Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
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Publicidade com “estereótipos de género” vai ser combatida nos Media do Reino Unido

O combate às formas de publicidade consideradas “sexistas”, ou veiculando “estereótipos de género”, pode interditar muitos dos anúncios expostos no Reino Unido, se as medidas agora propostas forem aprovadas. A entidade reguladora  - a ASA – Advertising Standards Authority -  publicou o relatório Depictions, Perceptions and Harm, identificando várias situações que têm sido objecto de polémica, e enumera uma série de normas entendidas como necessárias para corrigir formas de publicidade incorrecta ou danosa. Este relatório será agora avaliado pelo Committee of Advertising Practice, ao qual compete estabelecer o código publicitário no Reino Unido, em todos os media  - desde a TV e os jornais aos painéis públicos e aos anúncios online

O título do relatório, que poderíamos traduzir por Descrições (ou Imagens), Percepções e Dano (ou Ofensa)  - sem esgotar a multiplicidade de sentidos sugeridos -  é revelador do terreno sujeito a controvérsia em que o estudo se move.  

A questão posta à partida, como refere Le Figaro, é a de saber se a legislação em vigor é suficiente para evitar “o potencial de causar dano ou ofensa proveniente da inclusão de estereótipos de género na publicidade” e, uma vez publicado o relatório, a resposta parece simples: não.  

É recordada uma das polémicas que deram mais agitação na opinião pública britânica, causada em 2015 pelo anúncio de uma marca de suplementos dietéticos, supostamente benéficos para a perda de peso, que mostrava uma jovem em biquini, em painéis no Metro de Londres, com a pergunta: “Está com o seu corpo pronto para a praia?”  

Houve uma petição com cerca de 70 mil assinaturas condenando esta publicidade como “socialmente irresponsável”, e foram enviadas 400 queixas à ASA. Esta autoridade reguladora acabou por não interditar o anúncio, afirmando que não entendia essa imagem como humilhante para “mulheres com diferentes formas corporais”, no sentido de as levar a procurar “suplementos de emagrecimento para se sentirem confiantes em fato de banho, em público”.  

“Ironicamente”  - como conta The Guardian -  “o anúncio acabou por ser removido porque continha publicidade enganosa a respeito das virtudes do suplemento da Protein World.”  

Como recorda ainda Le Figaro, “este debate acabou por ter repercussões políticas, porque Sadiq Khan, o actual mayor de Londres, tinha feito da luta contra a publicidade sexista uma das suas promessas de campanha; uma vez eleito, conseguiu mesmo proibir (até certo ponto) os anúncios revelando ‘corpos femininos irrealistas’ no Metro de Londres”.  

Há um sexismo muito enraizado na publicidade, segundo o estudo que o Geena Davis Institute publicou recentemente, baseado na observação de dois mil anúncios em língua inglesa, entre 2006 e 2017, e segundo o qual “as mulheres, sub-representadas na publicidade, são sobretudo remetidas para os papéis do serviço doméstico ou da mulher-objecto”.  

Citando ainda Le Figaro, “este problema não é, aliás, simplesmente anglo-saxónico: no final de 2016, 82% das francesas afirmavam que a publicidade ‘causava complexos’ às mulheres, segundo um estudo do Ministério das Famílias, da Infância e do Direito das Mulheres”.  

Segundo The Guardian, o presente projecto da ASA inscreve-se numa tendência que já levou a que determinados anúncios, mesmo com figuras famosas da beleza feminina, como Cara Delevingne, Natalie Portman e Julia Andrews, tenham sido banidos, assim como aqueles que exibem modelos “doentiamente magras”.  

 

Mais informação em Le Figaro e The Guardian, e o relatório de síntese da ASA, que contém o link para o texto completo

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Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

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