null, 21 de Julho, 2019
Media

Jornalista eritreu distinguido pela UNESCO detido sem julgamento há quase 16 anos

O jornalista Dawit Isaak continua preso no seu país natal, a Eritreia, sem culpa formada, sem julgamento e, segundo a pouca informação disponível, sujeito a longos períodos de confinamento em cela solitária, sem luz. O facto de ter sido distinguido com o Prémio Mundial de Liberdade de Imprensa da UNESCO – Guillermo Cano 2017 deu novo estímulo às campanhas mundiais pela sua libertação mas, até agora, sem resultados. Está nestas condições desde 2001. 

Nascido em 27 de Outubro de 1964, nos primeiros anos da Guerra de Independência da Eritreia, que durou 30 anos (de Setembro de 1961 a Maio de 1991), Dawit Isaak cresceu em Asmara. Quando tinha 20 e poucos anos, a luta entre a Frente de Libertação Popular da Eritreia e o exército etíope intensificou-se e a União Soviética retirou o seu apoio ao governo da Etiópia. Em 1987, fugiu do país para a Suécia. 

Segundo a sua biografia, contada por Nathalie Rothschild no Correio da UNESCO, que aqui citamos, “em 1993, um ano após obter a cidadania sueca, Dawit Isaak voltou para uma Eritreia recém independente, onde se casou e teve três filhos”. (…)

No final dos anos 1990, ao abrigo de uma nova lei que autorizava a propriedade privada de meios de comunicação impressos, “tornou-se cofundador do primeiro jornal independente da Eritreia, o Setit, batizado com o nome do único rio eritreu que corre o ano todo”. 

Mas houve novos conflitos entre a Etiópia e a Eritreia, a situação piorou e, em 2001, depois de o Setit ter publicado uma carta aberta dirigida ao Presidente da Eritreia, todos os jornais independentes foram proibidos e 11 dos signatários da carta (que incluíam políticos de alto escalão) e dez jornalistas, incluindo Dawitt Isaak, foram presos. Estas prisões ocorreram poucas semanas depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos Estados Unidos. 

O evento Sit with Dawit (Sente-se com Dawit) foi lançado em 2016 pela campanha Free Dawit (Libertem Dawit), para o envolvimento no apoio à causa de Dawit Isaak. Réplicas da cela de Dawit foram instaladas em vários locais, onde as pessoas podem passar 15 minutos sentadas sozinhas na escuridão – para reflectir sobre como devem ser os quase 16 anos de confinamento solitário de Dawit e demonstrar solidariedade para com ele. Esta fotografia foi tirada numa das principais praças de Estocolmo. 


O artigo citado, na pág. 53 do Correio da UNESCO, e a notícia do Prémio Mundial de Liberdade da Imprensa Unesco - Guillermo Cano 2017

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China