Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Mundo

Estudo para a 'mutualização' dos custos de produção entre redacções diferentes

O que se passa cada vez mais, entre a produção e o consumo de informação pela Internet, é uma corrida de mais velocidade na chegada do que rigor na identificação da fonte original. Segundo um estudo feito em 2013 sobre mais de 80 meios de comunicação em França, e agora editado em livro, “os media andam depressa; copiam muito; e referem a fonte muito pouco”. Em resumo, trata-se de um fenómeno de propagação que fica “próximo da viralidade”, com muito de copy-paste, como é inevitável.

Os três autores basearam o seu trabalho sobre o estudo sistemático dos conteúdos publicados online por 86 meios noticiosos, incluindo a Agência France-Presse, diários nacionais e regionais, semanários e sites Internet de rádio e televisão. 

Segundo as suas conclusões, e citando a apresentação da obra no observatório Acrimed:

“Metade das informações são retomadas em menos de 25 minutos, um quarto em menos de quatro minutos e 10% em quatro segundos. Uma vez conhecida esta velocidade de propagação, não é surpreendente a amplitude do copy-paste: 21% dos documentos são inteiramente originais, enquanto 19% são inteiramente copiados e 37% contêm apenas 1% a 20% de originalidade. Finalmente, os media copiados são citados apenas em 8,7% dos casos, 18,6% quando se trata de citar os news-breakers (os autores ‘primários’ da informação).” 

Uma das questões a que o estudo procura responder é a de saber por que motivo “alguns media produzem mais informação do que outros”. A conclusão assenta em dois factores: o número de jornalistas e a dimensão das redacções: 

“Um jornalista suplementar acrescenta uma média de 28 artigos inteiramente originais por ano à produção de informações classificada nos acontecimentos de um meio de comunicação”. Pelo que os autores deste trabalho “manifestam o seu alarme pela diminuição do número de jornalistas e da dimensão das redacções, fenómeno que tende a acentuar-se precisamente quando o número dos jornalistas é um factor-chave para a informação original”. (...) 

Já no terreno das conclusões e propostas de futuro, e a respeito da tendência para a “mutualização” dos custos de produção entre redacções diferentes, os autores esboçam “uma forma jurídica moderna para as empresas de comunicação, baseada ao mesmo tempo nos princípios das fundações e do crowdfunding”: 

“Segundo os autores, neste modelo de propósito não lucrativo, em que os leitores e os jornalistas deteriam o essencial do poder de decisão, os media poderiam reatar com a sua vocação de produzirem um bem público denominado Informação.” 

 

O artigo de apresentação do livro L’Information à tout prix, no site de Acrimed

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


ver mais >
Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...