornalismo mais comercial e “tablóide”, terem resvalado mesmo para os grandes meios públicos de referência, contaminando a sua relação de credibilidade com o público. 

O seu texto apresenta os dados de evolução da credibilidade da televisão na União Europeia, segundo o Eurobarómetro, no período que vem desde o começo da crise, em 2007, até ao ano de 2016, e compara a melhoria registada na Itália pós-Berlusconi com a baixa de credibilidade na Grécia e em Espanha, bem como, de forma mais atenuada, na França, Polónia, Hungria, Croácia e Chipre. 

No gráfico que ilustra estes dados, Portugal aparece entre os países de confiança mais elevada. 

Entre outros exemplos, o autor lamenta o “afastamento dos cânones fundadores” ocorrido na própria TVE, não só pelo “tendenciosismo governamental dos seus conteúdos” como por uma avaliação do que é notícia que “dá primazia a acontecimentos que tanto podem ser o atropelamento de um ciclista em Zamora como um tornado no Illinois ou o roubo de uma caixa gravado por uma câmara de segurança num sítio indeterminado... Num grande contentor  - são os noticiários mais extensos da Europa -  confunde-se a quantidade com a qualidade.” (...) 

O texto na íntegra, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
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