Sábado, 20 de Outubro, 2018
Media

Crise nos meios tradicionais recomenda ao leitor que seja parte do jornal

A crise nos modos tradicionais de sustento dos meios de comunicação pôs em destaque a busca de formas de adesão mais pessoais do que a simples assinatura de um título que nos agrada. Procura-se agora uma “pertença”, uma “membrasia” que faça o leitor sentir-se parte do seu jornal. A directora de investigação do Membership Puzzle Project dá conta do diálogo estabelecido com vários grandes media e das sugestões recolhidas. Há pelo menos três lições úteis sobre aquilo que os “membros” e as empresas dos media têm para dar uns aos outros para construirem, entre si, um “poderoso contrato social”.

A autora deste texto, Emily Goligoski, que aqui citamos da Global Investigative Journalism Network, apresenta do seguinte modo as referidas três lições:

  1. – Os programas de “membrasia” [membership, no original] encontram-se num estado de evolução rápida, com exemplos diferentes. Alguns jornais investem neles como uma parte crescente da sua receita total, que até aqui assentava pesadamente na publicidade (casos do Gimlet, El Diario, The Guardian). Outros, como The Ferret, na Escócia, ou The Bristol Cable, na Inglaterra, procuram na “membrasia” o meio principal de apoio à sua reportagem, com algumas abordagens muito interactivas.
  2. – Os constrangimentos de recursos internos podem atrasar a mudança. Num site de uma só pessoa, por exemplo, o programa exige demasiado esforço e tempo. Mesmo assim, Taegan Goddard, fundador do Political Wire, faz esse esforço e considera este “o modelo mais honeste que se pode ter”  - o que é um ponto de vista notável, numa era de declínio da confiança no jornalismo. Mas nas redacções maiores faltam por vezes estruturas de incentivo para que os jornalistas procurem um “contacto eficaz com os membros da sua audiência”.
  3. – O “contrato social” implícito a este programa nem sempre é devidamente acautelado pelos media, incluindo os preços e os pedidos de participação. “Tratar estas componentes como um assunto para pensar depois não é o modo de adquirir e manter membros a longo prazo”.

No resto do seu artigo, Emily Goligoski menciona vários casos interessantes da sua experiência com jornais envolvidos no Membership Puzzle Project, incluindo coisas que correm bem, outras menos e conselhos úteis.

 

O seu artigo na íntegra, no GIJN, e mais informação noutro local deste site, sobre o jornal holandês De Correspondent, considerado pioneiro nesta abordagem de relação com os leitores

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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