Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
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Publicidade com “estereótipos de género” vai ser combatida nos Media do Reino Unido

O combate às formas de publicidade consideradas “sexistas”, ou veiculando “estereótipos de género”, pode interditar muitos dos anúncios expostos no Reino Unido, se as medidas agora propostas forem aprovadas. A entidade reguladora  - a ASA – Advertising Standards Authority -  publicou o relatório Depictions, Perceptions and Harm, identificando várias situações que têm sido objecto de polémica, e enumera uma série de normas entendidas como necessárias para corrigir formas de publicidade incorrecta ou danosa. Este relatório será agora avaliado pelo Committee of Advertising Practice, ao qual compete estabelecer o código publicitário no Reino Unido, em todos os media  - desde a TV e os jornais aos painéis públicos e aos anúncios online

O título do relatório, que poderíamos traduzir por Descrições (ou Imagens), Percepções e Dano (ou Ofensa)  - sem esgotar a multiplicidade de sentidos sugeridos -  é revelador do terreno sujeito a controvérsia em que o estudo se move.  

A questão posta à partida, como refere Le Figaro, é a de saber se a legislação em vigor é suficiente para evitar “o potencial de causar dano ou ofensa proveniente da inclusão de estereótipos de género na publicidade” e, uma vez publicado o relatório, a resposta parece simples: não.  

É recordada uma das polémicas que deram mais agitação na opinião pública britânica, causada em 2015 pelo anúncio de uma marca de suplementos dietéticos, supostamente benéficos para a perda de peso, que mostrava uma jovem em biquini, em painéis no Metro de Londres, com a pergunta: “Está com o seu corpo pronto para a praia?”  

Houve uma petição com cerca de 70 mil assinaturas condenando esta publicidade como “socialmente irresponsável”, e foram enviadas 400 queixas à ASA. Esta autoridade reguladora acabou por não interditar o anúncio, afirmando que não entendia essa imagem como humilhante para “mulheres com diferentes formas corporais”, no sentido de as levar a procurar “suplementos de emagrecimento para se sentirem confiantes em fato de banho, em público”.  

“Ironicamente”  - como conta The Guardian -  “o anúncio acabou por ser removido porque continha publicidade enganosa a respeito das virtudes do suplemento da Protein World.”  

Como recorda ainda Le Figaro, “este debate acabou por ter repercussões políticas, porque Sadiq Khan, o actual mayor de Londres, tinha feito da luta contra a publicidade sexista uma das suas promessas de campanha; uma vez eleito, conseguiu mesmo proibir (até certo ponto) os anúncios revelando ‘corpos femininos irrealistas’ no Metro de Londres”.  

Há um sexismo muito enraizado na publicidade, segundo o estudo que o Geena Davis Institute publicou recentemente, baseado na observação de dois mil anúncios em língua inglesa, entre 2006 e 2017, e segundo o qual “as mulheres, sub-representadas na publicidade, são sobretudo remetidas para os papéis do serviço doméstico ou da mulher-objecto”.  

Citando ainda Le Figaro, “este problema não é, aliás, simplesmente anglo-saxónico: no final de 2016, 82% das francesas afirmavam que a publicidade ‘causava complexos’ às mulheres, segundo um estudo do Ministério das Famílias, da Infância e do Direito das Mulheres”.  

Segundo The Guardian, o presente projecto da ASA inscreve-se numa tendência que já levou a que determinados anúncios, mesmo com figuras famosas da beleza feminina, como Cara Delevingne, Natalie Portman e Julia Andrews, tenham sido banidos, assim como aqueles que exibem modelos “doentiamente magras”.  

 

Mais informação em Le Figaro e The Guardian, e o relatório de síntese da ASA, que contém o link para o texto completo

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

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