Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
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A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

“Fomos raptados pelo ecosistema digital dos blogs, do Facebook, dos Twitters, do Linkedin para busca de talentos e do Whatsapp que é acessível a toda a gente. Vivemos colados a um ecrã (ou a muitos). Construímos uma realidade paralela a que chamamos o mundo digital. Mas, quase sem querer, o primeiro mundo tornou-se o segundo, porque já é mais importante como nos vemos na Internet do que com que cara nos vemos ao espelho antes de sair de casa.” 

Esta reflexão é de Salvador Molina, presidente do Foro Ecofin e conselheiro da Telemadrid, que parte da designação corrente do “ecosistema digital” para uma definição mais grave, a de um “egosistema” que nos capturou com consentimento próprio. 

O autor reconhece os factos e assume a sua culpa:

“Confesso ser parte da sociedade zombie que deambula em busca do reconhecimento social das redes, da comunicação sem voz e do silêncio monacal do teclado com ecrã. Eu também fui humano um dia. Hoje, confesso-me zombie. (...) E até vários robots humanóides já me pediram amizade pelo Linkedin.”  (...) 

O artigo original, na íntegra, em Media-tics. E mais informação num texto publicado há dois anos em The Guardian, sobre “O Futuro da Solidão”, com a síntese em subtítulo: “Quando mudámos as nossas vidas para online, a Internet prometia-nos o fim do isolamento. Mas podemos encontrar verdadeira intimidade no meio de identidades em mudança e uma vigilância permanente?”

 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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