Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Revistas perdem terreno em Espanha e caem para metade da tiragem em dez anos

A circulação das revistas de consumo caiu, em Espanha, mais de metade no decurso desta última década. De uma média de quase treze milhões e meio de exemplares por número, em 2006, chegou-se aos 5,7 milhões de 2016  - e este resultado pode ser ainda mais curto, consoante o modo de fazer as contas. Este sector de uma Imprensa popular, supostamente mais protegida das flutuações do mercado, sofre, tanto ou mais do que a Imprensa diária, tanto os efeitos da crise financeira de 2008 como os da alteração de hábitos de consumo, que leva milhares de leitores para produtos semelhantes, na Internet, mais competitivos, com outras ofertas (como o vídeo), e de graça… 

É este o balanço geral de um extenso estudo do jornalista Luis Muñiz, director de Notícias de la Comunicación, na edição nº 34 de Cuadernos de Periodistas. O objecto do seu trabalho são as publicações com periodicidade semanal ou superior, que se vendem de forma independente (o que exclui, por exemplo, os suplementos de Imprensa dos jornais) e são dirigidas a um grande público, normalmente com um tema dominante, embora não profissionalmente especializadas no sentido técnico do termo. 

“A maior parte das revistas de consumo é de periodicidade mensal, e a sua difusão média representava, até Junho de 2017, 62% do total, o que significa o dobro das semanais, segmento de que têm vindo a desaparecer as que se ocupavam da Informação geral (as news magazines), das quais a Tiempo e a Interviú são os últimos exemplos, não sem grandes dificuldades e transformadas também em publicações de difusão combinada.” 

“Também se têm afundado as que se ocupavam da programação televisiva, como a Teleprograma, e aumenta a migração dos semanários sobre veículos automóveis para a periodicidade quinzenal, a fim de reduzir custos. As grandes marcas de revistas ‘do coração’ continuam a dominar este segmento, com a popular Pronto à frente, com os seus 800 mil exemplares por número, mas afastando-se do tecto do milhão que chegou a atingir em 2004 e 2005. Junto dela ocupam os quiosques  a Hola!, Lecturas e a Semana. Estas quatro são as únicas que superam a média dos 100 mil exemplares, em lugar dos treze títulos que ultrapassavam este patamar há dez anos.” (…) 

“Por razões óbvias, a audiência das revistas, isto é, o volume de público que as lê, decorre da difusão das mesmas, e por este motivo tem vindo a cair de forma paralela a essa circulação. Expressa em termos de penetração, que é a percentagem do universo ou população estudada que representam os seus leitores, as revistas chegaram a ter 53,3% no ano de 2008, quando começou a crise, o que foi a sua máxima cota da última década, representando 20,4 milhões de leitores, para iniciar desde então uma descida constante até aos 35,2% que registavam em 2016, quase 14 milhões de pessoas, a sua mais baixa audiência desde que é medida no nosso país  - e até reduzida para 32,5% na primeira medição de 2017 do Estudo Geral de Meios da AIMC.” (…) 


O estudo de Luis Muñiz, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


ver mais >
Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
Manuel Falcão
Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados. O dilema das televisões generalistas está na...
Informar ou depender…
Dinis de Abreu
O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...