Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Revistas perdem terreno em Espanha e caem para metade da tiragem em dez anos

A circulação das revistas de consumo caiu, em Espanha, mais de metade no decurso desta última década. De uma média de quase treze milhões e meio de exemplares por número, em 2006, chegou-se aos 5,7 milhões de 2016  - e este resultado pode ser ainda mais curto, consoante o modo de fazer as contas. Este sector de uma Imprensa popular, supostamente mais protegida das flutuações do mercado, sofre, tanto ou mais do que a Imprensa diária, tanto os efeitos da crise financeira de 2008 como os da alteração de hábitos de consumo, que leva milhares de leitores para produtos semelhantes, na Internet, mais competitivos, com outras ofertas (como o vídeo), e de graça… 

É este o balanço geral de um extenso estudo do jornalista Luis Muñiz, director de Notícias de la Comunicación, na edição nº 34 de Cuadernos de Periodistas. O objecto do seu trabalho são as publicações com periodicidade semanal ou superior, que se vendem de forma independente (o que exclui, por exemplo, os suplementos de Imprensa dos jornais) e são dirigidas a um grande público, normalmente com um tema dominante, embora não profissionalmente especializadas no sentido técnico do termo. 

“A maior parte das revistas de consumo é de periodicidade mensal, e a sua difusão média representava, até Junho de 2017, 62% do total, o que significa o dobro das semanais, segmento de que têm vindo a desaparecer as que se ocupavam da Informação geral (as news magazines), das quais a Tiempo e a Interviú são os últimos exemplos, não sem grandes dificuldades e transformadas também em publicações de difusão combinada.” 

“Também se têm afundado as que se ocupavam da programação televisiva, como a Teleprograma, e aumenta a migração dos semanários sobre veículos automóveis para a periodicidade quinzenal, a fim de reduzir custos. As grandes marcas de revistas ‘do coração’ continuam a dominar este segmento, com a popular Pronto à frente, com os seus 800 mil exemplares por número, mas afastando-se do tecto do milhão que chegou a atingir em 2004 e 2005. Junto dela ocupam os quiosques  a Hola!, Lecturas e a Semana. Estas quatro são as únicas que superam a média dos 100 mil exemplares, em lugar dos treze títulos que ultrapassavam este patamar há dez anos.” (…) 

“Por razões óbvias, a audiência das revistas, isto é, o volume de público que as lê, decorre da difusão das mesmas, e por este motivo tem vindo a cair de forma paralela a essa circulação. Expressa em termos de penetração, que é a percentagem do universo ou população estudada que representam os seus leitores, as revistas chegaram a ter 53,3% no ano de 2008, quando começou a crise, o que foi a sua máxima cota da última década, representando 20,4 milhões de leitores, para iniciar desde então uma descida constante até aos 35,2% que registavam em 2016, quase 14 milhões de pessoas, a sua mais baixa audiência desde que é medida no nosso país  - e até reduzida para 32,5% na primeira medição de 2017 do Estudo Geral de Meios da AIMC.” (…) 


O estudo de Luis Muñiz, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
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