Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Estudo

Duopólio Google-Facebook na publicidade digital ameaça o jornalismo

Há números preocupantes pelo lado do domínio do mercado na publicidade digital. Segundo a eMarketer, o “duopólio” Google-Facebook reparte entre si as maiores fatias deste mercado nos Estados Unidos, tendo por consequência “uma travagem generalizada no aumento das receitas digitais de muitos dos grandes media, o encerramento de muitos dos pequenos e crescentes dificuldades para sustentar o jornalismo de qualidade”.

O Facebook já fica com 35% da publicidade digital nos EUA, o Google com 14% “e nenhuma outra empresa chega aos 10%, mas pode acontecer que a terceira nesta disputa seja em breve a Amazon”. 

Os efeitos deste desenvolvimento estão a chegar a um ponto em que, segundo Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que aqui citamos, “ou as grandes plataformas da Internet fazem alguma coisa realmente eficaz ou vão multiplicar-se os protestos e as reacções perante esta distribuição desigual”. 

Os dados do primeiro semestre, em Espanha, são também preocupantes para os grandes meios, que assistem a uma redução considerável da receita publicitária no digital:

“Na Prisa aumentaram apenas 5,2%, comparados com os 20,4% que tinham feito em 2016. Na Vocento cresceram 5,7%, em vez de 13,6%. Isto num contexto em que a facturação publicitária tradicional está literalmente arrasada e a circulação e as vendas continuam em queda livre. A sua grande esperança era o aumento muito considerável da publicidade digital, mesmo que não compensasse, nem de longe, a quebra das outras receitas. Se agora está em travagem o auge das receitas digitais, o que lhes resta?” (...) 

Miguel Ormaetxea recorda o muito recente encerramento do jovem jornal digital Bez.es (de que se fala noutro local deste site), as crescentes dificuldades no El Independiente e na Libertad Digital e nos grupos Prisa e Vocento. 

Passando a outros países europeus, recapitula as medidas de aproximação entre vários meios que eram concorrentes entre si, para concertarem uma resistência conjunta à pressão do referido “duopólio” e conclui com mais uma notícia preocupante, a que também já temos dado atenção no site do CPI: a de que esta deriva está a conseguir que haja “multimilionários a adquirirem influentes meios de comunicação a preço de saldo”.

 

Mais informação no texto de Miguel Ormaetxea, em Media-tics, e os números do avanço do “duopólio” em Março de 2017, na Forbes

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...