Sábado, 25 de Maio, 2019
Novas iniciativas

Novos modos de apresentar um “jornalismo ao vivo” em formato original

Em vez de se confiarem apenas a utentes que ficam a ler um artigo usando dispositivos já sobrecarregados de informação e escolhas possíveis, muitos media estão agora a experimentar outras formas de comunicação. O modo de funcionamento é o de reunir jornalistas e leitores no mesmo local  - uma plateia diante de um palco -  para partilharem uma história, entrarem num debate ou trocarem ideias, usando a palavra, a imagem, a música, a representação e outros formatos multimédia.

 

À primeira vista, lembramo-nos espontaneamente das conferências TED. É um conceito semelhante, mas talvez com mais animação e riqueza de meios, e menos dependente em exclusivo da palavra. Já se lhe chamou live journalism, mas esta expressão, em rigor, remete para formas de reportagem no terreno e transmitidas por livestreaming ou disciplinas semelhantes. 

Lançado em Paris em 2014, o Live Magazine apresenta-se como “um jornal vivo, durante o qual jornalistas, fotojornalistas, ilustradores e realizadores se sucedem em cena, para contarem  - por palavras, por sons, por imagens -  uma história íntima em poucos minutos; relatos 100% inéditos e 99% verdadeiros, que se imprimem directamente nas nossas cabeças; para viver em directo, sem captação nem reprodução”. 

As próximas edições em França são as do Live Magazine dos Fotógrafos, a 6 de Setembro, no Festival Visa para a Imagem, em Perpignan, e o Live Magazine du Monde Festival a 25 de Setembro no Casino de Paris. 

Segundo a International Journalists’s Network, “uma das oportunidades que trouxe o live journalism foi, especialmente para os fotojornalistas, a possibilidade de exporem fotografias inéditas; qualquer fotojornalista pode testemunhar o facto de que eles têm milhares de imagens que não foram vistas, porque não eram adequadas ao seu próprio meio de comunicação”.

 

Mais informação na IJNet, em journalism.co.uk e no site do Live Magazine francês

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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