Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Revistas perdem terreno em Espanha e caem para metade da tiragem em dez anos

A circulação das revistas de consumo caiu, em Espanha, mais de metade no decurso desta última década. De uma média de quase treze milhões e meio de exemplares por número, em 2006, chegou-se aos 5,7 milhões de 2016  - e este resultado pode ser ainda mais curto, consoante o modo de fazer as contas. Este sector de uma Imprensa popular, supostamente mais protegida das flutuações do mercado, sofre, tanto ou mais do que a Imprensa diária, tanto os efeitos da crise financeira de 2008 como os da alteração de hábitos de consumo, que leva milhares de leitores para produtos semelhantes, na Internet, mais competitivos, com outras ofertas (como o vídeo), e de graça… 

É este o balanço geral de um extenso estudo do jornalista Luis Muñiz, director de Notícias de la Comunicación, na edição nº 34 de Cuadernos de Periodistas. O objecto do seu trabalho são as publicações com periodicidade semanal ou superior, que se vendem de forma independente (o que exclui, por exemplo, os suplementos de Imprensa dos jornais) e são dirigidas a um grande público, normalmente com um tema dominante, embora não profissionalmente especializadas no sentido técnico do termo. 

“A maior parte das revistas de consumo é de periodicidade mensal, e a sua difusão média representava, até Junho de 2017, 62% do total, o que significa o dobro das semanais, segmento de que têm vindo a desaparecer as que se ocupavam da Informação geral (as news magazines), das quais a Tiempo e a Interviú são os últimos exemplos, não sem grandes dificuldades e transformadas também em publicações de difusão combinada.” 

“Também se têm afundado as que se ocupavam da programação televisiva, como a Teleprograma, e aumenta a migração dos semanários sobre veículos automóveis para a periodicidade quinzenal, a fim de reduzir custos. As grandes marcas de revistas ‘do coração’ continuam a dominar este segmento, com a popular Pronto à frente, com os seus 800 mil exemplares por número, mas afastando-se do tecto do milhão que chegou a atingir em 2004 e 2005. Junto dela ocupam os quiosques  a Hola!, Lecturas e a Semana. Estas quatro são as únicas que superam a média dos 100 mil exemplares, em lugar dos treze títulos que ultrapassavam este patamar há dez anos.” (…) 

“Por razões óbvias, a audiência das revistas, isto é, o volume de público que as lê, decorre da difusão das mesmas, e por este motivo tem vindo a cair de forma paralela a essa circulação. Expressa em termos de penetração, que é a percentagem do universo ou população estudada que representam os seus leitores, as revistas chegaram a ter 53,3% no ano de 2008, quando começou a crise, o que foi a sua máxima cota da última década, representando 20,4 milhões de leitores, para iniciar desde então uma descida constante até aos 35,2% que registavam em 2016, quase 14 milhões de pessoas, a sua mais baixa audiência desde que é medida no nosso país  - e até reduzida para 32,5% na primeira medição de 2017 do Estudo Geral de Meios da AIMC.” (…) 


O estudo de Luis Muñiz, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião
As redes sociais e o passado
Francisco Sarsfield Cabral
O semanário britânico The Economist, geralmente um entusiasta do progresso científico e tecnológico, dedicou a capa e o primeiro editorial de um seu recente número a uma crítica severa às redes sociais. Estas, em vez de contribuírem para o esclarecimento público e o debate racional (como inicialmente se esperava), multiplicam mentiras e falsidades – por exemplo, as milhares de intromissões russas no Facebook e no...
Quem achar que a Amazon é apenas um vendedor de livros ou de discos está enganado, e muito. A Amazon tem estado no último ano a alargar o seu espectro de acção, comprando cadeias de retalhistas, oferecendo novos serviços através de parcerias que estabelece nas mais diversas áreas e, sobretudo, está a começar a utilizar o enorme conhecimento que tem sobre os hábitos dos seus clientes. Poucas empresas da nova economia...
O  estado dos media americanos continua a inspirar apreensão, e desenvolvimentos reportados desde o verão têem acentuado os motivos de preocupação, com poucas  excepções. Os relatórios do Pew Research Center – organização não-partidária com sede em Washington, fundada em 2004, dedicada ao estudo da evolução de sectores como o jornalismo, demografia, política e opinião...
Ao completar 25 anos, a SIC  cresceu, mas não se emancipou nem libertou o seu criador de preocupações. Francisco Pinto Balsemão, com 80 anos feitos, merecia um sossego que não tem, perante a crise que atingiu o Grupo de media que construiu do zero . Balsemão ganhou vários desafios, alguns deles complexos, desde que lançou o Expresso nos idos de 70 do século passado - o seu “navio-almirante”, como gosta de...
Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Agenda
27
Nov
10º Congresso Sopcom
09:00 @ Viseu
27
Nov
Formação sobre podcasts
09:00 @ Cenjor,Lisboa
28
Nov
29
Nov
SEO para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa