Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Media

O maior jornal de oposição na Turquia sentado no banco dos réus

O julgamento, em Istambul, de 17 jornalistas, quadros da direcção ou colaboradores do diário turco Cumhuriyet, conhecido pela sua postura muito crítica em relação ao governo do Presidente Erdogan, é mais um passo na asfixia da liberdade de Imprensa. Os detidos são acusados de cumplicidade com “organizações terroristas armadas” e arriscam penas até 43 anos de prisão. O processo simboliza, neste momento, toda a inquietação, no país e no estrangeiro, contra as restrições impostas pelo regime na Turquia.

“Para os defensores dos Direitos Humanos, este processo é emblemático da erosão das liberdades depois do golpe falhado de 15 de Julho de 2016, seguido de purgas maciças que submergiram as forças de oposição, desde os eleitos pró-curdos aos meios de comunicação, passando pelas organizações não-governamentais.” 

Segundo o diário Le Monde, que aqui citamos, “este processo surge quando várias vozes europeias, a começar pela de Berlim, se levantam contra Ankara após a recente detenção de diversos militantes dos Direitos Humanos, entre os quais a directora da Amnistia na Turquia, bem como um activista alemão.” (...) 

“O processo do Cumhuriyet é o do jornalismo na Turquia”  - declarou Christophe Deloire, secretário-geral da ONG Repórteres sem Fronteiras. “Os jornalistas são tratados como terroristas apenas por terem feito o seu trabalho.” 

Encontram-se entre os acusados neste julgamento “alguns dos maiores nomes do jornalismo turco”, citando ainda Le Monde: o colunista francófono Kadri Gürsel, o jornalista de investigação Ahmet Sik e o caricaturista Musa Kart. É também o caso do proprietário do jornal, Akin Atalay, e do chefe de redacção, Murat Sabuncu. “Entre os acusados, onze estão em prisão preventiva, a maior parte desde há cerca de nove meses. Desde então, o jornal deixa sistematicamente um espaço vazio no local onde deviam aparecer os textos dos seus colunistas encarcerados, como Kadri Gürsel.” 

“Outro acusado famoso, Can Dündar, anterior chefe de redacção do Cumhuriyet, que tinha atraído sobre si a ira de Erdogan por ter publicado, em 2014, um artigo afirmando que Ankara estava a entregas armas aos islamistas na Síria, está exilado na Alemanha e é julgado à revelia.” (...) 

“A solidariedade ultrapassou as fronteiras, como testemunha o aparecimento de uma edição especial do diário francês Libération, que abriu as suas páginas aos jornalistas do Cumhuriyet. Sob a imagem de duas mãos prisioneiras de um jornal transformado em jugo de grilhetas, o ‘Libé’ põe por título: ‘A Imprensa segundo Erdogan’.” 


Mais informação no Le Monde, com novos pormenores sobre o julgamento

Connosco
As “Histórias Proibidas” dos jornalistas assassinados voltam a ser lidas Ver galeria

Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda Ver galeria

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

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Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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24
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Abr
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