Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

O jornalismo de investigação distingue o “cão de guarda” do “animal de estimação” ...

O jornalismo de investigação é indispensável para exigir responsabilidades aos detentores do poder, e muito mais em países com regimes autoritários. Sem ele, “teríamos de sobreviver sob um regime de notícias diárias, conteúdo governamental pago e fofocas sobre celebridades; o jornalismo, portanto, funcionaria não como cão de guarda, mas como animal de estimação dos poderosos”. É este o ponto de partida de Sanita Jemberga, da Letónia, para uma reflexão sobre as dificuldades que ameaçam o jornalismo de investigação e como ela própria e um pequeno grupo de entusiastas criaram naquele país um centro que sobrevive há seis anos. 

A sua vontade de continuar a questionar os poderes, como conta em artigo publicado no Correio da UNESCO, “foi testada quando o Diena (Dia), o jornal para o qual trabalhávamos, foi vendido pelo Grupo Bonnier [o conglomerado de media sueco] para oligarcas locais que há anos tentavam silenciá-lo. Isso aconteceu em meio a uma profunda crise económica e a uma queda nas vendas e no número de leitores do jornal, que somente tarde demais começou a levar a Internet a sério”. (…) 

Outra jornalista do grupo, Inga Springe, “passou um ano nos Estados Unidos estudando modelos sem fins lucrativos para o jornalismo investigativo e retornou à Letónia para estabelecer o Centro de Jornalismo Investigativo do Báltico, o Re:Baltica, em 2011; administrado por uma cooperativa de jornalistas, o Centro fornece sem custos os resultados das suas investigações para os media convencionais”. 

“A ideia era relativamente nova na Europa mas, em 2012, já havia mais de 100 centros sem fins lucrativos dedicados ao jornalismo investigativo em mais de 50 países. Todos previram que o Re:Baltica não duraria mais de um ano, mas nós provámos que eles estavam errados. Comemorámos o nosso sexto aniversário em Agosto de 2017. Existem razões claras por que sobrevivemos e prosperamos.” 

Na sequência do artigo, Sanita Jemberga expõe essas razões: muito trabalho e um orçamento que é baseado em doações em 60%, sendo o resto assente nos proventos pessoais dos próprios jornalistas participantes  -  “que ganhamos dando aulas, realizando consultorias e escrevendo roteiros para documentários”. (…) 

“Também somos frugais em relação aos custos  – escolhemos não gastar muito com o nosso website ou com o nosso escritório. A equipe do Re:Baltica consiste em dois cargos editoriais centrais, um designer gráfico e um contador; então, contratamos o resto dos jornalistas de acordo com as necessidades de reportagens específicas  – até 20 ou 30 jornalistas e tradutores por ano.” 

“Nosso trabalho é disponibilizado sem custos para todos os veículos de media que quiserem publicá-lo, mas também temos um grupo dedicado de parceiros na televisão, no rádio, na imprensa e online, com os quais cooperamos de perto. Como esses veículos não são competidores directos, a mensagem se multiplica, assim como o impacto.” (…)

A Re:Baltica participou no trabalho do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação que está na origem dos Panama Papers.

 

O artigo original, na pág. 24 da edição em Português do Correio da UNESCO de Jul.-Set.2017. A imagem, que acompanha o mesmo artigo, é uma ilustração da Cartooning for Peace, apoiada pela UNESCO

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
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