Sexta-feira, 22 de Setembro, 2017
Mundo

Estudo para a 'mutualização' dos custos de produção entre redacções diferentes

O que se passa cada vez mais, entre a produção e o consumo de informação pela Internet, é uma corrida de mais velocidade na chegada do que rigor na identificação da fonte original. Segundo um estudo feito em 2013 sobre mais de 80 meios de comunicação em França, e agora editado em livro, “os media andam depressa; copiam muito; e referem a fonte muito pouco”. Em resumo, trata-se de um fenómeno de propagação que fica “próximo da viralidade”, com muito de copy-paste, como é inevitável.

Os três autores basearam o seu trabalho sobre o estudo sistemático dos conteúdos publicados online por 86 meios noticiosos, incluindo a Agência France-Presse, diários nacionais e regionais, semanários e sites Internet de rádio e televisão. 

Segundo as suas conclusões, e citando a apresentação da obra no observatório Acrimed:

“Metade das informações são retomadas em menos de 25 minutos, um quarto em menos de quatro minutos e 10% em quatro segundos. Uma vez conhecida esta velocidade de propagação, não é surpreendente a amplitude do copy-paste: 21% dos documentos são inteiramente originais, enquanto 19% são inteiramente copiados e 37% contêm apenas 1% a 20% de originalidade. Finalmente, os media copiados são citados apenas em 8,7% dos casos, 18,6% quando se trata de citar os news-breakers (os autores ‘primários’ da informação).” 

Uma das questões a que o estudo procura responder é a de saber por que motivo “alguns media produzem mais informação do que outros”. A conclusão assenta em dois factores: o número de jornalistas e a dimensão das redacções: 

“Um jornalista suplementar acrescenta uma média de 28 artigos inteiramente originais por ano à produção de informações classificada nos acontecimentos de um meio de comunicação”. Pelo que os autores deste trabalho “manifestam o seu alarme pela diminuição do número de jornalistas e da dimensão das redacções, fenómeno que tende a acentuar-se precisamente quando o número dos jornalistas é um factor-chave para a informação original”. (...) 

Já no terreno das conclusões e propostas de futuro, e a respeito da tendência para a “mutualização” dos custos de produção entre redacções diferentes, os autores esboçam “uma forma jurídica moderna para as empresas de comunicação, baseada ao mesmo tempo nos princípios das fundações e do crowdfunding”: 

“Segundo os autores, neste modelo de propósito não lucrativo, em que os leitores e os jornalistas deteriam o essencial do poder de decisão, os media poderiam reatar com a sua vocação de produzirem um bem público denominado Informação.” 

 

O artigo de apresentação do livro L’Information à tout prix, no site de Acrimed

Connosco
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O Clube

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O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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