Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Mundo

Estudo para a 'mutualização' dos custos de produção entre redacções diferentes

O que se passa cada vez mais, entre a produção e o consumo de informação pela Internet, é uma corrida de mais velocidade na chegada do que rigor na identificação da fonte original. Segundo um estudo feito em 2013 sobre mais de 80 meios de comunicação em França, e agora editado em livro, “os media andam depressa; copiam muito; e referem a fonte muito pouco”. Em resumo, trata-se de um fenómeno de propagação que fica “próximo da viralidade”, com muito de copy-paste, como é inevitável.

Os três autores basearam o seu trabalho sobre o estudo sistemático dos conteúdos publicados online por 86 meios noticiosos, incluindo a Agência France-Presse, diários nacionais e regionais, semanários e sites Internet de rádio e televisão. 

Segundo as suas conclusões, e citando a apresentação da obra no observatório Acrimed:

“Metade das informações são retomadas em menos de 25 minutos, um quarto em menos de quatro minutos e 10% em quatro segundos. Uma vez conhecida esta velocidade de propagação, não é surpreendente a amplitude do copy-paste: 21% dos documentos são inteiramente originais, enquanto 19% são inteiramente copiados e 37% contêm apenas 1% a 20% de originalidade. Finalmente, os media copiados são citados apenas em 8,7% dos casos, 18,6% quando se trata de citar os news-breakers (os autores ‘primários’ da informação).” 

Uma das questões a que o estudo procura responder é a de saber por que motivo “alguns media produzem mais informação do que outros”. A conclusão assenta em dois factores: o número de jornalistas e a dimensão das redacções: 

“Um jornalista suplementar acrescenta uma média de 28 artigos inteiramente originais por ano à produção de informações classificada nos acontecimentos de um meio de comunicação”. Pelo que os autores deste trabalho “manifestam o seu alarme pela diminuição do número de jornalistas e da dimensão das redacções, fenómeno que tende a acentuar-se precisamente quando o número dos jornalistas é um factor-chave para a informação original”. (...) 

Já no terreno das conclusões e propostas de futuro, e a respeito da tendência para a “mutualização” dos custos de produção entre redacções diferentes, os autores esboçam “uma forma jurídica moderna para as empresas de comunicação, baseada ao mesmo tempo nos princípios das fundações e do crowdfunding”: 

“Segundo os autores, neste modelo de propósito não lucrativo, em que os leitores e os jornalistas deteriam o essencial do poder de decisão, os media poderiam reatar com a sua vocação de produzirem um bem público denominado Informação.” 

 

O artigo de apresentação do livro L’Information à tout prix, no site de Acrimed

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Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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