Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Fórum

Manual para combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e fontes

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

O seu artigo, que aqui citamos da International Journalist’s Network, remete-nos para um estudo do CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas, cuja apresentação começa precisamente pela questão delicada da protecção das fontes: 

“Houve um tempo em que um jornalista nunca entregava uma fonte confidencial. Quando alguém vem à nossa frente, de modo anónimo, para informar o público, é preferível corrermos o risco de ir presos do que denunciar essa pessoa. Esta responsabilidade ética era também uma necessidade prática e profissional. Se o jornalista lhe promete o anonimato, tem que o manter. Se o jornalista não respeita a sua própria palavra, quem vai confiar nele, no futuro? As fontes vão ter com outros e as suas reportagens perdem-se.” 

É neste ponto que Jorge Sierra introduz uma questão prévia: se um jornalista pretende defender-se da vigilância electrónica, como é que sabe que ela está a acontecer? E desenvolve algumas regras de segurança:

  1. Esteja atento. A vigilância electrónica pode ser usada para preparar ataques ainda mais sérios, se outras formas de intimidação não detêm a investigação de um jornalista. Em qualquer caso, deve dar conta do facto às autoridades e buscar apoio de outros colegas, dos seus media e de grupos como o CPJ e os Repórteres sem Fronteiras, por exemplo.
  2. Proteja os seus aparelhos. Computadores, telemóveis ou tablets, todos devem ser protegidos por antivírus, codificação do disco rígido e palavras-chave e senhas resistentes. Esta é a primeira linha de defesa.
  3. Siga boas práticas de segurança. Atenção às mensagens por e-mail que o convidam a abrir um link qualquer, que pode importar um software de vigilância  - mesmo que tenha confiança no remetente.
  4. Verifique os seus dados. Se suspeita de alguma coisa, vá ver se houve um aumento súbito na utilização dos dados. Se estiver activo um software intruso, ele vai chamar o seu plano de dados, para extrair fotos, mensagens, contactos, vídeos, etc.
  5. Verifique a bateria. Uma bateria a ficar fraca pode indicar que há um programa intruso a funcionar e a tirar-lhe energia. Veja se ela consome mais energia do que dantes, quando está ligada à Internet.
  6. Verifique a temperatura do aparelho. Se não está a usá-lo e ele parece mais quente, isso pode ser outro indicador de que há um programa intruso a correr.
  7. Reconfigure o aparelho. Se suspeita que o seu dispositivo móvel foi infectado, tire um back-up de todos os dados e reponha os parâmetros de fabrico.
  8. Codifique as suas comunicações. Há boas opções ao seu dispor, como OpenPGP e MeetJitsi, ou a Signal, aplicação preferida por muitos jornalistas de investigação.
  9. Preste atenção a outras formas de vigilância. Veja também o ambiente físico à sua volta. Há carros suspeitos perto do seu escritório, ou de casa? Os jornalistas que fazem trabalho de alto risco devem certificar-se de que não são seguidos, principalmente se vão contactar uma fonte sensível.

 

O artigo original, no IJNet, e a apresentação do livro Attacks on the Press, do CPJ. Outros estudos recentes, no site do CPI

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

Um festival de Verão sem estrondo de altifalantes, sem música de “fogo-de-artifício”, todo baseado na palavra, na conversa em grupo ou no diálogo directo com os jornalistas presentes. Durante o fim-de-semana de 13 a 15 de Julho, cerca de 4500 inscritos animaram a terceira edição do Festival Internacional de Jornalismo organizado pelo grupo Le Monde na localidade de Couthures, em França, à beira do rio Garonne. A aldeia não chega aos 400 habitantes, mas mais de 100 voluntários ajudaram a fazer funcionar, durante três dias, um encontro de muitos debates. Como disse Gilles van Kote, jornalista de Le Monde, a intenção era precisamente a de que tudo pudesse ser posto em questão, “sem tabus”.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

ver mais >
Opinião
Público: uma tradição manchada
Francisco Sarsfield Cabral
No início do corrente mês de julho os leitores do diário “Público” foram surpreendidos pela notícia de que o seu diretor, o prestigiado jornalista David Dinis, se havia demitido. Por aquilo que veio a saber-se através da comunicação social e de afirmações da administradora do jornal Cristina Soares – que é a única informação que possuo – a demissão de D. Dinis ficou a...
Ao ler no centenário “Diário de Noticias” a noticia da extinção formal da sua edição em papel, de Segunda–Feira a Sábado , a partir de Julho, fica a saber-se que o seu actual director, o  jornalista Ferreira Fernandes, entrou em “oito cafés(…) a caminho do cinema S. Jorge onde decorreu a apresentação do novo jornal” e só “contou três pessoas a ler o jornal em...
Boa ideia, Pedro
Manuel Falcão
Trabalhei um pouco mais de dois anos literalmente lado a lado com o Pedro Rolo Duarte no Se7e, dividíamos a direcção. Partilhávamos uma sala onde todos os dias fabricávamos ideias para fazer ressuscitar o jornal e agitar as águas, que era uma coisa que nos entretinha bastante. Foram dois anos de intensas e produtivas discussões, de muita criatividade e de várias crises - e sempre nos apoiámos mutuamente dos ataques que...
O optimismo de Centeno
Luís Queirós
"A economia da zona Euro cresce há 20 trimestres consecutivos", disse Mário Centeno no Grémio Literário, na palestra, proferida no passado dia 22 de Maio passado, integrada no ciclo que ali decorre subordinado ao tema  "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. O Ministro das Finanças de Portugal e presidente do...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Agenda
23
Jul
30
Jul
22
Ago
Edinburgh International Television Festival
09:00 @ Edimburgo, Escócia
28
Ago
Summer CEmp
09:00 @ Marvão
01
Set
dmexco
09:00 @ Colónia, Alemanha