Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

“The Guardian” interage com os leitores para conhecer as suas preferências

Uma das grandes questões que se põem aos editores dos jornais, em especial nos tempos que correm, é a de saber o que desejariam os leitores encontrar nas suas páginas. O diário britânico The Guardian optou por fazer-lhes directamente essa pergunta e está a experimentar uma pequena secção de consulta pública, no final de determinados artigos, em que o leitor é convidado a dizer o que acha que está em falta, ou que desejaria ver mais explicado. A experiência começou em Março, a resposta é positiva e está a ser usada no seguimento dos temas tratados.

A nova secção tem o título explícito de Reader Questions e começou por aparecer em artigos do noticiário internacional, mas foi alargada aos desportos, economia e meio ambiente / tecnologia e ciência. Para já, o jornal propõe aos leitores três questões previamente redigidas, sobre um aprofundamento do tema em próximas notícias sobre o mesmo, convidando-o a escolher. Para fazer esta triagem, “a equipa editorial também toma em conta o que os leitores escrevem na secção de comentários”. 

Segundo notícia do Digiday  - que aqui citamos de Media-tics -  sobre os distúrbios na Venezuela, por exemplo, os leitores quiseram saber por que motivo está o país em crise. As reportagens sobre este tema passaram a ter uma caixa de texto no meio, com explicação sobre o fundo económico e social que levou a Venezuela até este ponto: 

“Os leitores também podem votar sobre se o esclarecimento lhes foi útil, e 97% respondem afirmativamente, o que revela que realmente tinham grande interesse em conhecer estes detalhes.” (...) 

“Os artigos obtêm milhares de respostas, que representam cerca de 9% dos leitores que lêem a pergunta e em alguns casos vão até aos 20%. Segundo o editor, 80% das perguntas vêm de leitores habituais. No entanto, na hora de as tomar em conta, o editor não pode ver se estas pessoas são membros de The Guardian.”

 

 

Mais informação em Media-tics e no Digiday, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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