Sábado, 17 de Novembro, 2018
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A civilização da pós-verdade está de ressaca depois de eleita como palavra do ano

Convém recordar os factos recentes: “Em Setembro de 2016, o semanário inglês The Economist saiu com uma capa sobre a ‘pós-verdade’, e até ali tudo bem. No final do mesmo ano, o termo ‘pós-verdade’ foi declarado ‘a palavra do ano’ pelo Dicionário Oxford, como um qualificativo de ‘um ambiente em que os factos objectivos têm menos peso do que apelos emocionais ou crenças pessoais em formar a opinião pública’. A questão, como se nota, não é bem ‘a verdade’  – filosófica, ontológica, metafísica, religiosa etc. –, mas os factos. Esse é o ponto.”

É nestes termos esclarecedores que se pronuncia o editorial  - intitulado “Da pós-verdade à pós-imprensa” -  da Revista de Jornalismo da ESPM, a edição brasileira da Columbia Journalism Review, cujo conteúdo produzido no Brasil passa a ser publicado no Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O texto parte da distinção estabelecida por Walter Lippmann, no início do século passado, entre notícia e verdade, sendo função da primeira “sinalizar um evento”, e função da verdade “trazer luz para factos ocultos, relacioná-los a outros, e traçar um retrato da realidade a partir do qual os homens possam actuar”.

Mas o editorial que citamos procura uma definição mais modesta da função do jornalismo:

“Essa história de ‘iluminar’ factos ocultos é bastante problemática. Até para os iluministas, aos quais devemos as ideias fundadoras da Imprensa, já era muito complicado.Quando muito, o jornalismo pode pretender estimular um ambiente de debate público em que os factos de interesse geral fiquem mais acessíveis à inteligência dos cidadãos. Se registar os factos, apenas isso, ‘com tudo que é insolvente e provisório’ (na síntese pouco jornalística de Carlos Penna Filho), já terá prestado um excelente serviço à sociedade.” (...) 

Reconhece, então, que o tema desta edição não tem nada a ver com ‘a verdade’, nesse sentido mais profundo do termo, “mas apenas com a ‘pós-verdade’, ou, pior, com a ressaca dessa overdose de ‘pós-verdade’ que nos entorpece há alguns anos”. (...) 

Este clima que nos constrange é assim definido:

“Estaríamos vivendo uma era em que os factos deixaram de lastrear as condutas e as acções humanas. Se isso for mesmo verdade, quer dizer, se o pós-facto é mesmo um facto, a política deixa de ser política  – vira uma obra coletiva de ficção, num grau superior ao que pudemos testemunhar em eras anteriores.” (...) 

A sua conclusão provisória é que, “para dizer a verdade, a civilização não anda bem, ainda que esta revista ainda esteja aqui, no front.” (...)

 

O editorial citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa, e a notícia da parceria com a Revista Brasileira de Jornalismo da ESPM, a edição brasileira da Columbia Journalism Review

Ilustração retirada do site Gurupi - Atualidades

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
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