Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
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A civilização da pós-verdade está de ressaca depois de eleita como palavra do ano

Convém recordar os factos recentes: “Em Setembro de 2016, o semanário inglês The Economist saiu com uma capa sobre a ‘pós-verdade’, e até ali tudo bem. No final do mesmo ano, o termo ‘pós-verdade’ foi declarado ‘a palavra do ano’ pelo Dicionário Oxford, como um qualificativo de ‘um ambiente em que os factos objectivos têm menos peso do que apelos emocionais ou crenças pessoais em formar a opinião pública’. A questão, como se nota, não é bem ‘a verdade’  – filosófica, ontológica, metafísica, religiosa etc. –, mas os factos. Esse é o ponto.”

É nestes termos esclarecedores que se pronuncia o editorial  - intitulado “Da pós-verdade à pós-imprensa” -  da Revista de Jornalismo da ESPM, a edição brasileira da Columbia Journalism Review, cujo conteúdo produzido no Brasil passa a ser publicado no Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O texto parte da distinção estabelecida por Walter Lippmann, no início do século passado, entre notícia e verdade, sendo função da primeira “sinalizar um evento”, e função da verdade “trazer luz para factos ocultos, relacioná-los a outros, e traçar um retrato da realidade a partir do qual os homens possam actuar”.

Mas o editorial que citamos procura uma definição mais modesta da função do jornalismo:

“Essa história de ‘iluminar’ factos ocultos é bastante problemática. Até para os iluministas, aos quais devemos as ideias fundadoras da Imprensa, já era muito complicado.Quando muito, o jornalismo pode pretender estimular um ambiente de debate público em que os factos de interesse geral fiquem mais acessíveis à inteligência dos cidadãos. Se registar os factos, apenas isso, ‘com tudo que é insolvente e provisório’ (na síntese pouco jornalística de Carlos Penna Filho), já terá prestado um excelente serviço à sociedade.” (...) 

Reconhece, então, que o tema desta edição não tem nada a ver com ‘a verdade’, nesse sentido mais profundo do termo, “mas apenas com a ‘pós-verdade’, ou, pior, com a ressaca dessa overdose de ‘pós-verdade’ que nos entorpece há alguns anos”. (...) 

Este clima que nos constrange é assim definido:

“Estaríamos vivendo uma era em que os factos deixaram de lastrear as condutas e as acções humanas. Se isso for mesmo verdade, quer dizer, se o pós-facto é mesmo um facto, a política deixa de ser política  – vira uma obra coletiva de ficção, num grau superior ao que pudemos testemunhar em eras anteriores.” (...) 

A sua conclusão provisória é que, “para dizer a verdade, a civilização não anda bem, ainda que esta revista ainda esteja aqui, no front.” (...)

 

O editorial citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa, e a notícia da parceria com a Revista Brasileira de Jornalismo da ESPM, a edição brasileira da Columbia Journalism Review

Ilustração retirada do site Gurupi - Atualidades

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Um conselho inútil
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Pouca gente terá reparado que o Governo andou a fazer uma luta surda com a RTP até conseguir o que queria - ter uma palavra a dizer na composição do conselho de administração da empresa concessionária do serviço público de Rádio e Televisão. O caso deu-se graças a uma das maiores asneiras do ministro Poiares Maduro, no anterior governo, que foi a criação do Conselho Geral Independente...
Jornalistas assassinados na UE
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A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi,...
Para Joana Marques Vidal, todo o seu mérito se resume a “ter impresso a uma pesada máquina em movimento um novo funcionamento”, mais “eficaz, mais oleado, mais interdependente entre as várias equipas especializadas, e mais responsabilizado e onde deixa transparecer uma grande proximidade entre a hierarquia e as várias instâncias envolvidas. Joana Marques Vidal nunca recebeu telefonemas de Rui Rio, ao contrário do seu antecessor. Mas...
O Poder do Dever
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No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
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24
Mai
24
Mai
Conferência Internacional Literacia de Media e Informação
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The GEN Summit 2018
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04
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