Quinta-feira, 21 de Setembro, 2017
Media

Crise nos meios tradicionais recomenda ao leitor que seja parte do jornal

A crise nos modos tradicionais de sustento dos meios de comunicação pôs em destaque a busca de formas de adesão mais pessoais do que a simples assinatura de um título que nos agrada. Procura-se agora uma “pertença”, uma “membrasia” que faça o leitor sentir-se parte do seu jornal. A directora de investigação do Membership Puzzle Project dá conta do diálogo estabelecido com vários grandes media e das sugestões recolhidas. Há pelo menos três lições úteis sobre aquilo que os “membros” e as empresas dos media têm para dar uns aos outros para construirem, entre si, um “poderoso contrato social”.

A autora deste texto, Emily Goligoski, que aqui citamos da Global Investigative Journalism Network, apresenta do seguinte modo as referidas três lições:

  1. – Os programas de “membrasia” [membership, no original] encontram-se num estado de evolução rápida, com exemplos diferentes. Alguns jornais investem neles como uma parte crescente da sua receita total, que até aqui assentava pesadamente na publicidade (casos do Gimlet, El Diario, The Guardian). Outros, como The Ferret, na Escócia, ou The Bristol Cable, na Inglaterra, procuram na “membrasia” o meio principal de apoio à sua reportagem, com algumas abordagens muito interactivas.
  2. – Os constrangimentos de recursos internos podem atrasar a mudança. Num site de uma só pessoa, por exemplo, o programa exige demasiado esforço e tempo. Mesmo assim, Taegan Goddard, fundador do Political Wire, faz esse esforço e considera este “o modelo mais honeste que se pode ter”  - o que é um ponto de vista notável, numa era de declínio da confiança no jornalismo. Mas nas redacções maiores faltam por vezes estruturas de incentivo para que os jornalistas procurem um “contacto eficaz com os membros da sua audiência”.
  3. – O “contrato social” implícito a este programa nem sempre é devidamente acautelado pelos media, incluindo os preços e os pedidos de participação. “Tratar estas componentes como um assunto para pensar depois não é o modo de adquirir e manter membros a longo prazo”.

No resto do seu artigo, Emily Goligoski menciona vários casos interessantes da sua experiência com jornais envolvidos no Membership Puzzle Project, incluindo coisas que correm bem, outras menos e conselhos úteis.

 

O seu artigo na íntegra, no GIJN, e mais informação noutro local deste site, sobre o jornal holandês De Correspondent, considerado pioneiro nesta abordagem de relação com os leitores

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

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O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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