Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Estudo

Estudo sobre reinvenção digital de Espanha cruza-se com receios de desemprego

Quase metade das actividades humanas hoje praticadas em Espanha podiam ser desempenhadas por robots, e 60% dos empregos actuais já são “automatizáveis” em, pelo menos, 30% por cento da sua produção. Estes dados, de um recente estudo sobre “A reinvenção digital de Espanha”, relançam um debate onde se cruzam expectativas de mais progresso tecnológico com temores de mais desemprego, além de sugestões que parecem, de momento, saídas da ficção científica.

A “boa notícia” da apresentação deste estudo, que aqui citamos de Media-tics, é que apenas 5% das profissões actuais são completamente “automatizáveis”, o que significa que 95% vão ter uma automatização parcial, com humanos e robots trabalhando lado a lado. 

“O emprego não vai desaparecer, vai antes ser criado mais emprego”  - afirmou Cristina Garmendia, presidente da Fundação Cotec, que elaborou o referido estudo, com a consultora Digital McKinsey.

 

O que dizem os peritos em robótica, segundo este trabalho, é que “a visão apocalíptica de um mundo sem empregados humanos é falsa, dado que a robotização vai criar outros postos de trabalho, como aconteceu com a Revolução Industrial”. Há correntes de pensamento que aceitam esta visão, mas sublinhando que os robots “vão destruir 3,5 empregos por cada emprego criado”.

 

“Nem é o salário que é determinante: é a profissão. As que têm mais risco de automatização são a hotelaria, o fabrico, o transporte e a logística. Pelo contrário, a educação, a gestão e os serviços profissionais, bem como as profissões com uma componente criativa, são as que menos tarefas podem automatizar.”

 

O que se segue, no esforço de tentar interpretar um futuro decorrente de mudanças demasiado rápidas para serem avaliadas enquanto acontecem, desemboca em terrenos onde não faltam ideias novas e as correspondentes polémicas:

 

  1. Rendimento básico incondicional. A polémica vem pelo lado do seu custo público e dos que vêem nele “o incentivo perfeito para não trabalhar”. Mas, “se a chegada dos robots promete criar indústrias mais eficientes, o excesso de produtividade ajudaria a sufragar a ideia do rendimento universal; e se os humanos forem expulsos do mercado laboral, a segunda razão perde toda a propriedade”.
  2. Tempo parcial. Alguns propõem o emprego a tempo parcial para que, por cada posto de trabalho actual, passem a existir dois trabalhadores, ainda que com um salário mais baixo.
  3. Salário mais alto? Parece contraditório com o que acaba de ser dito, mas alguns peritos em mercado laboral pensam que é necessário reafirmar o valor do trabalho feito pelas pessoas e remunerá-las em conformidade. (…) “Se há menos trabalho, menor jornada laboral e ainda se quer manter a actual economia de consumo, será necessário remunerar melhor essas horas, para poder sustentar o sistema.” (…)
  4. Impostos para todos. Até para os robots, se vão começar a comportar-se como os trabalhadores humanos. E já há quem fale de direitos laborais para as máquinas, para “evitar os abusos que poderiam cometer muitas empresas, sabedoras de que uma máquina é muito mais barata e rentável do que uma pessoa, por todo o ecossistema que gira em torno dela”.

 

 

Mais informação em Media-tics, que cita ainda um artigo anterior; e o estudo agora publicado

 

Connosco
Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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