Quinta-feira, 21 de Setembro, 2017
Novas iniciativas

Aplicação abre "Museu do Tempo" combinando jornalismo e "Pokémon Go"

Uma aplicação que permite conhecer uma cidade, não como numa visita guiada, mas sendo o utente a descobrir o ambiente por conta própria. Neste caso dedicada à Zona Portuária do Rio de Janeiro, onde existiu “o maior porto de escravos das Américas no séc.XIX”. O projecto foi desenvolvido pela Agência Pública do Brasil e é apresentado como “uma mistura entre jornalismo e Pokémon Go”, com a tecnologia de geolocalização ao serviço de um levantamento histórico rigoroso dos acontecimentos, felizes ou trágicos, ligados a cada ponto do percurso temático proposto.  

O título da aplicação é Museu do Ontem e, “à medida que é feita a aproximação dos pontos mapeados, a tecnologia de geolocalização destrava histórias tão antigas quanto as da Família Real portuguesa até às mais recentes, como a das vigas de aço sumidas da demolição do viaduto da Perimetral, passando por episódios tenebrosos da Ditadura Militar”. (...) 

Natália Viana, co-directora da Agência Pública, sublinha “a importância histórica do lugar, hoje reconhecida pelo período da escravidão”, e o interesse da aplicação “para aproximar o público dessa história; a ideia é trazer a informação jornalística para outros públicos”, como diz no texto publicado pelo Centro Knight, que aqui citamos. 

Também é possível ao utente-visitante aventurar-se num dos “cinco percursos temáticos: da Corrupção, do Terror, do Samba, dos Fantasmas e História do Brasil Express. No roteiro dos fantasmas, por exemplo, são revelados episódios tristes e pouco discutidos que assombram a Zona Portuária. Alguns podem levar até três horas para serem completados. (...) É possível explorar o Porto tanto pelo mapa actual quanto pelo desenho de 1832, recriado pela artista plástica Juliana Russo”. (...) 

O projecto desta aplicação “faz parte dos LABs – Laboratórios de Inovação em Jornalismo, destinados à experimentação de linguagem. É dali que também surgiram 100 e Vigilância, dois grandes trabalhos de reportagem cuja narrativa é apresentada de forma não-linear, decidida pelo leitor”. 

“Esta aplicação é um passo além, o usuário caminhou por ali, olhou os casarões, a informação fica mais profunda”, comenta Natália Viana. “Quisemos trazer a possibilidade da experimentação. Esses projectos são pensados desde o início como uma mistura de jornalismo, tecnologia e arte”. 

 

O texto no site do Knight Center, e a ligação ao Museu do Ontem

 

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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