Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Estudo

Observatório Europeu compara emissoras de serviço público em nove países

Os media europeus de serviço público foram atingidos de modos diferentes pela crise global de 2008. Alguns tiveram de adoptar mudanças estratégicas importantes na sua direcção, financiamento e conteúdos, enquanto outros foram pouco afectados. Um estudo realizado pelo Observatório Europeu de Jornalismo (EJO) procurou comparar a situação em nove países do seu espaço, e uma das primeiras conclusões é a de que os orçamentos variam muito de uns para outros, não se verificando uma estratégia comum, financeira ou organizativa.

Os países escolhidos como objecto de estudo são apresentados segundo a dimensão dos seus mercados de Informação, do seguinte modo: três grandes (Alemanha, Reino Unido e Itália), dois médios (Polónia e Roménia) e quatro pequenos (República Checa, Portugal, Suíça e Letónia).

Os meios designados como Public Service Media “são compostos, em vários países, por estações de televisão ou de rádio e as plataformas digitais que lhes estão associadas (websites, canais no YouTube e páginas próprias nas redes sociais). Outras empresas de comunicação pública incluem uma agência de Imprensa, também financiada pelo orçamento nacional. Este estudo do EJO limita-se apenas às emissoras de televisão e de rádio e à presença na Internet que lhes está associada”.

Segundo o texto que citamos, “quase dez anos depois da crise económica, os orçamentos dos PSM por toda a Europa variam muitíssimo, desde acima de seis mil milhões de euros até 20 milhões de euros por ano; o meio de serviço público que recebe o maior financiamento anual é a televisão pública ARD da Alemanha, e o menos subsidiado é a TVR – Televisão Romena, que foi salva na iminência da bancarrota em 2016”. (...) 

“A BBC é a única estação nacional não autorizada, por lei, a difundir publicidade ou patrocínio. A BBC é financiada, em primeiro lugar, por uma taxa anual de 163 euros (147 £) por habitação, mas cerca de um quarto da sua receita vem do departamento comercial, a BBC Worldwide Ltd, que vende internacionalmente os seus programas e serviços.” (...) 

“Na Suíça, a televisão e rádio públicas têm uma fatia significativa do mercado (cerca de 60% para a rádio e entre 30% e 38% para a TV). Isto torna-se desvantajoso para as emissoras privadas, que ainda enfrentam a forte competição das estações privadas e públicas da Alemanha, Itália e França. Para compensar essa desvantagem, uma pequena porção da receita (4%) recolhida pelas taxas das emissoras nacionais é utilizada para subsidiar as emissoras suíças privadas.” 

“O meio europeu de serviço público que recebe mais financiamento é a ARD alemã, um agrupamento de estações regionais. A sua receita é baseada na combinação de uma taxa relativamente elevada (17,5 euros por mês, por habitação, o que dá 210 euros por ano) com um grande número de habitações a que a taxa é aplicada. Ficam isentas as famílias de recursos mais baixos e os estudantes. Este financiamento público perfaz 86% da receita total da ARD  e 85% da ZdF, a segunda estação pública da Alemanha.” (...) 

A crise de 2008 teve pouco impacto no caso da República Checa, mas implicou ajustamentos nas taxas de utilização na Itália e na Alemanha. Na Letónia, cortes de 25% no financiamento oficial e uma quebra de 35% nas receitas da publicidade, na primeira metade de 2009, levaram à supressão de postos de trabalho, incluindo no coro da Rádio pública; na iminência da bancarrota, o director-geral demitiu-se e o governo do país pagou a dívida que subia a um milhão de euros. 

“Na Polónia, menos de um quarto da receita da televisão pública vem do orçamento, incluindo a taxa de utilização. Apesar de uma dependência relativamente baixa em relação ao seu sustento pelo governo, a Telewizja Polska e Polskie Radio são vulneráveis à pressão política porque, desde 2016, o partido no poder, Lei e Justiça, tem o direito de nomear três dos cinco membros da administração da TVP. Este nível de influência política já teve impacto sobre o conteúdo deste meio de serviço público. Os temas nacionais são cada vez mais visíveis na televisão pública, alinhados pela política do governo.” (...) 

Na Roménia, como foi dito acima, a TVR chegou ao ponto de insolvência em 2016. No princípio de 2017, o governo eliminou a taxa de utilização e anunciou que aumentaria 7,5 vezes o orçamento da estação de televisão e rádio públicas, mas “os críticos desta medida afirmam que se pretende torná-la mais dependente do Estado; no entanto, a curto prazo este aumento permitirá à TVR pagar a sua considerável dívida ao orçamento”. 

Na Suíça houve alguns cortes assinaláveis depois de 2008, incluindo a ameaça de reduzir o financiamento da Orquestra da Suíça Italiana, que recebia 25% do seu orçamento de oito milhões de euros da SRG SSR

A BBC sofreu cortes importantes a partir de 2007, com perda de mais de 2.500 postos de trabalho. Em 2010, o governo anunciou que as taxas de utilização seriam “congeladas” nas 145,50 libras por ano, por habitação, e o então primeiro-ministro David Cameron declarou que a empresa teria de “viver dentro dos seus meios”. 

O parágrafo sobre Portugal é aqui traduzido na íntegra:

“Na sequência na crise financeira de 2008, o governo português passou a ser assessorado pela Troika (o FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia) sobre o modo de cumprir as metas financeiras relativamente ao défice e à dívida pública: um dos efeitos foi que o financiamento público da RTP, o meio de serviço público no país, foi cortado em metade, de cerca de 110 milhões de euros, em 2011, para os 52 milhões em 2013. Houve mesmo debates sobre o valor dos meios de serviço público em Portugal. A RTP é hoje sustentada apenas pelas taxas e pela publicidade.” (...) 

O artigo sobre esta primeira parte do estudo sobre os media de serviço público, no site do EJO

 

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Composição Fotográfica
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Edinburgh TV Festival
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27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set