Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Os 70 anos da Agência Magnum celebrados “em grande”

Há exactamente 70 anos, o famoso fotojornalista Robert Capa teve a ideia de fundar uma agência especializada na imagem de Imprensa. Henri Cartier-Bresson, David Chim Seymour, William Vandivert e George Rodger aderiram. “Eles estavam na crista da onda, tinham saído da maior guerra de todos os tempos como os melhores do mundo.” Foi assim que começou a Agência Magnum. 

O termo “magnum” significa “grande”, em latim. Mas o título, neste caso, tem uma segunda explicação: eles “adoravam champanhe, tanto que compravam garrafas maiores, chamadas ‘magnum’. Nunca mais teriam que [preocupar-se] com o preço”.  

A ideia, que resultou, era criarem uma espécie de cooperativa de profissionais de alto nível: 

“Não iriam mais ser empregados, nem pagariam comissão a ninguém. Não fariam mais [trabalhos] de que não gostassem, só os que considerassem legais. E, quando quisessem fazer um projecto pessoal, a agência garantiria o dinheiro para a sua realização.” (…) 

O processo de entrada no grupo tem a sua história, segundo o artigo de Leão Serva, que aqui citamos: 

“Comunista, Robert Capa mantinha um regime de centralismo democrático: até morrer, em 1954, os novos sócios eram convidados por ele. Depois, essa indicação passou a ser votada pelos sócios. No primeiro momento, o novato é contratado; depois, se a relação dá certo, vira membro. Se tudo continua às mil maravilhas, pode chegar a sócio, para o resto da vida ou enquanto quiser. O brasileiro Sebastião Salgado, por exemplo, ficou na agência 15 anos e saiu para montar o próprio escritório. É raro.” 

“Nessa trajectória de 70 anos e 92 fotógrafos (hoje são 49 sócios), todas as histórias mais importantes foram cobertas por gente da agência.” (…) 

A crise do jornalismo impresso também teve efeitos: 

“Mas nem tudo é festa nos 70 anos. O futuro da Magnum é incerto como o de todas as empresas de comunicação. Afinal, uma parte da equação que paga o sonho de Capa depende da saúde dos patrões: a Imprensa precisa comprar as coberturas que a agência faz. E, com a crise, as encomendas diminuíram.” (…) 

Têm estado a decorrer durante este ano, em várias grandes cidades do mundo, exposições e palestras sobre a história da Magnum. Esta informação pode ser procurada nos links incluídos no artigo de Leão Serva, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria. 

A imagem utilizada é de Bruce Davidson (Agência Magnum) sobre a prisão de uma manifestante, em Birmingham, Alabama, 1963. 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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