Sábado, 20 de Outubro, 2018
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Manual para combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e fontes

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

O seu artigo, que aqui citamos da International Journalist’s Network, remete-nos para um estudo do CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas, cuja apresentação começa precisamente pela questão delicada da protecção das fontes: 

“Houve um tempo em que um jornalista nunca entregava uma fonte confidencial. Quando alguém vem à nossa frente, de modo anónimo, para informar o público, é preferível corrermos o risco de ir presos do que denunciar essa pessoa. Esta responsabilidade ética era também uma necessidade prática e profissional. Se o jornalista lhe promete o anonimato, tem que o manter. Se o jornalista não respeita a sua própria palavra, quem vai confiar nele, no futuro? As fontes vão ter com outros e as suas reportagens perdem-se.” 

É neste ponto que Jorge Sierra introduz uma questão prévia: se um jornalista pretende defender-se da vigilância electrónica, como é que sabe que ela está a acontecer? E desenvolve algumas regras de segurança:

  1. Esteja atento. A vigilância electrónica pode ser usada para preparar ataques ainda mais sérios, se outras formas de intimidação não detêm a investigação de um jornalista. Em qualquer caso, deve dar conta do facto às autoridades e buscar apoio de outros colegas, dos seus media e de grupos como o CPJ e os Repórteres sem Fronteiras, por exemplo.
  2. Proteja os seus aparelhos. Computadores, telemóveis ou tablets, todos devem ser protegidos por antivírus, codificação do disco rígido e palavras-chave e senhas resistentes. Esta é a primeira linha de defesa.
  3. Siga boas práticas de segurança. Atenção às mensagens por e-mail que o convidam a abrir um link qualquer, que pode importar um software de vigilância  - mesmo que tenha confiança no remetente.
  4. Verifique os seus dados. Se suspeita de alguma coisa, vá ver se houve um aumento súbito na utilização dos dados. Se estiver activo um software intruso, ele vai chamar o seu plano de dados, para extrair fotos, mensagens, contactos, vídeos, etc.
  5. Verifique a bateria. Uma bateria a ficar fraca pode indicar que há um programa intruso a funcionar e a tirar-lhe energia. Veja se ela consome mais energia do que dantes, quando está ligada à Internet.
  6. Verifique a temperatura do aparelho. Se não está a usá-lo e ele parece mais quente, isso pode ser outro indicador de que há um programa intruso a correr.
  7. Reconfigure o aparelho. Se suspeita que o seu dispositivo móvel foi infectado, tire um back-up de todos os dados e reponha os parâmetros de fabrico.
  8. Codifique as suas comunicações. Há boas opções ao seu dispor, como OpenPGP e MeetJitsi, ou a Signal, aplicação preferida por muitos jornalistas de investigação.
  9. Preste atenção a outras formas de vigilância. Veja também o ambiente físico à sua volta. Há carros suspeitos perto do seu escritório, ou de casa? Os jornalistas que fazem trabalho de alto risco devem certificar-se de que não são seguidos, principalmente se vão contactar uma fonte sensível.

 

O artigo original, no IJNet, e a apresentação do livro Attacks on the Press, do CPJ. Outros estudos recentes, no site do CPI

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
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Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
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