Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

O maior jornal de oposição na Turquia sentado no banco dos réus

O julgamento, em Istambul, de 17 jornalistas, quadros da direcção ou colaboradores do diário turco Cumhuriyet, conhecido pela sua postura muito crítica em relação ao governo do Presidente Erdogan, é mais um passo na asfixia da liberdade de Imprensa. Os detidos são acusados de cumplicidade com “organizações terroristas armadas” e arriscam penas até 43 anos de prisão. O processo simboliza, neste momento, toda a inquietação, no país e no estrangeiro, contra as restrições impostas pelo regime na Turquia.

“Para os defensores dos Direitos Humanos, este processo é emblemático da erosão das liberdades depois do golpe falhado de 15 de Julho de 2016, seguido de purgas maciças que submergiram as forças de oposição, desde os eleitos pró-curdos aos meios de comunicação, passando pelas organizações não-governamentais.” 

Segundo o diário Le Monde, que aqui citamos, “este processo surge quando várias vozes europeias, a começar pela de Berlim, se levantam contra Ankara após a recente detenção de diversos militantes dos Direitos Humanos, entre os quais a directora da Amnistia na Turquia, bem como um activista alemão.” (...) 

“O processo do Cumhuriyet é o do jornalismo na Turquia”  - declarou Christophe Deloire, secretário-geral da ONG Repórteres sem Fronteiras. “Os jornalistas são tratados como terroristas apenas por terem feito o seu trabalho.” 

Encontram-se entre os acusados neste julgamento “alguns dos maiores nomes do jornalismo turco”, citando ainda Le Monde: o colunista francófono Kadri Gürsel, o jornalista de investigação Ahmet Sik e o caricaturista Musa Kart. É também o caso do proprietário do jornal, Akin Atalay, e do chefe de redacção, Murat Sabuncu. “Entre os acusados, onze estão em prisão preventiva, a maior parte desde há cerca de nove meses. Desde então, o jornal deixa sistematicamente um espaço vazio no local onde deviam aparecer os textos dos seus colunistas encarcerados, como Kadri Gürsel.” 

“Outro acusado famoso, Can Dündar, anterior chefe de redacção do Cumhuriyet, que tinha atraído sobre si a ira de Erdogan por ter publicado, em 2014, um artigo afirmando que Ankara estava a entregas armas aos islamistas na Síria, está exilado na Alemanha e é julgado à revelia.” (...) 

“A solidariedade ultrapassou as fronteiras, como testemunha o aparecimento de uma edição especial do diário francês Libération, que abriu as suas páginas aos jornalistas do Cumhuriyet. Sob a imagem de duas mãos prisioneiras de um jornal transformado em jugo de grilhetas, o ‘Libé’ põe por título: ‘A Imprensa segundo Erdogan’.” 


Mais informação no Le Monde, com novos pormenores sobre o julgamento

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Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

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Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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