Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Intensificam-se as alianças e fusões nos media britânicos

Intensificam-se as alianças e fusões entre meios europeus. Na linha da frente aparece o Reino Unido, até pelas incertezas geradas pelo Brexit. Não admira, por isso, que o mercado fervilhe de rumores. Um dos mais consistentes envolve o Daily Mirror, um tabloide de esquerda que está em negociações para a aquisição do Daily Express, o seu concorrente de direita.

Segundo o Le Monde, estes dois jornais deveriam estar normalmente de costas voltadas. Porém, a aproximação é uma consequência severa da crise económica dos tabloides. O Daily Mirror, que ainda há dez anos publicava 1,5 milhões de exemplares, caiu para os actuais 625 mil, enquanto o Daily Express, anteriormente com 830 mil exemplares baixou para 380 mil.

Em qualquer caso o anuncio das negociações em curso, não deixou de causar alguma estranheza.

Richard Desmond, proprietário do Daily Express, quer desembaraçar-se dos seus jornais enquanto é tempo. Ele fez fortuna com a versão britânica de Penthouse e ocupou-se, entretanto, a lançar canais de televisão e magazines pornográficos.

Porém, em 2000, “comprou a respeitabilidade”, como escreve Le Monde, ao adquirir o Daily Express.

Posteriormente, mostrou-se distanciado em relação ao Grupo, assistindo raramente às reuniões de preparação das manchetes dos seus jornais. A venda, agora, parece assinalar o fim de uma época.

Observam-se, entretanto, outros movimentos em que vários títulos poderão mudar de mãos no Reino Unido, designadamente, englobando o grupo Trinity Mirror que é o maior editor de jornais regionais ingleses.

Note-se que em Portugal, também estão em vias de mudar de mãos vários títulos editados pela Impresa, de Francisco Balsemão, havendo indícios de que outros poderão seguir o mesmo caminho.

 

 

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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