Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Crise nos meios tradicionais recomenda ao leitor que seja parte do jornal

A crise nos modos tradicionais de sustento dos meios de comunicação pôs em destaque a busca de formas de adesão mais pessoais do que a simples assinatura de um título que nos agrada. Procura-se agora uma “pertença”, uma “membrasia” que faça o leitor sentir-se parte do seu jornal. A directora de investigação do Membership Puzzle Project dá conta do diálogo estabelecido com vários grandes media e das sugestões recolhidas. Há pelo menos três lições úteis sobre aquilo que os “membros” e as empresas dos media têm para dar uns aos outros para construirem, entre si, um “poderoso contrato social”.

A autora deste texto, Emily Goligoski, que aqui citamos da Global Investigative Journalism Network, apresenta do seguinte modo as referidas três lições:

  1. – Os programas de “membrasia” [membership, no original] encontram-se num estado de evolução rápida, com exemplos diferentes. Alguns jornais investem neles como uma parte crescente da sua receita total, que até aqui assentava pesadamente na publicidade (casos do Gimlet, El Diario, The Guardian). Outros, como The Ferret, na Escócia, ou The Bristol Cable, na Inglaterra, procuram na “membrasia” o meio principal de apoio à sua reportagem, com algumas abordagens muito interactivas.
  2. – Os constrangimentos de recursos internos podem atrasar a mudança. Num site de uma só pessoa, por exemplo, o programa exige demasiado esforço e tempo. Mesmo assim, Taegan Goddard, fundador do Political Wire, faz esse esforço e considera este “o modelo mais honeste que se pode ter”  - o que é um ponto de vista notável, numa era de declínio da confiança no jornalismo. Mas nas redacções maiores faltam por vezes estruturas de incentivo para que os jornalistas procurem um “contacto eficaz com os membros da sua audiência”.
  3. – O “contrato social” implícito a este programa nem sempre é devidamente acautelado pelos media, incluindo os preços e os pedidos de participação. “Tratar estas componentes como um assunto para pensar depois não é o modo de adquirir e manter membros a longo prazo”.

No resto do seu artigo, Emily Goligoski menciona vários casos interessantes da sua experiência com jornais envolvidos no Membership Puzzle Project, incluindo coisas que correm bem, outras menos e conselhos úteis.

 

O seu artigo na íntegra, no GIJN, e mais informação noutro local deste site, sobre o jornal holandês De Correspondent, considerado pioneiro nesta abordagem de relação com os leitores

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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