Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

Intensificam-se as alianças e fusões nos media britânicos

Intensificam-se as alianças e fusões entre meios europeus. Na linha da frente aparece o Reino Unido, até pelas incertezas geradas pelo Brexit. Não admira, por isso, que o mercado fervilhe de rumores. Um dos mais consistentes envolve o Daily Mirror, um tabloide de esquerda que está em negociações para a aquisição do Daily Express, o seu concorrente de direita.

Segundo o Le Monde, estes dois jornais deveriam estar normalmente de costas voltadas. Porém, a aproximação é uma consequência severa da crise económica dos tabloides. O Daily Mirror, que ainda há dez anos publicava 1,5 milhões de exemplares, caiu para os actuais 625 mil, enquanto o Daily Express, anteriormente com 830 mil exemplares baixou para 380 mil.

Em qualquer caso o anuncio das negociações em curso, não deixou de causar alguma estranheza.

Richard Desmond, proprietário do Daily Express, quer desembaraçar-se dos seus jornais enquanto é tempo. Ele fez fortuna com a versão britânica de Penthouse e ocupou-se, entretanto, a lançar canais de televisão e magazines pornográficos.

Porém, em 2000, “comprou a respeitabilidade”, como escreve Le Monde, ao adquirir o Daily Express.

Posteriormente, mostrou-se distanciado em relação ao Grupo, assistindo raramente às reuniões de preparação das manchetes dos seus jornais. A venda, agora, parece assinalar o fim de uma época.

Observam-se, entretanto, outros movimentos em que vários títulos poderão mudar de mãos no Reino Unido, designadamente, englobando o grupo Trinity Mirror que é o maior editor de jornais regionais ingleses.

Note-se que em Portugal, também estão em vias de mudar de mãos vários títulos editados pela Impresa, de Francisco Balsemão, havendo indícios de que outros poderão seguir o mesmo caminho.

 

 

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

As datas são recentes, mas a história que contam parece comprida, tem capítulos uns atrás dos outros. O efeito da revolução digital sobre o jornal impresso está sempre a ser revisto e avaliado, como nos filmes de ficção científica em que o herói vai ao passado para tentar “corrigir” a História.
“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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