Sábado, 17 de Novembro, 2018
Estudo

Estudo sobre reinvenção digital de Espanha cruza-se com receios de desemprego

Quase metade das actividades humanas hoje praticadas em Espanha podiam ser desempenhadas por robots, e 60% dos empregos actuais já são “automatizáveis” em, pelo menos, 30% por cento da sua produção. Estes dados, de um recente estudo sobre “A reinvenção digital de Espanha”, relançam um debate onde se cruzam expectativas de mais progresso tecnológico com temores de mais desemprego, além de sugestões que parecem, de momento, saídas da ficção científica.

A “boa notícia” da apresentação deste estudo, que aqui citamos de Media-tics, é que apenas 5% das profissões actuais são completamente “automatizáveis”, o que significa que 95% vão ter uma automatização parcial, com humanos e robots trabalhando lado a lado. 

“O emprego não vai desaparecer, vai antes ser criado mais emprego”  - afirmou Cristina Garmendia, presidente da Fundação Cotec, que elaborou o referido estudo, com a consultora Digital McKinsey.

 

O que dizem os peritos em robótica, segundo este trabalho, é que “a visão apocalíptica de um mundo sem empregados humanos é falsa, dado que a robotização vai criar outros postos de trabalho, como aconteceu com a Revolução Industrial”. Há correntes de pensamento que aceitam esta visão, mas sublinhando que os robots “vão destruir 3,5 empregos por cada emprego criado”.

 

“Nem é o salário que é determinante: é a profissão. As que têm mais risco de automatização são a hotelaria, o fabrico, o transporte e a logística. Pelo contrário, a educação, a gestão e os serviços profissionais, bem como as profissões com uma componente criativa, são as que menos tarefas podem automatizar.”

 

O que se segue, no esforço de tentar interpretar um futuro decorrente de mudanças demasiado rápidas para serem avaliadas enquanto acontecem, desemboca em terrenos onde não faltam ideias novas e as correspondentes polémicas:

 

  1. Rendimento básico incondicional. A polémica vem pelo lado do seu custo público e dos que vêem nele “o incentivo perfeito para não trabalhar”. Mas, “se a chegada dos robots promete criar indústrias mais eficientes, o excesso de produtividade ajudaria a sufragar a ideia do rendimento universal; e se os humanos forem expulsos do mercado laboral, a segunda razão perde toda a propriedade”.
  2. Tempo parcial. Alguns propõem o emprego a tempo parcial para que, por cada posto de trabalho actual, passem a existir dois trabalhadores, ainda que com um salário mais baixo.
  3. Salário mais alto? Parece contraditório com o que acaba de ser dito, mas alguns peritos em mercado laboral pensam que é necessário reafirmar o valor do trabalho feito pelas pessoas e remunerá-las em conformidade. (…) “Se há menos trabalho, menor jornada laboral e ainda se quer manter a actual economia de consumo, será necessário remunerar melhor essas horas, para poder sustentar o sistema.” (…)
  4. Impostos para todos. Até para os robots, se vão começar a comportar-se como os trabalhadores humanos. E já há quem fale de direitos laborais para as máquinas, para “evitar os abusos que poderiam cometer muitas empresas, sabedoras de que uma máquina é muito mais barata e rentável do que uma pessoa, por todo o ecossistema que gira em torno dela”.

 

 

Mais informação em Media-tics, que cita ainda um artigo anterior; e o estudo agora publicado

 

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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