Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Imprensa espanhola pode estar à beira da extinção por imobilismo suicida

Os diários espanhóis perderam, em poucos anos, cerca de 50% da circulação e 60% da sua receita publicitária. No mesmo período foram suprimidos 15 mil postos de trabalho de jornalistas, mas todos os anos saem seis mil novos licenciados das várias escolas de comunicação. “Já temos grandes cidades sem jornais impressos”  - avisou recentemente Juan Luís Cebrián, presidente executivo da PRISA. A conclusão que se segue pode parecer alarmista, mas é a que escolheu, para título do seu texto, Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics: “A Imprensa caminha para a sua extinção num imobilismo suicida”.

O texto que assina é sobretudo uma uma crítica à persistência nos mesmos métodos de trabalho: “A apresentação editorial e jornalística continua exactamente igual ao que era há 20 ou 25 anos. Baixou a qualidade, e a informação mistura-se com opinião, com demasiada frequência.” (...) 

“Na Espanha, as primeiras páginas dos diários continuam idênticas, as secções são as mesmas e é clamorosa a falta de inovação jornalística. Os títulos de primeira página misturam frequentemente opinião com informação, rompendo o que era um princípio sagrado do jornalismo de qualidade.” (...)

Este imobilismo não está apenas, segundo Ormaetxea, nas redacções:

“As televisões e estações de rádio [reproduzem] as primeiras páginas dos diários impressos, com absoluto esquecimento dos meios digitais, que têm, com frequência, uma difusão muito maior que a de alguns dos citados diários.” 

O autor menciona, como exemplo contrário, o de alguns grandes jornais de outros países, como The New York Times, Le Monde, The Washington Post ou Financial Times, onde se pode encontrar “muito mais análise, mais temas em profundidade, mais opiniões de peritos, novas secções e distribuição da informação de modos novos”. 

Em sua opinião, tudo isto, associado às quebras na receita publicitária, ao domínio do Facebook, “que se converteu no maior meio de comunicação do mundo e recolhe 80% da publicidade digital sem gerar conteúdos nem contrarar jornalistas”, mais as diversas ameaças contidas na “mudança de paradigma” pela “robotização”, a manipulação genética e a inteligência artificial, desenvolvem uma situação que não se compadece com o citado imobilismo da Imprensa espanhola  -  que continua a “esmagar os seus leitores em sofrimento com a meia dúzia de temas que todos disputam; uma deriva que tem muito de suicídio”. 

 

O artigo de Miguel Ormaetxea, na íntegra, em Media-tics, de onde colhemos também a imagem utilizada

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...