Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Jornalista eritreu distinguido pela UNESCO detido sem julgamento há quase 16 anos

O jornalista Dawit Isaak continua preso no seu país natal, a Eritreia, sem culpa formada, sem julgamento e, segundo a pouca informação disponível, sujeito a longos períodos de confinamento em cela solitária, sem luz. O facto de ter sido distinguido com o Prémio Mundial de Liberdade de Imprensa da UNESCO – Guillermo Cano 2017 deu novo estímulo às campanhas mundiais pela sua libertação mas, até agora, sem resultados. Está nestas condições desde 2001. 

Nascido em 27 de Outubro de 1964, nos primeiros anos da Guerra de Independência da Eritreia, que durou 30 anos (de Setembro de 1961 a Maio de 1991), Dawit Isaak cresceu em Asmara. Quando tinha 20 e poucos anos, a luta entre a Frente de Libertação Popular da Eritreia e o exército etíope intensificou-se e a União Soviética retirou o seu apoio ao governo da Etiópia. Em 1987, fugiu do país para a Suécia. 

Segundo a sua biografia, contada por Nathalie Rothschild no Correio da UNESCO, que aqui citamos, “em 1993, um ano após obter a cidadania sueca, Dawit Isaak voltou para uma Eritreia recém independente, onde se casou e teve três filhos”. (…)

No final dos anos 1990, ao abrigo de uma nova lei que autorizava a propriedade privada de meios de comunicação impressos, “tornou-se cofundador do primeiro jornal independente da Eritreia, o Setit, batizado com o nome do único rio eritreu que corre o ano todo”. 

Mas houve novos conflitos entre a Etiópia e a Eritreia, a situação piorou e, em 2001, depois de o Setit ter publicado uma carta aberta dirigida ao Presidente da Eritreia, todos os jornais independentes foram proibidos e 11 dos signatários da carta (que incluíam políticos de alto escalão) e dez jornalistas, incluindo Dawitt Isaak, foram presos. Estas prisões ocorreram poucas semanas depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos Estados Unidos. 

O evento Sit with Dawit (Sente-se com Dawit) foi lançado em 2016 pela campanha Free Dawit (Libertem Dawit), para o envolvimento no apoio à causa de Dawit Isaak. Réplicas da cela de Dawit foram instaladas em vários locais, onde as pessoas podem passar 15 minutos sentadas sozinhas na escuridão – para reflectir sobre como devem ser os quase 16 anos de confinamento solitário de Dawit e demonstrar solidariedade para com ele. Esta fotografia foi tirada numa das principais praças de Estocolmo. 


O artigo citado, na pág. 53 do Correio da UNESCO, e a notícia do Prémio Mundial de Liberdade da Imprensa Unesco - Guillermo Cano 2017

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


ver mais >
Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
Manuel Falcão
Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados. O dilema das televisões generalistas está na...
Informar ou depender…
Dinis de Abreu
O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...