Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

“The Guardian” interage com os leitores para conhecer as suas preferências

Uma das grandes questões que se põem aos editores dos jornais, em especial nos tempos que correm, é a de saber o que desejariam os leitores encontrar nas suas páginas. O diário britânico The Guardian optou por fazer-lhes directamente essa pergunta e está a experimentar uma pequena secção de consulta pública, no final de determinados artigos, em que o leitor é convidado a dizer o que acha que está em falta, ou que desejaria ver mais explicado. A experiência começou em Março, a resposta é positiva e está a ser usada no seguimento dos temas tratados.

A nova secção tem o título explícito de Reader Questions e começou por aparecer em artigos do noticiário internacional, mas foi alargada aos desportos, economia e meio ambiente / tecnologia e ciência. Para já, o jornal propõe aos leitores três questões previamente redigidas, sobre um aprofundamento do tema em próximas notícias sobre o mesmo, convidando-o a escolher. Para fazer esta triagem, “a equipa editorial também toma em conta o que os leitores escrevem na secção de comentários”. 

Segundo notícia do Digiday  - que aqui citamos de Media-tics -  sobre os distúrbios na Venezuela, por exemplo, os leitores quiseram saber por que motivo está o país em crise. As reportagens sobre este tema passaram a ter uma caixa de texto no meio, com explicação sobre o fundo económico e social que levou a Venezuela até este ponto: 

“Os leitores também podem votar sobre se o esclarecimento lhes foi útil, e 97% respondem afirmativamente, o que revela que realmente tinham grande interesse em conhecer estes detalhes.” (...) 

“Os artigos obtêm milhares de respostas, que representam cerca de 9% dos leitores que lêem a pergunta e em alguns casos vão até aos 20%. Segundo o editor, 80% das perguntas vêm de leitores habituais. No entanto, na hora de as tomar em conta, o editor não pode ver se estas pessoas são membros de The Guardian.”

 

 

Mais informação em Media-tics e no Digiday, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
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Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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