Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Estudo

Duopólio Google-Facebook na publicidade digital ameaça o jornalismo

Há números preocupantes pelo lado do domínio do mercado na publicidade digital. Segundo a eMarketer, o “duopólio” Google-Facebook reparte entre si as maiores fatias deste mercado nos Estados Unidos, tendo por consequência “uma travagem generalizada no aumento das receitas digitais de muitos dos grandes media, o encerramento de muitos dos pequenos e crescentes dificuldades para sustentar o jornalismo de qualidade”.

O Facebook já fica com 35% da publicidade digital nos EUA, o Google com 14% “e nenhuma outra empresa chega aos 10%, mas pode acontecer que a terceira nesta disputa seja em breve a Amazon”. 

Os efeitos deste desenvolvimento estão a chegar a um ponto em que, segundo Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que aqui citamos, “ou as grandes plataformas da Internet fazem alguma coisa realmente eficaz ou vão multiplicar-se os protestos e as reacções perante esta distribuição desigual”. 

Os dados do primeiro semestre, em Espanha, são também preocupantes para os grandes meios, que assistem a uma redução considerável da receita publicitária no digital:

“Na Prisa aumentaram apenas 5,2%, comparados com os 20,4% que tinham feito em 2016. Na Vocento cresceram 5,7%, em vez de 13,6%. Isto num contexto em que a facturação publicitária tradicional está literalmente arrasada e a circulação e as vendas continuam em queda livre. A sua grande esperança era o aumento muito considerável da publicidade digital, mesmo que não compensasse, nem de longe, a quebra das outras receitas. Se agora está em travagem o auge das receitas digitais, o que lhes resta?” (...) 

Miguel Ormaetxea recorda o muito recente encerramento do jovem jornal digital Bez.es (de que se fala noutro local deste site), as crescentes dificuldades no El Independiente e na Libertad Digital e nos grupos Prisa e Vocento. 

Passando a outros países europeus, recapitula as medidas de aproximação entre vários meios que eram concorrentes entre si, para concertarem uma resistência conjunta à pressão do referido “duopólio” e conclui com mais uma notícia preocupante, a que também já temos dado atenção no site do CPI: a de que esta deriva está a conseguir que haja “multimilionários a adquirirem influentes meios de comunicação a preço de saldo”.

 

Mais informação no texto de Miguel Ormaetxea, em Media-tics, e os números do avanço do “duopólio” em Março de 2017, na Forbes

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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