Sábado, 17 de Novembro, 2018
Colectânea

Algoritmos aplicados na limpeza de noticias falsas

A chamada “era de ouro das notícias falsas” está hoje bem documentada, pelo que vale a pena rever a sua história. É este o tema de um artigo do jornalista Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, que descreve o que se passou com o “duopólio” Google-Facebook  -  a sua inicial desvalorização do problema, as tentativas de auto-justificação, as primeiras medidas de controlo e o reconhecimento de que a estrutura de financiamento das grandes plataformas está edificada para premiar o que é “viral”, não o que é verdadeiro.

Os primeiros casos de falsificação “eram relativamente inofensivos”,mas alguma coisa mudou.

“Alan Rusbridger, editor-chefe do Guardian por 20 anos, até 2015, e hoje director do Reuters Institute for the Study of Journalism, classifica três categorias de notícia falsa: aquelas deliberadamente inventadas para ganhar dinheiro; as criadas em campanha com fins políticos; e as surgidas, por exemplo, num site de humor, mas compartilhadas negligentemente como notícia.” 

“As três são estimuladas ou facilitadas tanto por Facebook quanto por diversas plataformas do Google, mas sobretudo a primeira categoria, pois o duopólio premia páginas e sites de acordo com o tráfego que geram para os anúncios.” (...) 

“Parte do dinheiro dos anunciantes é transferido pelo duopólio para as páginas e sites, não importando se veiculam notícias falsas ou discurso de ódio. Pelo contrário, quanto mais sensacionalista o post, maiores a audiência e o ganho com publicidade.” (...) 

Estavam criadas as condições para todos os desastres e todas as tempestades. “Emily Bell, jornalista inglesa hoje na direção do Tow Center for Digital Journalism, da Columbia University, vislumbrou no plebiscito britânico [do Brexit] a primeira votação em que o chamado ‘efeito bolha’ contribuiu decisivamente para o desfecho.” (...) 

“O Brexit foi uma introdução. O choque maior veio com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, em Novembro de 2016. Foi quando Google e Facebook, este depois de alguma resistência inicial, acordaram para o risco de estarem subvertendo a democracia  – ou pelo menos manchando suas imagens corporativas.” (...) 

O trabalho de Nelson de Sá descreve as medidas que foram depois tomadas pelas plataformas gigantes para modificarem “os seus algoritmos de busca, no caso do Google, e de composição do feed de notícias, do Facebook”. (...) 

Mas a segurança é sempre provisória, como conclui: 

“Ainda assim, falta transparência. O Facebook chegou a citar um relatório que identificou a acção de agentes governamentais na França, dando a entender que seriam ligados à Rússia. Nada, porém, sobre agentes ligados aos Estados Unidos  – que agiram na eleição francesa anterior, como revelou o WikiLeaks.”

 

Este trabalho pode ser lido, na íntegra no Observatório da Imprensa do Brasil.

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
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