Sexta-feira, 22 de Setembro, 2017
Media

O “Village Voice” perde o papel de património "alternativo" de Nova Iorque...

O jornal Village Voice, uma peça do património “alternativo” de Nova Iorque, vai deixar de ser editado em papel. Sessenta e dois anos depois da sua fundação  - entre outros pelo escritor Norman Mailer -  vamos continuar a esperar dele o que é oferecido à entrada do seu site  -  “as notícias, comida, cultura e eventos de Nova Iorque” -  mas daqui em diante só mesmo na versão online. Esta notícia é recebida com aquele misto de resignação e de respeito pelo luto que levamos aos funerais.

“Durante mais de 60 anos, o Village Voice desempenhou um grande papel no jornalismo, na política e na cultura americana”, diz o comunicado de Peter Barbey, descendente de uma família de donos de jornais e proprietário do Village Voice desde 2015.

 

Segundo o Público, que aqui citamos, Barbey acrescenta que o jornal “foi um farol para o progresso e uma voz, literal, para milhares de pessoas cujas identidades, opiniões e ideias de outra forma poderiam não ter sido ouvidas".

 

O Village Voice recebeu três vezes o Pulitzer Prize e passaram por ele outros romancistas, como “Henry Miller, Ezra Pound ou James Baldwin, e jornalistas como Lester Bangs, cronista da cena musical dos anos 1960 e 70, ou a ensaísta e feminista Ellen Willis”. (...)

 

“O que dava mais poder ao Voice não era o facto de ser impresso ou de sair todas as semanas”, mas sim o de ter permanecido "vivo" e de ter evoluído “a par e reflectindo os tempos e o mundo em evolução à sua volta”. Agora, defende Barbey em linguagem de negócios, quer que o jornal seja visto como uma ‘marca’. “Quero que a marca Village Voice represente isso para uma nova geração de pessoas  – e para gerações vindouras”. (...)

Num tom de balanço final, “quase epitáfio”, The New York Times escreve sobre o Village Voice:

“Sem ele, e partindo do princípio de que [você] é um nova-iorquino de uma certa idade, é muito provável que não tivesse encontrado o seu primeiro apartamento. Que nunca tivesse descoberto a sua banda punk favorita, que nunca tivesse declamado o seu primeiro jargão literário pós-estruturalista, comprado aquele lamentável sofá futon, descoberto Sam Shepard ou verificado as perfídias dos representantes eleitos em Nova Iorque.” (...) 

 

 

Mais informação no Público e em The New York Times. O site de Village Voice

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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