Sexta-feira, 22 de Setembro, 2017
Fórum

Publicidade com “estereótipos de género” vai ser combatida nos Media do Reino Unido

O combate às formas de publicidade consideradas “sexistas”, ou veiculando “estereótipos de género”, pode interditar muitos dos anúncios expostos no Reino Unido, se as medidas agora propostas forem aprovadas. A entidade reguladora  - a ASA – Advertising Standards Authority -  publicou o relatório Depictions, Perceptions and Harm, identificando várias situações que têm sido objecto de polémica, e enumera uma série de normas entendidas como necessárias para corrigir formas de publicidade incorrecta ou danosa. Este relatório será agora avaliado pelo Committee of Advertising Practice, ao qual compete estabelecer o código publicitário no Reino Unido, em todos os media  - desde a TV e os jornais aos painéis públicos e aos anúncios online

O título do relatório, que poderíamos traduzir por Descrições (ou Imagens), Percepções e Dano (ou Ofensa)  - sem esgotar a multiplicidade de sentidos sugeridos -  é revelador do terreno sujeito a controvérsia em que o estudo se move.  

A questão posta à partida, como refere Le Figaro, é a de saber se a legislação em vigor é suficiente para evitar “o potencial de causar dano ou ofensa proveniente da inclusão de estereótipos de género na publicidade” e, uma vez publicado o relatório, a resposta parece simples: não.  

É recordada uma das polémicas que deram mais agitação na opinião pública britânica, causada em 2015 pelo anúncio de uma marca de suplementos dietéticos, supostamente benéficos para a perda de peso, que mostrava uma jovem em biquini, em painéis no Metro de Londres, com a pergunta: “Está com o seu corpo pronto para a praia?”  

Houve uma petição com cerca de 70 mil assinaturas condenando esta publicidade como “socialmente irresponsável”, e foram enviadas 400 queixas à ASA. Esta autoridade reguladora acabou por não interditar o anúncio, afirmando que não entendia essa imagem como humilhante para “mulheres com diferentes formas corporais”, no sentido de as levar a procurar “suplementos de emagrecimento para se sentirem confiantes em fato de banho, em público”.  

“Ironicamente”  - como conta The Guardian -  “o anúncio acabou por ser removido porque continha publicidade enganosa a respeito das virtudes do suplemento da Protein World.”  

Como recorda ainda Le Figaro, “este debate acabou por ter repercussões políticas, porque Sadiq Khan, o actual mayor de Londres, tinha feito da luta contra a publicidade sexista uma das suas promessas de campanha; uma vez eleito, conseguiu mesmo proibir (até certo ponto) os anúncios revelando ‘corpos femininos irrealistas’ no Metro de Londres”.  

Há um sexismo muito enraizado na publicidade, segundo o estudo que o Geena Davis Institute publicou recentemente, baseado na observação de dois mil anúncios em língua inglesa, entre 2006 e 2017, e segundo o qual “as mulheres, sub-representadas na publicidade, são sobretudo remetidas para os papéis do serviço doméstico ou da mulher-objecto”.  

Citando ainda Le Figaro, “este problema não é, aliás, simplesmente anglo-saxónico: no final de 2016, 82% das francesas afirmavam que a publicidade ‘causava complexos’ às mulheres, segundo um estudo do Ministério das Famílias, da Infância e do Direito das Mulheres”.  

Segundo The Guardian, o presente projecto da ASA inscreve-se numa tendência que já levou a que determinados anúncios, mesmo com figuras famosas da beleza feminina, como Cara Delevingne, Natalie Portman e Julia Andrews, tenham sido banidos, assim como aqueles que exibem modelos “doentiamente magras”.  

 

Mais informação em Le Figaro e The Guardian, e o relatório de síntese da ASA, que contém o link para o texto completo

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


ver mais >
Opinião
Na semana passada aconteceu o que há muito se esperava – um dos maiores grupos de comunicação anunciou que vai encerrar ou vender a maior parte dos seus títulos de imprensa. A braços com um endividamente gigantesco, acaba por reconhecer que as receitas que obtém, quando existem, são insuficientes para inverter a situação criada ao longo de anos. O cenário actual complica tudo: é devastador folhear um jornal...
Falhada a emissão obrigacionista, sabia-se que algo teria de acontecer na Impresa, em função do elevado nível do seu endividamento. A entrevista de 12 páginas publicada na revista do Expresso com António Costa, sem nenhuma novidade que justificasse tamanho relevo, acompanhada de uma invulgar chamada de capa  a 5 colunas (além da própria capa integral da revista)  já deixava perceber um critério editorial pouco...
Peter Barbey, actual proprietário (desde 2015) do The Village Voice, anunciou em 22 de Agosto o fim da edição impressa do semanário nova-iorquino, após 62 anos de publicação, continuando a ser produzida a versão digital. A edição impressa – gratuita desde há 21 anos -  tinha actualmente uma tiragem de 120 mil exemplares, enquanto a versão digital, segundo a comScore (empresa de análise de...
Balsemão e o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
O grupo Impresa passa por algumas dificuldades, constando que irá vender, ou fechar, certas revistas. Mas essas dificuldades não devem levar-nos a esquecer que Francisco P. Balsemão é um destacado empresário da comunicação social. Chegou a primeiro-ministro, mas a sua paixão era e é o jornalismo. Por isso, enquanto chefe do grupo Impresa, soube compreender e até promover a independência editorial dos seus...
O Rumo da Europa
Luís Queirós
Na minha opinião, as declarações da Sra Merkel na Baviera - proferidas no rescaldo da cimeira do G7, em Taormina- podem ser o sinal de uma mudança de rumo para a Europa. No essencial, a Sra. Merkel sentenciou que "os europeus têm de cuidar de si próprios e resolver os seus problemas, e que a Europa tem de continuar a manter boas relações com  os Estados Unidos e com ao Reino Unido, mas também com outros países,...
Agenda
25
Set
4º Workshop de Pós-Graduação em Ciência da Informação
09:00 @ Faculdade de Letras da Universidade do Porto
25
Set
Atelier de Jornalismo Televisivo
09:00 @ Cenjor, Lisboa
02
Out
09
Out