Terça-feira, 21 de Novembro, 2017
Mundo

Estudo para a 'mutualização' dos custos de produção entre redacções diferentes

O que se passa cada vez mais, entre a produção e o consumo de informação pela Internet, é uma corrida de mais velocidade na chegada do que rigor na identificação da fonte original. Segundo um estudo feito em 2013 sobre mais de 80 meios de comunicação em França, e agora editado em livro, “os media andam depressa; copiam muito; e referem a fonte muito pouco”. Em resumo, trata-se de um fenómeno de propagação que fica “próximo da viralidade”, com muito de copy-paste, como é inevitável.

Os três autores basearam o seu trabalho sobre o estudo sistemático dos conteúdos publicados online por 86 meios noticiosos, incluindo a Agência France-Presse, diários nacionais e regionais, semanários e sites Internet de rádio e televisão. 

Segundo as suas conclusões, e citando a apresentação da obra no observatório Acrimed:

“Metade das informações são retomadas em menos de 25 minutos, um quarto em menos de quatro minutos e 10% em quatro segundos. Uma vez conhecida esta velocidade de propagação, não é surpreendente a amplitude do copy-paste: 21% dos documentos são inteiramente originais, enquanto 19% são inteiramente copiados e 37% contêm apenas 1% a 20% de originalidade. Finalmente, os media copiados são citados apenas em 8,7% dos casos, 18,6% quando se trata de citar os news-breakers (os autores ‘primários’ da informação).” 

Uma das questões a que o estudo procura responder é a de saber por que motivo “alguns media produzem mais informação do que outros”. A conclusão assenta em dois factores: o número de jornalistas e a dimensão das redacções: 

“Um jornalista suplementar acrescenta uma média de 28 artigos inteiramente originais por ano à produção de informações classificada nos acontecimentos de um meio de comunicação”. Pelo que os autores deste trabalho “manifestam o seu alarme pela diminuição do número de jornalistas e da dimensão das redacções, fenómeno que tende a acentuar-se precisamente quando o número dos jornalistas é um factor-chave para a informação original”. (...) 

Já no terreno das conclusões e propostas de futuro, e a respeito da tendência para a “mutualização” dos custos de produção entre redacções diferentes, os autores esboçam “uma forma jurídica moderna para as empresas de comunicação, baseada ao mesmo tempo nos princípios das fundações e do crowdfunding”: 

“Segundo os autores, neste modelo de propósito não lucrativo, em que os leitores e os jornalistas deteriam o essencial do poder de decisão, os media poderiam reatar com a sua vocação de produzirem um bem público denominado Informação.” 

 

O artigo de apresentação do livro L’Information à tout prix, no site de Acrimed

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Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas Ver galeria

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Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro Ver galeria

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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