Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

O sucesso na net de uma estação de TV privada lituana financiada por “crowdfunding”

Ao fim do primeiro ano de vida, o canal de televisão Laisvés TV, transmitido pela Internet e financiado pelo público, ocupa um lugar incontornável na paisagem mediática da Lituânia. O seu fundador, Andrius Tapinas, conta que o fez “motivado pelo choque de perder o meu programa na televisão lituana”, e que, em quatro meses, a Laisvés TV (o título significa Liberdade) já era “a maior entidade dos media lituanos no YouTube, com alguns dos programas alcançando números de audiência de seis dígitos e competindo com os programas mais populares da TV tradicional”.

Andrius Tapinas atribui o sucesso quase instantâneo do seu projecto à natureza libertadora da Internet, definida por si nestes termos: 

“O advento da Internet, há mais ou menos 30 anos, viciou o mundo numa das drogas mais poderosas disponíveis às sociedades modernas  – o acesso livre e imediato à informação.” 

Toda a primeira metade do seu texto, publicado na mais recente edição do Correio da UNESCO, descreve o que sucedeu como um triunfo sobre “a velha guarda dos media”: 

“E se você pertence à velha guarda dos media, é bem provável que não goste. A imprensa e a televisão tradicionais foram apanhadas desprevenidas  – tecnológica, financeira e criativamente –  pela revolução digital, e estão passando pelos maiores desafios que já enfrentaram. Elas têm condições para enfrentar esses desafios? Na verdade, não. Mas elas não têm escolha  – ou nadam ou afundam.” 

“Antes que pudessem entender o que estava acontecendo, uma segunda onda  – as [redes] sociais – atingiu a velha guarda. Essa onda era maior e mais forte do que a Internet e teve consequências mais severas. As empresas das [redes] sociais ficaram numa posição de vantagem, com a redução da quantidade de assinaturas pagas de jornais e revistas, e com a defasagem dos canais de TV em relação aos milhares de sites de notícias da Internet.” 

“De repente, todo mundo se tornou os media  – operador de câmara, editor, escritor, jornalista, promotor –  em um só pacote. Os guardiões da Informação viram seus portões ruírem e perderam o maior privilégio de todos  – o direito de decidir o que é importante e o que não é.” (…) 

Andrius Tapinas descreve neste contexto o triunfo de Donald Trump como “o primeiro presidente das [redes] sociais dos EUA”.

Descreve também o YouTube como “o maior repositório de televisão e serviço de hospedagem de vídeos do mundo, sendo que, ele próprio, não cria quase nada de conteúdo, mas é um porto seguro para todos os aspirantes a qualquer coisa da face da Terra. Qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, hoje em dia, pode ser qualquer coisa que sonhar  – cantor, chef, boxeador, estrela dos media. O céu é o limite, e é tudo de graça.” (…) 

Mais adiante, admite que nem tudo é positivo na “liberdade sem limites” dos novos media

"Notícias falsas, linchamentos virtuais, trolls e acusações infundadas proliferam. (...) Não existem filtros nem edição, e nenhuma necessidade de ter comedimento ou decência se a pessoa não quiser.” (…) 

 

Mas a sua conclusão é optimista: 

“Nosso modelo de negócios é novo e se insere na revolução digital, mas não é exclusivo. Projectos jornalísticos semelhantes, financiados pelo público, já foram lançados nos Países Baixos, na Suíça, na Índia e em vários outros países. Não é fácil, é o trabalho mais difícil que já realizei em minha carreira de quase 20 anos. No entanto, é o único caminho que quero percorrer como jornalista. E foi a revolução digital que me deu essa chance.”

 

O texto de Andrius Tapinas, na íntegra, na pág. 20 da edição de Jul.-Set.2017 do Correio da UNESCO, e uma apresentação da Laisvés TV, num vídeo da mesma estação.

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

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Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

Um festival de Verão sem estrondo de altifalantes, sem música de “fogo-de-artifício”, todo baseado na palavra, na conversa em grupo ou no diálogo directo com os jornalistas presentes. Durante o fim-de-semana de 13 a 15 de Julho, cerca de 4500 inscritos animaram a terceira edição do Festival Internacional de Jornalismo organizado pelo grupo Le Monde na localidade de Couthures, em França, à beira do rio Garonne. A aldeia não chega aos 400 habitantes, mas mais de 100 voluntários ajudaram a fazer funcionar, durante três dias, um encontro de muitos debates. Como disse Gilles van Kote, jornalista de Le Monde, a intenção era precisamente a de que tudo pudesse ser posto em questão, “sem tabus”.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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Jul
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Edinburgh International Television Festival
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dmexco
09:00 @ Colónia, Alemanha