Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

Hemeroteca evoca o semanário “A Illustração Popular”

Está disponível, no site da Hemeroteca Municipal de Lisboa, a colecção completa do semanário A Illustração Popular: Chronica Semanal, publicada na capital ao longo do segundo semestre de 1884. Apresentava-se, no seu programa, como “modesta”, com a única aspiração de “entrar na oficina, no atelier, na escola, nas salas e nos palacios, sem se tornar notável pelos artifícios da phrase, nem antipatica pela escolha do assumpto”. 

No entanto, como observa a ficha histórica que a descreve, pouco adiante aparece um parágrafo “que contradiz essa intenção de querer atingir todos os tipos de público”: 

“A Illustração Popular é uma publicação especialmente destinada às classes laboriosas, que não podem comprar as edições de luxo, mas apesar da modicidade do seu preço, offerecerá aos menos abastados uma selecta colecção de ilustrações e a todos os seus leitores uma chronica circumstanciada dos mais notáveis acontecimentos da semana, uma revista dos theatros, a descrição das gravuras, um romance em folhetim, uma secção de poesia, outra de charadas, enygmas ou logogriphos, além de quaesquer assumptos, que á redacção pareçam de interesse publico”. (…) 

Faz questão de se demarcar da “liça da imprensa para supplantar adversários que primam pela elegância com que sabem esgrimir as polidas armas de estilo, da critica e do espírito”, de ser “redigida por uma sociedade de homens, desconhecidos no mundo litterario”, e que “não pretende subir ao pantheon da gloria para ser coroada pela fama, mas aspira a guardar ilibado o tesouro da língua pátria, tão rica que não carece de augmentos e tão bella que não precisa de adornos estranhos”.  

Em Dezembro de 1884, anunciada a sua suspensão, despediu-se com elegância, afirmando que “o fim único da publicação foi proporcionar ás classes proletárias um hebdomadario illustrado por um preço módico e com assumptos acomodados ao grau de instrucção dos seus leitores”; (…) e que “da parte da empresa não ha o menor ressentimento para com o publico, porque a empresa teve sempre o bom senso de não esquecer a pequenez do paiz e as forças do mercado”.  

Termina com três agradecimentos: aos assinantes pagantes; à “imprensa o favor que nos dispensou, recomendando a leitura do nosso hebdomadário e aos cavalheiros que nos distinguiram com a sua collaboração” (n.º 26, p. 208).

 

Mais informação na ficha histórica, elaborada por Helena Roldão, e a colecção dos 26 números da Illustração Popular, que podem ser consultados em PDF ou HTML

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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