Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

O “Village Voice” perde o papel de património "alternativo" de Nova Iorque...

O jornal Village Voice, uma peça do património “alternativo” de Nova Iorque, vai deixar de ser editado em papel. Sessenta e dois anos depois da sua fundação  - entre outros pelo escritor Norman Mailer -  vamos continuar a esperar dele o que é oferecido à entrada do seu site  -  “as notícias, comida, cultura e eventos de Nova Iorque” -  mas daqui em diante só mesmo na versão online. Esta notícia é recebida com aquele misto de resignação e de respeito pelo luto que levamos aos funerais.

“Durante mais de 60 anos, o Village Voice desempenhou um grande papel no jornalismo, na política e na cultura americana”, diz o comunicado de Peter Barbey, descendente de uma família de donos de jornais e proprietário do Village Voice desde 2015.

 

Segundo o Público, que aqui citamos, Barbey acrescenta que o jornal “foi um farol para o progresso e uma voz, literal, para milhares de pessoas cujas identidades, opiniões e ideias de outra forma poderiam não ter sido ouvidas".

 

O Village Voice recebeu três vezes o Pulitzer Prize e passaram por ele outros romancistas, como “Henry Miller, Ezra Pound ou James Baldwin, e jornalistas como Lester Bangs, cronista da cena musical dos anos 1960 e 70, ou a ensaísta e feminista Ellen Willis”. (...)

 

“O que dava mais poder ao Voice não era o facto de ser impresso ou de sair todas as semanas”, mas sim o de ter permanecido "vivo" e de ter evoluído “a par e reflectindo os tempos e o mundo em evolução à sua volta”. Agora, defende Barbey em linguagem de negócios, quer que o jornal seja visto como uma ‘marca’. “Quero que a marca Village Voice represente isso para uma nova geração de pessoas  – e para gerações vindouras”. (...)

Num tom de balanço final, “quase epitáfio”, The New York Times escreve sobre o Village Voice:

“Sem ele, e partindo do princípio de que [você] é um nova-iorquino de uma certa idade, é muito provável que não tivesse encontrado o seu primeiro apartamento. Que nunca tivesse descoberto a sua banda punk favorita, que nunca tivesse declamado o seu primeiro jargão literário pós-estruturalista, comprado aquele lamentável sofá futon, descoberto Sam Shepard ou verificado as perfídias dos representantes eleitos em Nova Iorque.” (...) 

 

 

Mais informação no Público e em The New York Times. O site de Village Voice

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set