Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Jornalista eritreu distinguido pela UNESCO detido sem julgamento há quase 16 anos

O jornalista Dawit Isaak continua preso no seu país natal, a Eritreia, sem culpa formada, sem julgamento e, segundo a pouca informação disponível, sujeito a longos períodos de confinamento em cela solitária, sem luz. O facto de ter sido distinguido com o Prémio Mundial de Liberdade de Imprensa da UNESCO – Guillermo Cano 2017 deu novo estímulo às campanhas mundiais pela sua libertação mas, até agora, sem resultados. Está nestas condições desde 2001. 

Nascido em 27 de Outubro de 1964, nos primeiros anos da Guerra de Independência da Eritreia, que durou 30 anos (de Setembro de 1961 a Maio de 1991), Dawit Isaak cresceu em Asmara. Quando tinha 20 e poucos anos, a luta entre a Frente de Libertação Popular da Eritreia e o exército etíope intensificou-se e a União Soviética retirou o seu apoio ao governo da Etiópia. Em 1987, fugiu do país para a Suécia. 

Segundo a sua biografia, contada por Nathalie Rothschild no Correio da UNESCO, que aqui citamos, “em 1993, um ano após obter a cidadania sueca, Dawit Isaak voltou para uma Eritreia recém independente, onde se casou e teve três filhos”. (…)

No final dos anos 1990, ao abrigo de uma nova lei que autorizava a propriedade privada de meios de comunicação impressos, “tornou-se cofundador do primeiro jornal independente da Eritreia, o Setit, batizado com o nome do único rio eritreu que corre o ano todo”. 

Mas houve novos conflitos entre a Etiópia e a Eritreia, a situação piorou e, em 2001, depois de o Setit ter publicado uma carta aberta dirigida ao Presidente da Eritreia, todos os jornais independentes foram proibidos e 11 dos signatários da carta (que incluíam políticos de alto escalão) e dez jornalistas, incluindo Dawitt Isaak, foram presos. Estas prisões ocorreram poucas semanas depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos Estados Unidos. 

O evento Sit with Dawit (Sente-se com Dawit) foi lançado em 2016 pela campanha Free Dawit (Libertem Dawit), para o envolvimento no apoio à causa de Dawit Isaak. Réplicas da cela de Dawit foram instaladas em vários locais, onde as pessoas podem passar 15 minutos sentadas sozinhas na escuridão – para reflectir sobre como devem ser os quase 16 anos de confinamento solitário de Dawit e demonstrar solidariedade para com ele. Esta fotografia foi tirada numa das principais praças de Estocolmo. 


O artigo citado, na pág. 53 do Correio da UNESCO, e a notícia do Prémio Mundial de Liberdade da Imprensa Unesco - Guillermo Cano 2017

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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