Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Facebook desafia YouTube com canal de vídeo Watch

O Facebook anunciou o lançamento do seu próprio canal de vídeo, denominado Watch e aparentemente vocacionado como concorrente directo do YouTube. À semelhança deste, também o Watch vai assentar numa proporção de 55% da receita da publicidade para os criativos e 45% para si mesmo, sendo manifesto que o objectivo principal é o de atrair mais anúncios. Numa primeira fase, o novo canal estará disponível apenas junto de um número limitado de utentes nos Estados Unidos.

Com esta medida, o Facebook procura “potenciar uma comunidade de criadores de conteúdos que venham a gerar receitas para ambas as partes”. Segundo Media-tics, que aqui citamos, a plataforma vinha estudando formas de contornar o problema da “desaceleração no crescimento do investimento publicitário” e lança agora o Watch precisamente “para atrair mais publicidade”. 

Mark Zuckerberg apresenta o novo canal como espaço para “uma ampla gama de espectáculos, desde o reality-show à comédia, ou aos desportos em directo”. Os conteúdos serão realizados tanto por profissionais como pela própria comunidade da rede social. 

Ainda segundo Media-tics, “os utentes terão a oportunidade de descobrir programas baseados no que estão a ver os seus amigos, e agregar os favoritos a uma lista; também poderão ler as reacções de outras pessoas e colocar comentários, estabelecendo-se uma conversa entre amigos”. 

“Criar uma comunidade de utentes que passem mais tempo na plataforma é um dos principais objectivos dos dirigentes do Facebook.” (...) 

 

Mais informação em Media-tics, Le Monde e no Observador

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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