Terça-feira, 21 de Novembro, 2017
Media

Hemeroteca evoca o semanário “A Illustração Popular”

Está disponível, no site da Hemeroteca Municipal de Lisboa, a colecção completa do semanário A Illustração Popular: Chronica Semanal, publicada na capital ao longo do segundo semestre de 1884. Apresentava-se, no seu programa, como “modesta”, com a única aspiração de “entrar na oficina, no atelier, na escola, nas salas e nos palacios, sem se tornar notável pelos artifícios da phrase, nem antipatica pela escolha do assumpto”. 

No entanto, como observa a ficha histórica que a descreve, pouco adiante aparece um parágrafo “que contradiz essa intenção de querer atingir todos os tipos de público”: 

“A Illustração Popular é uma publicação especialmente destinada às classes laboriosas, que não podem comprar as edições de luxo, mas apesar da modicidade do seu preço, offerecerá aos menos abastados uma selecta colecção de ilustrações e a todos os seus leitores uma chronica circumstanciada dos mais notáveis acontecimentos da semana, uma revista dos theatros, a descrição das gravuras, um romance em folhetim, uma secção de poesia, outra de charadas, enygmas ou logogriphos, além de quaesquer assumptos, que á redacção pareçam de interesse publico”. (…) 

Faz questão de se demarcar da “liça da imprensa para supplantar adversários que primam pela elegância com que sabem esgrimir as polidas armas de estilo, da critica e do espírito”, de ser “redigida por uma sociedade de homens, desconhecidos no mundo litterario”, e que “não pretende subir ao pantheon da gloria para ser coroada pela fama, mas aspira a guardar ilibado o tesouro da língua pátria, tão rica que não carece de augmentos e tão bella que não precisa de adornos estranhos”.  

Em Dezembro de 1884, anunciada a sua suspensão, despediu-se com elegância, afirmando que “o fim único da publicação foi proporcionar ás classes proletárias um hebdomadario illustrado por um preço módico e com assumptos acomodados ao grau de instrucção dos seus leitores”; (…) e que “da parte da empresa não ha o menor ressentimento para com o publico, porque a empresa teve sempre o bom senso de não esquecer a pequenez do paiz e as forças do mercado”.  

Termina com três agradecimentos: aos assinantes pagantes; à “imprensa o favor que nos dispensou, recomendando a leitura do nosso hebdomadário e aos cavalheiros que nos distinguiram com a sua collaboração” (n.º 26, p. 208).

 

Mais informação na ficha histórica, elaborada por Helena Roldão, e a colecção dos 26 números da Illustração Popular, que podem ser consultados em PDF ou HTML

Connosco
Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas Ver galeria

“Um jornal, hoje, não pode viver sem se pôr de joelhos diante da Google”. Foi esta a síntese de Casimiro García Abadillo, director de El Independiente, na comemoração do centenário do jornal El Sol. Disse ainda que as quedas da tiragem e da receita publicitária, desde a chegada da Internet, trouxeram uma “debilidade financeira” que permitiu que os grandes jornais fossem apropriados pela banca e outros grupos empresariais. Outra consequência foi a perda de emprego para muitos profissionais e uma desvalorização salarial que “proletarizou [a profissão] até limites insuportáveis”. A reportagem é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro Ver galeria

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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