Sábado, 25 de Maio, 2019
Mundo

Estudo para a 'mutualização' dos custos de produção entre redacções diferentes

O que se passa cada vez mais, entre a produção e o consumo de informação pela Internet, é uma corrida de mais velocidade na chegada do que rigor na identificação da fonte original. Segundo um estudo feito em 2013 sobre mais de 80 meios de comunicação em França, e agora editado em livro, “os media andam depressa; copiam muito; e referem a fonte muito pouco”. Em resumo, trata-se de um fenómeno de propagação que fica “próximo da viralidade”, com muito de copy-paste, como é inevitável.

Os três autores basearam o seu trabalho sobre o estudo sistemático dos conteúdos publicados online por 86 meios noticiosos, incluindo a Agência France-Presse, diários nacionais e regionais, semanários e sites Internet de rádio e televisão. 

Segundo as suas conclusões, e citando a apresentação da obra no observatório Acrimed:

“Metade das informações são retomadas em menos de 25 minutos, um quarto em menos de quatro minutos e 10% em quatro segundos. Uma vez conhecida esta velocidade de propagação, não é surpreendente a amplitude do copy-paste: 21% dos documentos são inteiramente originais, enquanto 19% são inteiramente copiados e 37% contêm apenas 1% a 20% de originalidade. Finalmente, os media copiados são citados apenas em 8,7% dos casos, 18,6% quando se trata de citar os news-breakers (os autores ‘primários’ da informação).” 

Uma das questões a que o estudo procura responder é a de saber por que motivo “alguns media produzem mais informação do que outros”. A conclusão assenta em dois factores: o número de jornalistas e a dimensão das redacções: 

“Um jornalista suplementar acrescenta uma média de 28 artigos inteiramente originais por ano à produção de informações classificada nos acontecimentos de um meio de comunicação”. Pelo que os autores deste trabalho “manifestam o seu alarme pela diminuição do número de jornalistas e da dimensão das redacções, fenómeno que tende a acentuar-se precisamente quando o número dos jornalistas é um factor-chave para a informação original”. (...) 

Já no terreno das conclusões e propostas de futuro, e a respeito da tendência para a “mutualização” dos custos de produção entre redacções diferentes, os autores esboçam “uma forma jurídica moderna para as empresas de comunicação, baseada ao mesmo tempo nos princípios das fundações e do crowdfunding”: 

“Segundo os autores, neste modelo de propósito não lucrativo, em que os leitores e os jornalistas deteriam o essencial do poder de decisão, os media poderiam reatar com a sua vocação de produzirem um bem público denominado Informação.” 

 

O artigo de apresentação do livro L’Information à tout prix, no site de Acrimed

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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