Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
Media

O sucesso na net de uma estação de TV privada lituana financiada por “crowdfunding”

Ao fim do primeiro ano de vida, o canal de televisão Laisvés TV, transmitido pela Internet e financiado pelo público, ocupa um lugar incontornável na paisagem mediática da Lituânia. O seu fundador, Andrius Tapinas, conta que o fez “motivado pelo choque de perder o meu programa na televisão lituana”, e que, em quatro meses, a Laisvés TV (o título significa Liberdade) já era “a maior entidade dos media lituanos no YouTube, com alguns dos programas alcançando números de audiência de seis dígitos e competindo com os programas mais populares da TV tradicional”.

Andrius Tapinas atribui o sucesso quase instantâneo do seu projecto à natureza libertadora da Internet, definida por si nestes termos: 

“O advento da Internet, há mais ou menos 30 anos, viciou o mundo numa das drogas mais poderosas disponíveis às sociedades modernas  – o acesso livre e imediato à informação.” 

Toda a primeira metade do seu texto, publicado na mais recente edição do Correio da UNESCO, descreve o que sucedeu como um triunfo sobre “a velha guarda dos media”: 

“E se você pertence à velha guarda dos media, é bem provável que não goste. A imprensa e a televisão tradicionais foram apanhadas desprevenidas  – tecnológica, financeira e criativamente –  pela revolução digital, e estão passando pelos maiores desafios que já enfrentaram. Elas têm condições para enfrentar esses desafios? Na verdade, não. Mas elas não têm escolha  – ou nadam ou afundam.” 

“Antes que pudessem entender o que estava acontecendo, uma segunda onda  – as [redes] sociais – atingiu a velha guarda. Essa onda era maior e mais forte do que a Internet e teve consequências mais severas. As empresas das [redes] sociais ficaram numa posição de vantagem, com a redução da quantidade de assinaturas pagas de jornais e revistas, e com a defasagem dos canais de TV em relação aos milhares de sites de notícias da Internet.” 

“De repente, todo mundo se tornou os media  – operador de câmara, editor, escritor, jornalista, promotor –  em um só pacote. Os guardiões da Informação viram seus portões ruírem e perderam o maior privilégio de todos  – o direito de decidir o que é importante e o que não é.” (…) 

Andrius Tapinas descreve neste contexto o triunfo de Donald Trump como “o primeiro presidente das [redes] sociais dos EUA”.

Descreve também o YouTube como “o maior repositório de televisão e serviço de hospedagem de vídeos do mundo, sendo que, ele próprio, não cria quase nada de conteúdo, mas é um porto seguro para todos os aspirantes a qualquer coisa da face da Terra. Qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, hoje em dia, pode ser qualquer coisa que sonhar  – cantor, chef, boxeador, estrela dos media. O céu é o limite, e é tudo de graça.” (…) 

Mais adiante, admite que nem tudo é positivo na “liberdade sem limites” dos novos media

"Notícias falsas, linchamentos virtuais, trolls e acusações infundadas proliferam. (...) Não existem filtros nem edição, e nenhuma necessidade de ter comedimento ou decência se a pessoa não quiser.” (…) 

 

Mas a sua conclusão é optimista: 

“Nosso modelo de negócios é novo e se insere na revolução digital, mas não é exclusivo. Projectos jornalísticos semelhantes, financiados pelo público, já foram lançados nos Países Baixos, na Suíça, na Índia e em vários outros países. Não é fácil, é o trabalho mais difícil que já realizei em minha carreira de quase 20 anos. No entanto, é o único caminho que quero percorrer como jornalista. E foi a revolução digital que me deu essa chance.”

 

O texto de Andrius Tapinas, na íntegra, na pág. 20 da edição de Jul.-Set.2017 do Correio da UNESCO, e uma apresentação da Laisvés TV, num vídeo da mesma estação.

Connosco
Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, subordinado ao tema genérico O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções” prossegue  no próximo dia 24 de Janeiro, sendo orador convidado António Lobo Xavier, advogado, político e conselheiro de Estado designado por Marcelo Rebelo de Sousa.  

António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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