Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
Media

Algoritmos aplicados na limpeza de noticias falsas

A chamada “era de ouro das notícias falsas” não tem mais de dois anos, e está hoje bem documentada, pelo que vale a pena rever a sua história. É este o tema de um artigo do jornalista Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, que descreve o que se passou com o “duopólio” Google-Facebook  -  a sua inicial desvalorização do problema, as tentativas de auto-justificação, as primeiras medidas de controlo e o reconhecimento de que a estrutura de financiamento das grandes plataformas está edificada para premiar o que é “viral”, não o que é verdadeiro.

Os primeiros casos de falsificação “eram relativamente inofensivos”,mas alguma coisa mudou.

“Alan Rusbridger, editor-chefe do Guardian por 20 anos, até 2015, e hoje director do Reuters Institute for the Study of Journalism, classifica três categorias de notícia falsa: aquelas deliberadamente inventadas para ganhar dinheiro; as criadas em campanha com fins políticos; e as surgidas, por exemplo, num site de humor, mas compartilhadas negligentemente como notícia.” 

“As três são estimuladas ou facilitadas tanto por Facebook quanto por diversas plataformas do Google, mas sobretudo a primeira categoria, pois o duopólio premia páginas e sites de acordo com o tráfego que geram para os anúncios.” (...) 

“Parte do dinheiro dos anunciantes é transferido pelo duopólio para as páginas e sites, não importando se veiculam notícias falsas ou discurso de ódio. Pelo contrário, quanto mais sensacionalista o post, maiores a audiência e o ganho com publicidade.” (...) 

Estavam criadas as condições para todos os desastres e todas as tempestades. “Emily Bell, jornalista inglesa hoje na direção do Tow Center for Digital Journalism, da Columbia University, vislumbrou no plebiscito britânico [do Brexit] a primeira votação em que o chamado ‘efeito bolha’ contribuiu decisivamente para o desfecho.” (...) 

“O Brexit foi uma introdução. O choque maior veio com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, em Novembro de 2016. Foi quando Google e Facebook, este depois de alguma resistência inicial, acordaram para o risco de estarem subvertendo a democracia  – ou pelo menos manchando suas imagens corporativas.” (...) 

O trabalho de Nelson de Sá descreve as medidas que foram depois tomadas pelas plataformas gigantes para modificarem “os seus algoritmos de busca, no caso do Google, e de composição do feed de notícias, do Facebook”. (...) 

Mas a segurança é sempre provisória, como conclui: 

“Ainda assim, falta transparência. O Facebook chegou a citar um relatório que identificou a acção de agentes governamentais na França, dando a entender que seriam ligados à Rússia. Nada, porém, sobre agentes ligados aos Estados Unidos  – que agiram na eleição francesa anterior, como revelou o WikiLeaks.”

 

Este e outros trabalhos podem ser lidos, na íntegra, sob o título colectivo “Da pós-verdade ao risco da pós-imprensa”, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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24
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