Sexta-feira, 22 de Setembro, 2017
Media

Os 70 anos da Agência Magnum celebrados “em grande”

Há exactamente 70 anos, o famoso fotojornalista Robert Capa teve a ideia de fundar uma agência especializada na imagem de Imprensa. Henri Cartier-Bresson, David Chim Seymour, William Vandivert e George Rodger aderiram. “Eles estavam na crista da onda, tinham saído da maior guerra de todos os tempos como os melhores do mundo.” Foi assim que começou a Agência Magnum. 

O termo “magnum” significa “grande”, em latim. Mas o título, neste caso, tem uma segunda explicação: eles “adoravam champanhe, tanto que compravam garrafas maiores, chamadas ‘magnum’. Nunca mais teriam que [preocupar-se] com o preço”.  

A ideia, que resultou, era criarem uma espécie de cooperativa de profissionais de alto nível: 

“Não iriam mais ser empregados, nem pagariam comissão a ninguém. Não fariam mais [trabalhos] de que não gostassem, só os que considerassem legais. E, quando quisessem fazer um projecto pessoal, a agência garantiria o dinheiro para a sua realização.” (…) 

O processo de entrada no grupo tem a sua história, segundo o artigo de Leão Serva, que aqui citamos: 

“Comunista, Robert Capa mantinha um regime de centralismo democrático: até morrer, em 1954, os novos sócios eram convidados por ele. Depois, essa indicação passou a ser votada pelos sócios. No primeiro momento, o novato é contratado; depois, se a relação dá certo, vira membro. Se tudo continua às mil maravilhas, pode chegar a sócio, para o resto da vida ou enquanto quiser. O brasileiro Sebastião Salgado, por exemplo, ficou na agência 15 anos e saiu para montar o próprio escritório. É raro.” 

“Nessa trajectória de 70 anos e 92 fotógrafos (hoje são 49 sócios), todas as histórias mais importantes foram cobertas por gente da agência.” (…) 

A crise do jornalismo impresso também teve efeitos: 

“Mas nem tudo é festa nos 70 anos. O futuro da Magnum é incerto como o de todas as empresas de comunicação. Afinal, uma parte da equação que paga o sonho de Capa depende da saúde dos patrões: a Imprensa precisa comprar as coberturas que a agência faz. E, com a crise, as encomendas diminuíram.” (…) 

Têm estado a decorrer durante este ano, em várias grandes cidades do mundo, exposições e palestras sobre a história da Magnum. Esta informação pode ser procurada nos links incluídos no artigo de Leão Serva, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria. 

A imagem utilizada é de Bruce Davidson (Agência Magnum) sobre a prisão de uma manifestante, em Birmingham, Alabama, 1963. 

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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