Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
Media

O maior jornal de oposição na Turquia sentado no banco dos réus

O julgamento, em Istambul, de 17 jornalistas, quadros da direcção ou colaboradores do diário turco Cumhuriyet, conhecido pela sua postura muito crítica em relação ao governo do Presidente Erdogan, é mais um passo na asfixia da liberdade de Imprensa. Os detidos são acusados de cumplicidade com “organizações terroristas armadas” e arriscam penas até 43 anos de prisão. O processo simboliza, neste momento, toda a inquietação, no país e no estrangeiro, contra as restrições impostas pelo regime na Turquia.

“Para os defensores dos Direitos Humanos, este processo é emblemático da erosão das liberdades depois do golpe falhado de 15 de Julho de 2016, seguido de purgas maciças que submergiram as forças de oposição, desde os eleitos pró-curdos aos meios de comunicação, passando pelas organizações não-governamentais.” 

Segundo o diário Le Monde, que aqui citamos, “este processo surge quando várias vozes europeias, a começar pela de Berlim, se levantam contra Ankara após a recente detenção de diversos militantes dos Direitos Humanos, entre os quais a directora da Amnistia na Turquia, bem como um activista alemão.” (...) 

“O processo do Cumhuriyet é o do jornalismo na Turquia”  - declarou Christophe Deloire, secretário-geral da ONG Repórteres sem Fronteiras. “Os jornalistas são tratados como terroristas apenas por terem feito o seu trabalho.” 

Encontram-se entre os acusados neste julgamento “alguns dos maiores nomes do jornalismo turco”, citando ainda Le Monde: o colunista francófono Kadri Gürsel, o jornalista de investigação Ahmet Sik e o caricaturista Musa Kart. É também o caso do proprietário do jornal, Akin Atalay, e do chefe de redacção, Murat Sabuncu. “Entre os acusados, onze estão em prisão preventiva, a maior parte desde há cerca de nove meses. Desde então, o jornal deixa sistematicamente um espaço vazio no local onde deviam aparecer os textos dos seus colunistas encarcerados, como Kadri Gürsel.” 

“Outro acusado famoso, Can Dündar, anterior chefe de redacção do Cumhuriyet, que tinha atraído sobre si a ira de Erdogan por ter publicado, em 2014, um artigo afirmando que Ankara estava a entregas armas aos islamistas na Síria, está exilado na Alemanha e é julgado à revelia.” (...) 

“A solidariedade ultrapassou as fronteiras, como testemunha o aparecimento de uma edição especial do diário francês Libération, que abriu as suas páginas aos jornalistas do Cumhuriyet. Sob a imagem de duas mãos prisioneiras de um jornal transformado em jugo de grilhetas, o ‘Libé’ põe por título: ‘A Imprensa segundo Erdogan’.” 


Mais informação no Le Monde, com novos pormenores sobre o julgamento

Connosco
Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, subordinado ao tema genérico O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções” prossegue  no próximo dia 24 de Janeiro, sendo orador convidado António Lobo Xavier, advogado, político e conselheiro de Estado designado por Marcelo Rebelo de Sousa.  

António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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