Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
Media

Imprensa espanhola pode estar à beira da extinção por imobilismo suicida

Os diários espanhóis perderam, em poucos anos, cerca de 50% da circulação e 60% da sua receita publicitária. No mesmo período foram suprimidos 15 mil postos de trabalho de jornalistas, mas todos os anos saem seis mil novos licenciados das várias escolas de comunicação. “Já temos grandes cidades sem jornais impressos”  - avisou recentemente Juan Luís Cebrián, presidente executivo da PRISA. A conclusão que se segue pode parecer alarmista, mas é a que escolheu, para título do seu texto, Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics: “A Imprensa caminha para a sua extinção num imobilismo suicida”.

O texto que assina é sobretudo uma uma crítica à persistência nos mesmos métodos de trabalho: “A apresentação editorial e jornalística continua exactamente igual ao que era há 20 ou 25 anos. Baixou a qualidade, e a informação mistura-se com opinião, com demasiada frequência.” (...) 

“Na Espanha, as primeiras páginas dos diários continuam idênticas, as secções são as mesmas e é clamorosa a falta de inovação jornalística. Os títulos de primeira página misturam frequentemente opinião com informação, rompendo o que era um princípio sagrado do jornalismo de qualidade.” (...)

Este imobilismo não está apenas, segundo Ormaetxea, nas redacções:

“As televisões e estações de rádio [reproduzem] as primeiras páginas dos diários impressos, com absoluto esquecimento dos meios digitais, que têm, com frequência, uma difusão muito maior que a de alguns dos citados diários.” 

O autor menciona, como exemplo contrário, o de alguns grandes jornais de outros países, como The New York Times, Le Monde, The Washington Post ou Financial Times, onde se pode encontrar “muito mais análise, mais temas em profundidade, mais opiniões de peritos, novas secções e distribuição da informação de modos novos”. 

Em sua opinião, tudo isto, associado às quebras na receita publicitária, ao domínio do Facebook, “que se converteu no maior meio de comunicação do mundo e recolhe 80% da publicidade digital sem gerar conteúdos nem contrarar jornalistas”, mais as diversas ameaças contidas na “mudança de paradigma” pela “robotização”, a manipulação genética e a inteligência artificial, desenvolvem uma situação que não se compadece com o citado imobilismo da Imprensa espanhola  -  que continua a “esmagar os seus leitores em sofrimento com a meia dúzia de temas que todos disputam; uma deriva que tem muito de suicídio”. 

 

O artigo de Miguel Ormaetxea, na íntegra, em Media-tics, de onde colhemos também a imagem utilizada

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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