Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Revistas perdem terreno em Espanha e caem para metade da tiragem em dez anos

A circulação das revistas de consumo caiu, em Espanha, mais de metade no decurso desta última década. De uma média de quase treze milhões e meio de exemplares por número, em 2006, chegou-se aos 5,7 milhões de 2016  - e este resultado pode ser ainda mais curto, consoante o modo de fazer as contas. Este sector de uma Imprensa popular, supostamente mais protegida das flutuações do mercado, sofre, tanto ou mais do que a Imprensa diária, tanto os efeitos da crise financeira de 2008 como os da alteração de hábitos de consumo, que leva milhares de leitores para produtos semelhantes, na Internet, mais competitivos, com outras ofertas (como o vídeo), e de graça… 

É este o balanço geral de um extenso estudo do jornalista Luis Muñiz, director de Notícias de la Comunicación, na edição nº 34 de Cuadernos de Periodistas. O objecto do seu trabalho são as publicações com periodicidade semanal ou superior, que se vendem de forma independente (o que exclui, por exemplo, os suplementos de Imprensa dos jornais) e são dirigidas a um grande público, normalmente com um tema dominante, embora não profissionalmente especializadas no sentido técnico do termo. 

“A maior parte das revistas de consumo é de periodicidade mensal, e a sua difusão média representava, até Junho de 2017, 62% do total, o que significa o dobro das semanais, segmento de que têm vindo a desaparecer as que se ocupavam da Informação geral (as news magazines), das quais a Tiempo e a Interviú são os últimos exemplos, não sem grandes dificuldades e transformadas também em publicações de difusão combinada.” 

“Também se têm afundado as que se ocupavam da programação televisiva, como a Teleprograma, e aumenta a migração dos semanários sobre veículos automóveis para a periodicidade quinzenal, a fim de reduzir custos. As grandes marcas de revistas ‘do coração’ continuam a dominar este segmento, com a popular Pronto à frente, com os seus 800 mil exemplares por número, mas afastando-se do tecto do milhão que chegou a atingir em 2004 e 2005. Junto dela ocupam os quiosques  a Hola!, Lecturas e a Semana. Estas quatro são as únicas que superam a média dos 100 mil exemplares, em lugar dos treze títulos que ultrapassavam este patamar há dez anos.” (…) 

“Por razões óbvias, a audiência das revistas, isto é, o volume de público que as lê, decorre da difusão das mesmas, e por este motivo tem vindo a cair de forma paralela a essa circulação. Expressa em termos de penetração, que é a percentagem do universo ou população estudada que representam os seus leitores, as revistas chegaram a ter 53,3% no ano de 2008, quando começou a crise, o que foi a sua máxima cota da última década, representando 20,4 milhões de leitores, para iniciar desde então uma descida constante até aos 35,2% que registavam em 2016, quase 14 milhões de pessoas, a sua mais baixa audiência desde que é medida no nosso país  - e até reduzida para 32,5% na primeira medição de 2017 do Estudo Geral de Meios da AIMC.” (…) 


O estudo de Luis Muñiz, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...