Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

O “Village Voice” perde o papel de património "alternativo" de Nova Iorque...

O jornal Village Voice, uma peça do património “alternativo” de Nova Iorque, vai deixar de ser editado em papel. Sessenta e dois anos depois da sua fundação  - entre outros pelo escritor Norman Mailer -  vamos continuar a esperar dele o que é oferecido à entrada do seu site  -  “as notícias, comida, cultura e eventos de Nova Iorque” -  mas daqui em diante só mesmo na versão online. Esta notícia é recebida com aquele misto de resignação e de respeito pelo luto que levamos aos funerais.

“Durante mais de 60 anos, o Village Voice desempenhou um grande papel no jornalismo, na política e na cultura americana”, diz o comunicado de Peter Barbey, descendente de uma família de donos de jornais e proprietário do Village Voice desde 2015.

 

Segundo o Público, que aqui citamos, Barbey acrescenta que o jornal “foi um farol para o progresso e uma voz, literal, para milhares de pessoas cujas identidades, opiniões e ideias de outra forma poderiam não ter sido ouvidas".

 

O Village Voice recebeu três vezes o Pulitzer Prize e passaram por ele outros romancistas, como “Henry Miller, Ezra Pound ou James Baldwin, e jornalistas como Lester Bangs, cronista da cena musical dos anos 1960 e 70, ou a ensaísta e feminista Ellen Willis”. (...)

 

“O que dava mais poder ao Voice não era o facto de ser impresso ou de sair todas as semanas”, mas sim o de ter permanecido "vivo" e de ter evoluído “a par e reflectindo os tempos e o mundo em evolução à sua volta”. Agora, defende Barbey em linguagem de negócios, quer que o jornal seja visto como uma ‘marca’. “Quero que a marca Village Voice represente isso para uma nova geração de pessoas  – e para gerações vindouras”. (...)

Num tom de balanço final, “quase epitáfio”, The New York Times escreve sobre o Village Voice:

“Sem ele, e partindo do princípio de que [você] é um nova-iorquino de uma certa idade, é muito provável que não tivesse encontrado o seu primeiro apartamento. Que nunca tivesse descoberto a sua banda punk favorita, que nunca tivesse declamado o seu primeiro jargão literário pós-estruturalista, comprado aquele lamentável sofá futon, descoberto Sam Shepard ou verificado as perfídias dos representantes eleitos em Nova Iorque.” (...) 

 

 

Mais informação no Público e em The New York Times. O site de Village Voice

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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