Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
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A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

“Fomos raptados pelo ecosistema digital dos blogs, do Facebook, dos Twitters, do Linkedin para busca de talentos e do Whatsapp que é acessível a toda a gente. Vivemos colados a um ecrã (ou a muitos). Construímos uma realidade paralela a que chamamos o mundo digital. Mas, quase sem querer, o primeiro mundo tornou-se o segundo, porque já é mais importante como nos vemos na Internet do que com que cara nos vemos ao espelho antes de sair de casa.” 

Esta reflexão é de Salvador Molina, presidente do Foro Ecofin e conselheiro da Telemadrid, que parte da designação corrente do “ecosistema digital” para uma definição mais grave, a de um “egosistema” que nos capturou com consentimento próprio. 

O autor reconhece os factos e assume a sua culpa:

“Confesso ser parte da sociedade zombie que deambula em busca do reconhecimento social das redes, da comunicação sem voz e do silêncio monacal do teclado com ecrã. Eu também fui humano um dia. Hoje, confesso-me zombie. (...) E até vários robots humanóides já me pediram amizade pelo Linkedin.”  (...) 

O artigo original, na íntegra, em Media-tics. E mais informação num texto publicado há dois anos em The Guardian, sobre “O Futuro da Solidão”, com a síntese em subtítulo: “Quando mudámos as nossas vidas para online, a Internet prometia-nos o fim do isolamento. Mas podemos encontrar verdadeira intimidade no meio de identidades em mudança e uma vigilância permanente?”

 

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

As datas são recentes, mas a história que contam parece comprida, tem capítulos uns atrás dos outros. O efeito da revolução digital sobre o jornal impresso está sempre a ser revisto e avaliado, como nos filmes de ficção científica em que o herói vai ao passado para tentar “corrigir” a História.
“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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