Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Novas iniciativas

Atlas da Notícia, um projecto inédito lançado pelo Observatório de Imprensa do Brasil

Está em fase de lançamento o Atlas da Notícia, um projecto original do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo –, suporte institucional do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Em vésperas do Projor completar vinte anos, o Atlas da Notícia idealizado em 2013 pelo jornalista e fundador do Observatório, Alberto Dines, destina-se a fazer um levantamento da imprensa regional e local, no Brasil.

Esse mapeamento, inspira-se no projeto America’s Growing News Deserts da revista Columbia Journalism Review .

O objectivo é proceder ao inventário de notícias de interesse público em todas as regiões do país, a fim de melhor entender o panorama da imprensa local e regional.

Numa primeira fase do Atlas da Notícia, é lançado o desafio aos leitores do site do Observatório para identificar esses veículos de imprensa, sejam impressos ou digitais, e com periodicidade diária, semanal ou quinzenal.

O panorama que dai resultar permitirá compreender melhor de que forma a combinação da crise económica com a chamada revolução digital afecta o ofício de apurar e publicar notícias no interior do Brasil, país de desigualdades e injustiças históricas e de uma democracia ainda jovem.

Para o Observatório vale a pena reafirmar a ligação umbilical entre jornalismo e democracia.

Ao citar um artigo de Eugênio Bucci, publicado na edição 1.000 da revista Época, “a democracia não está aí desde sempre. Ao contrário, ela é uma invenção muito recente. Não tem mais de dois séculos. A democracia ainda está em construção, no Brasil e em todo o mundo. Para que ela permaneça, cresça e se difunda, nós dependemos do vigor da imprensa, dos jornalistas profissionais e das redações independentes.

Sem isso, uma sociedade não tem como vigiar os que a governam e muito menos os que conspiram contra ela. Só a imprensa vacina uma sociedade contra as mentiras do poder. Não é sem motivo que Trump, Putin e Erdogan precisam de disparar tantas ofensas contra os órgãos de imprensa que insistem em criticá-los.”

Os dinamizadores do Atlas da Notícia acreditam que este irá produzir informações úteis para jornalistas, empresários de media, pesquisadores académicos, financiadores e profissionais do terceiro sector, permitindo a geração de novas ideias e estratégias capazes de fortalecer a imprensa local e regional.

Finalmente, esta iniciativa inédita pretende, ainda, identificar casos de sucesso – os oásis da notícia – que encorajem e sirvam de modelos a serem replicados e de  inspiração à grande pequena imprensa.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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