Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Os 70 anos da Agência Magnum celebrados “em grande”

Há exactamente 70 anos, o famoso fotojornalista Robert Capa teve a ideia de fundar uma agência especializada na imagem de Imprensa. Henri Cartier-Bresson, David Chim Seymour, William Vandivert e George Rodger aderiram. “Eles estavam na crista da onda, tinham saído da maior guerra de todos os tempos como os melhores do mundo.” Foi assim que começou a Agência Magnum. 

O termo “magnum” significa “grande”, em latim. Mas o título, neste caso, tem uma segunda explicação: eles “adoravam champanhe, tanto que compravam garrafas maiores, chamadas ‘magnum’. Nunca mais teriam que [preocupar-se] com o preço”.  

A ideia, que resultou, era criarem uma espécie de cooperativa de profissionais de alto nível: 

“Não iriam mais ser empregados, nem pagariam comissão a ninguém. Não fariam mais [trabalhos] de que não gostassem, só os que considerassem legais. E, quando quisessem fazer um projecto pessoal, a agência garantiria o dinheiro para a sua realização.” (…) 

O processo de entrada no grupo tem a sua história, segundo o artigo de Leão Serva, que aqui citamos: 

“Comunista, Robert Capa mantinha um regime de centralismo democrático: até morrer, em 1954, os novos sócios eram convidados por ele. Depois, essa indicação passou a ser votada pelos sócios. No primeiro momento, o novato é contratado; depois, se a relação dá certo, vira membro. Se tudo continua às mil maravilhas, pode chegar a sócio, para o resto da vida ou enquanto quiser. O brasileiro Sebastião Salgado, por exemplo, ficou na agência 15 anos e saiu para montar o próprio escritório. É raro.” 

“Nessa trajectória de 70 anos e 92 fotógrafos (hoje são 49 sócios), todas as histórias mais importantes foram cobertas por gente da agência.” (…) 

A crise do jornalismo impresso também teve efeitos: 

“Mas nem tudo é festa nos 70 anos. O futuro da Magnum é incerto como o de todas as empresas de comunicação. Afinal, uma parte da equação que paga o sonho de Capa depende da saúde dos patrões: a Imprensa precisa comprar as coberturas que a agência faz. E, com a crise, as encomendas diminuíram.” (…) 

Têm estado a decorrer durante este ano, em várias grandes cidades do mundo, exposições e palestras sobre a história da Magnum. Esta informação pode ser procurada nos links incluídos no artigo de Leão Serva, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria. 

A imagem utilizada é de Bruce Davidson (Agência Magnum) sobre a prisão de uma manifestante, em Birmingham, Alabama, 1963. 

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
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