null, 23 de Setembro, 2018
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O lugar da ética jornalística num ambiente tóxico que ocupou o espaço da comunicação

Os meios de comunicação aprenderam da pior maneira como a revolução da informação é uma faca de dois gumes. Apesar do alcance e instantaneidade da comunicação que ela trouxe consigo, “os modelos de negócios que financiaram o jornalismo no passado estão quebrados e, em muitos casos, sem possibilidade de conserto”. Para agravar este problema, “uma mistura tóxica de tecnologia digital, políticas inescrupulosas e exploração comercial do novo cenário das comunicações está criando fissuras de desgaste por todo o campo mais amplo da informação pública”.

É este o núcleo da reflexão da Aidan White, director da Ethical Journalism Network, num texto intitulado “Jornalismo ético – de volta às notícias”, publicado no Correio da UNESCO de Jul.-Set.2017.

“Os últimos 15 anos testemunharam um declínio dramático no jornalismo de notícias, na medida em que a tecnologia alterou a forma de as pessoas se comunicarem e o funcionamento da indústria dos meios de comunicação. Hoje em dia, a maioria de nós lê notícias nos telefones celulares e nas plataformas online, que ficaram ricas explorando os dados pessoais do público e, ao mesmo tempo, tomando espaços de publicidade lucrativos dos media tradicionais.” (…)

 

Como conta Aidan White, que aqui citamos, a Rede de Jornalismo Ético foi criada há cinco anos precisamente “para fortalecer o jornalismo no enfrentamento dessa crise”.

 

“Como coligação de mais de 60 grupos de jornalistas, editores, donos de empresas e grupos de apoio aos media, a EJN promove treinamento e acções práticas para fortalecer a ética e a governança. (…) Como a rede está enraizada nos media, os relatórios produzidos pela EJN, que cobrem vários países, gozam de credibilidade na área jornalística, mesmo aqueles que revelam histórias não contadas sobre a realidade do funcionamento dos media e os desafios da autorregulação.”

 

“A EJN percebeu neste período de incertezas que, apesar do clima político e económico cada vez mais hostil, jornalistas de todo o mundo  - da Turquia, Síria e Egipto ao Paquistão, China e Indonésia -  se mantêm comprometidos a relatar a verdade e a respeitar os princípios éticos.” (…)

 

“Os valores centrais de exactidão, independência e jornalismo responsável  - que evoluíram ao longo dos últimos 150 anos -  continuam a ser tão relevantes quanto nunca, mesmo nesta época digital. Como diz a EJN, precisamos mesmo de uma nova parceria com o público consumidor dos media e com os formuladores de políticas, para persuadi-los de que o jornalismo ético deve ser fortalecido, e que ele pode ser usado como inspiração para novos programas que promovam a alfabetização informacional.” (…)

 

A maior parte do trabalho de Aidan White incide sobre o ambiente hostil que a ética jornalística encontra no funcionamento das grandes plataformas distribuidoras, que têm outro tipo de preocupações fundamentais:

 

“Usando algoritmos sofisticados e bancos de dados ilimitados que dão acesso a milhões de utentes, o modelo de negócios dessas empresas é impulsionado por um objectivo simples: incentivar as ‘informações virais’, que geram clics suficientes para se tornarem veículos eficazes de [publicidade] digital. O que importa não é se a informação é ética, verdadeira ou honesta; o que conta é se ela é sensacionalista, provocativa e estimulante o bastante para atrair atenção.”

 

“Ainda que sejam muito sofisticados, não é possível programar robots digitais para que tenham valores éticos e morais. Quem melhor pode lidar com questões éticas são seres humanos conscientes  - jornalistas e editores bem treinados, informados e responsáveis.” (…)

 

 

O texto original de Aidan White, na Ethical Journalism Network, e a sua tradução na pág. 7 da edição em Português do Correio da UNESCO

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

O Regulamento do Prémio de Lusofonia vem incluído na segunda imagem que acompanha este texto.

O efeito da revolução digital sobre a arquitectura das redacções Ver galeria

A transformação, no jornalismo, é tão rápida que até os novos termos ficam desactualizados sem que demos conta disso. Pior ainda, sem que os tenhamos sequer assimilado correctamente. É o caso da “convergência redaccional”, ou integração dos vários elementos da redacção no seu espaço reajustado. Esta reflexão é desenvolvida por Félix Bahón, jornalista, docente e investigador do Instituto para la Innovación Periodística, e foi publicada no nº 22 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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Opinião
Costuma dizer-se que “no melhor pano cai a nódoa”. E assim aconteceu com o prestigiado jornal americano “The New New York Times” ao decidir publicar, como opinião, um artigo não assinado com o sugestivo titulo “I Am Part of the Resistance Inside the Trump Administration”, que dispensa tradução. Depois do saudável movimento, que congregou, recentemente, 350 jornais americanos, em resposta ao apelo do The Boston Globe,...
Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
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