Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

Crise nos meios tradicionais recomenda ao leitor que seja parte do jornal

A crise nos modos tradicionais de sustento dos meios de comunicação pôs em destaque a busca de formas de adesão mais pessoais do que a simples assinatura de um título que nos agrada. Procura-se agora uma “pertença”, uma “membrasia” que faça o leitor sentir-se parte do seu jornal. A directora de investigação do Membership Puzzle Project dá conta do diálogo estabelecido com vários grandes media e das sugestões recolhidas. Há pelo menos três lições úteis sobre aquilo que os “membros” e as empresas dos media têm para dar uns aos outros para construirem, entre si, um “poderoso contrato social”.

A autora deste texto, Emily Goligoski, que aqui citamos da Global Investigative Journalism Network, apresenta do seguinte modo as referidas três lições:

  1. – Os programas de “membrasia” [membership, no original] encontram-se num estado de evolução rápida, com exemplos diferentes. Alguns jornais investem neles como uma parte crescente da sua receita total, que até aqui assentava pesadamente na publicidade (casos do Gimlet, El Diario, The Guardian). Outros, como The Ferret, na Escócia, ou The Bristol Cable, na Inglaterra, procuram na “membrasia” o meio principal de apoio à sua reportagem, com algumas abordagens muito interactivas.
  2. – Os constrangimentos de recursos internos podem atrasar a mudança. Num site de uma só pessoa, por exemplo, o programa exige demasiado esforço e tempo. Mesmo assim, Taegan Goddard, fundador do Political Wire, faz esse esforço e considera este “o modelo mais honeste que se pode ter”  - o que é um ponto de vista notável, numa era de declínio da confiança no jornalismo. Mas nas redacções maiores faltam por vezes estruturas de incentivo para que os jornalistas procurem um “contacto eficaz com os membros da sua audiência”.
  3. – O “contrato social” implícito a este programa nem sempre é devidamente acautelado pelos media, incluindo os preços e os pedidos de participação. “Tratar estas componentes como um assunto para pensar depois não é o modo de adquirir e manter membros a longo prazo”.

No resto do seu artigo, Emily Goligoski menciona vários casos interessantes da sua experiência com jornais envolvidos no Membership Puzzle Project, incluindo coisas que correm bem, outras menos e conselhos úteis.

 

O seu artigo na íntegra, no GIJN, e mais informação noutro local deste site, sobre o jornal holandês De Correspondent, considerado pioneiro nesta abordagem de relação com os leitores

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

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Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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