Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Novas iniciativas

Atlas da Notícia, um projecto inédito lançado pelo Observatório de Imprensa do Brasil

Está em fase de lançamento o Atlas da Notícia, um projecto original do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo –, suporte institucional do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Em vésperas do Projor completar vinte anos, o Atlas da Notícia idealizado em 2013 pelo jornalista e fundador do Observatório, Alberto Dines, destina-se a fazer um levantamento da imprensa regional e local, no Brasil.

Esse mapeamento, inspira-se no projeto America’s Growing News Deserts da revista Columbia Journalism Review .

O objectivo é proceder ao inventário de notícias de interesse público em todas as regiões do país, a fim de melhor entender o panorama da imprensa local e regional.

Numa primeira fase do Atlas da Notícia, é lançado o desafio aos leitores do site do Observatório para identificar esses veículos de imprensa, sejam impressos ou digitais, e com periodicidade diária, semanal ou quinzenal.

O panorama que dai resultar permitirá compreender melhor de que forma a combinação da crise económica com a chamada revolução digital afecta o ofício de apurar e publicar notícias no interior do Brasil, país de desigualdades e injustiças históricas e de uma democracia ainda jovem.

Para o Observatório vale a pena reafirmar a ligação umbilical entre jornalismo e democracia.

Ao citar um artigo de Eugênio Bucci, publicado na edição 1.000 da revista Época, “a democracia não está aí desde sempre. Ao contrário, ela é uma invenção muito recente. Não tem mais de dois séculos. A democracia ainda está em construção, no Brasil e em todo o mundo. Para que ela permaneça, cresça e se difunda, nós dependemos do vigor da imprensa, dos jornalistas profissionais e das redações independentes.

Sem isso, uma sociedade não tem como vigiar os que a governam e muito menos os que conspiram contra ela. Só a imprensa vacina uma sociedade contra as mentiras do poder. Não é sem motivo que Trump, Putin e Erdogan precisam de disparar tantas ofensas contra os órgãos de imprensa que insistem em criticá-los.”

Os dinamizadores do Atlas da Notícia acreditam que este irá produzir informações úteis para jornalistas, empresários de media, pesquisadores académicos, financiadores e profissionais do terceiro sector, permitindo a geração de novas ideias e estratégias capazes de fortalecer a imprensa local e regional.

Finalmente, esta iniciativa inédita pretende, ainda, identificar casos de sucesso – os oásis da notícia – que encorajem e sirvam de modelos a serem replicados e de  inspiração à grande pequena imprensa.

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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