Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Novas iniciativas

Atlas da Notícia, um projecto inédito lançado pelo Observatório de Imprensa do Brasil

Está em fase de lançamento o Atlas da Notícia, um projecto original do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo –, suporte institucional do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Em vésperas do Projor completar vinte anos, o Atlas da Notícia idealizado em 2013 pelo jornalista e fundador do Observatório, Alberto Dines, destina-se a fazer um levantamento da imprensa regional e local, no Brasil.

Esse mapeamento, inspira-se no projeto America’s Growing News Deserts da revista Columbia Journalism Review .

O objectivo é proceder ao inventário de notícias de interesse público em todas as regiões do país, a fim de melhor entender o panorama da imprensa local e regional.

Numa primeira fase do Atlas da Notícia, é lançado o desafio aos leitores do site do Observatório para identificar esses veículos de imprensa, sejam impressos ou digitais, e com periodicidade diária, semanal ou quinzenal.

O panorama que dai resultar permitirá compreender melhor de que forma a combinação da crise económica com a chamada revolução digital afecta o ofício de apurar e publicar notícias no interior do Brasil, país de desigualdades e injustiças históricas e de uma democracia ainda jovem.

Para o Observatório vale a pena reafirmar a ligação umbilical entre jornalismo e democracia.

Ao citar um artigo de Eugênio Bucci, publicado na edição 1.000 da revista Época, “a democracia não está aí desde sempre. Ao contrário, ela é uma invenção muito recente. Não tem mais de dois séculos. A democracia ainda está em construção, no Brasil e em todo o mundo. Para que ela permaneça, cresça e se difunda, nós dependemos do vigor da imprensa, dos jornalistas profissionais e das redações independentes.

Sem isso, uma sociedade não tem como vigiar os que a governam e muito menos os que conspiram contra ela. Só a imprensa vacina uma sociedade contra as mentiras do poder. Não é sem motivo que Trump, Putin e Erdogan precisam de disparar tantas ofensas contra os órgãos de imprensa que insistem em criticá-los.”

Os dinamizadores do Atlas da Notícia acreditam que este irá produzir informações úteis para jornalistas, empresários de media, pesquisadores académicos, financiadores e profissionais do terceiro sector, permitindo a geração de novas ideias e estratégias capazes de fortalecer a imprensa local e regional.

Finalmente, esta iniciativa inédita pretende, ainda, identificar casos de sucesso – os oásis da notícia – que encorajem e sirvam de modelos a serem replicados e de  inspiração à grande pequena imprensa.

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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