Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

Os 70 anos da Agência Magnum celebrados “em grande”

Há exactamente 70 anos, o famoso fotojornalista Robert Capa teve a ideia de fundar uma agência especializada na imagem de Imprensa. Henri Cartier-Bresson, David Chim Seymour, William Vandivert e George Rodger aderiram. “Eles estavam na crista da onda, tinham saído da maior guerra de todos os tempos como os melhores do mundo.” Foi assim que começou a Agência Magnum. 

O termo “magnum” significa “grande”, em latim. Mas o título, neste caso, tem uma segunda explicação: eles “adoravam champanhe, tanto que compravam garrafas maiores, chamadas ‘magnum’. Nunca mais teriam que [preocupar-se] com o preço”.  

A ideia, que resultou, era criarem uma espécie de cooperativa de profissionais de alto nível: 

“Não iriam mais ser empregados, nem pagariam comissão a ninguém. Não fariam mais [trabalhos] de que não gostassem, só os que considerassem legais. E, quando quisessem fazer um projecto pessoal, a agência garantiria o dinheiro para a sua realização.” (…) 

O processo de entrada no grupo tem a sua história, segundo o artigo de Leão Serva, que aqui citamos: 

“Comunista, Robert Capa mantinha um regime de centralismo democrático: até morrer, em 1954, os novos sócios eram convidados por ele. Depois, essa indicação passou a ser votada pelos sócios. No primeiro momento, o novato é contratado; depois, se a relação dá certo, vira membro. Se tudo continua às mil maravilhas, pode chegar a sócio, para o resto da vida ou enquanto quiser. O brasileiro Sebastião Salgado, por exemplo, ficou na agência 15 anos e saiu para montar o próprio escritório. É raro.” 

“Nessa trajectória de 70 anos e 92 fotógrafos (hoje são 49 sócios), todas as histórias mais importantes foram cobertas por gente da agência.” (…) 

A crise do jornalismo impresso também teve efeitos: 

“Mas nem tudo é festa nos 70 anos. O futuro da Magnum é incerto como o de todas as empresas de comunicação. Afinal, uma parte da equação que paga o sonho de Capa depende da saúde dos patrões: a Imprensa precisa comprar as coberturas que a agência faz. E, com a crise, as encomendas diminuíram.” (…) 

Têm estado a decorrer durante este ano, em várias grandes cidades do mundo, exposições e palestras sobre a história da Magnum. Esta informação pode ser procurada nos links incluídos no artigo de Leão Serva, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria. 

A imagem utilizada é de Bruce Davidson (Agência Magnum) sobre a prisão de uma manifestante, em Birmingham, Alabama, 1963. 

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

As datas são recentes, mas a história que contam parece comprida, tem capítulos uns atrás dos outros. O efeito da revolução digital sobre o jornal impresso está sempre a ser revisto e avaliado, como nos filmes de ficção científica em que o herói vai ao passado para tentar “corrigir” a História.
“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

ver mais >
Opinião
Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
É inegável a importância da tomada de posição conjunta de 350 jornais americanos que, respondendo a um apelo do The Boston Globe, assinaram  editoriais simultâneos, rejeitando a política de hostilidade desencadeada pelo presidente Trump contra os media. A data de 16 de Agosto ficará para a História da Imprensa  americana ao assumir esta iniciativa solidária e absolutamente inédita, que mobilizou grandes...
O optimismo de Centeno
Luís Queirós
"A economia da zona Euro cresce há 20 trimestres consecutivos", disse Mário Centeno no Grémio Literário, na palestra, proferida no passado dia 22 de Maio passado, integrada no ciclo que ali decorre subordinado ao tema  "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. O Ministro das Finanças de Portugal e presidente do...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...