Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
Media

O jornalismo de investigação distingue o “cão de guarda” do “animal de estimação” ...

O jornalismo de investigação é indispensável para exigir responsabilidades aos detentores do poder, e muito mais em países com regimes autoritários. Sem ele, “teríamos de sobreviver sob um regime de notícias diárias, conteúdo governamental pago e fofocas sobre celebridades; o jornalismo, portanto, funcionaria não como cão de guarda, mas como animal de estimação dos poderosos”. É este o ponto de partida de Sanita Jemberga, da Letónia, para uma reflexão sobre as dificuldades que ameaçam o jornalismo de investigação e como ela própria e um pequeno grupo de entusiastas criaram naquele país um centro que sobrevive há seis anos. 

A sua vontade de continuar a questionar os poderes, como conta em artigo publicado no Correio da UNESCO, “foi testada quando o Diena (Dia), o jornal para o qual trabalhávamos, foi vendido pelo Grupo Bonnier [o conglomerado de media sueco] para oligarcas locais que há anos tentavam silenciá-lo. Isso aconteceu em meio a uma profunda crise económica e a uma queda nas vendas e no número de leitores do jornal, que somente tarde demais começou a levar a Internet a sério”. (…) 

Outra jornalista do grupo, Inga Springe, “passou um ano nos Estados Unidos estudando modelos sem fins lucrativos para o jornalismo investigativo e retornou à Letónia para estabelecer o Centro de Jornalismo Investigativo do Báltico, o Re:Baltica, em 2011; administrado por uma cooperativa de jornalistas, o Centro fornece sem custos os resultados das suas investigações para os media convencionais”. 

“A ideia era relativamente nova na Europa mas, em 2012, já havia mais de 100 centros sem fins lucrativos dedicados ao jornalismo investigativo em mais de 50 países. Todos previram que o Re:Baltica não duraria mais de um ano, mas nós provámos que eles estavam errados. Comemorámos o nosso sexto aniversário em Agosto de 2017. Existem razões claras por que sobrevivemos e prosperamos.” 

Na sequência do artigo, Sanita Jemberga expõe essas razões: muito trabalho e um orçamento que é baseado em doações em 60%, sendo o resto assente nos proventos pessoais dos próprios jornalistas participantes  -  “que ganhamos dando aulas, realizando consultorias e escrevendo roteiros para documentários”. (…) 

“Também somos frugais em relação aos custos  – escolhemos não gastar muito com o nosso website ou com o nosso escritório. A equipe do Re:Baltica consiste em dois cargos editoriais centrais, um designer gráfico e um contador; então, contratamos o resto dos jornalistas de acordo com as necessidades de reportagens específicas  – até 20 ou 30 jornalistas e tradutores por ano.” 

“Nosso trabalho é disponibilizado sem custos para todos os veículos de media que quiserem publicá-lo, mas também temos um grupo dedicado de parceiros na televisão, no rádio, na imprensa e online, com os quais cooperamos de perto. Como esses veículos não são competidores directos, a mensagem se multiplica, assim como o impacto.” (…)

A Re:Baltica participou no trabalho do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação que está na origem dos Panama Papers.

 

O artigo original, na pág. 24 da edição em Português do Correio da UNESCO de Jul.-Set.2017. A imagem, que acompanha o mesmo artigo, é uma ilustração da Cartooning for Peace, apoiada pela UNESCO

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Um conselho inútil
Manuel Falcão
Pouca gente terá reparado que o Governo andou a fazer uma luta surda com a RTP até conseguir o que queria - ter uma palavra a dizer na composição do conselho de administração da empresa concessionária do serviço público de Rádio e Televisão. O caso deu-se graças a uma das maiores asneiras do ministro Poiares Maduro, no anterior governo, que foi a criação do Conselho Geral Independente...
Jornalistas assassinados na UE
Francisco Sarsfield Cabral
A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi,...
Para Joana Marques Vidal, todo o seu mérito se resume a “ter impresso a uma pesada máquina em movimento um novo funcionamento”, mais “eficaz, mais oleado, mais interdependente entre as várias equipas especializadas, e mais responsabilizado e onde deixa transparecer uma grande proximidade entre a hierarquia e as várias instâncias envolvidas. Joana Marques Vidal nunca recebeu telefonemas de Rui Rio, ao contrário do seu antecessor. Mas...
O Poder do Dever
Luís Queirós
No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
Agenda
24
Mai
24
Mai
Conferência Internacional Literacia de Media e Informação
09:00 @ Faculdade de Letras - Universidade de Coimbra
30
Mai
The GEN Summit 2018
19:00 @ Pátio da Galé, Lisboa
01
Jun
MEDIAMIXX 2018
09:00 @ Thessaloniki, Grécia
04
Jun
Fotojornalismo e Direitos de Autor
09:00 @ Cenjor, Lisboa