Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

O maior jornal de oposição na Turquia sentado no banco dos réus

O julgamento, em Istambul, de 17 jornalistas, quadros da direcção ou colaboradores do diário turco Cumhuriyet, conhecido pela sua postura muito crítica em relação ao governo do Presidente Erdogan, é mais um passo na asfixia da liberdade de Imprensa. Os detidos são acusados de cumplicidade com “organizações terroristas armadas” e arriscam penas até 43 anos de prisão. O processo simboliza, neste momento, toda a inquietação, no país e no estrangeiro, contra as restrições impostas pelo regime na Turquia.

“Para os defensores dos Direitos Humanos, este processo é emblemático da erosão das liberdades depois do golpe falhado de 15 de Julho de 2016, seguido de purgas maciças que submergiram as forças de oposição, desde os eleitos pró-curdos aos meios de comunicação, passando pelas organizações não-governamentais.” 

Segundo o diário Le Monde, que aqui citamos, “este processo surge quando várias vozes europeias, a começar pela de Berlim, se levantam contra Ankara após a recente detenção de diversos militantes dos Direitos Humanos, entre os quais a directora da Amnistia na Turquia, bem como um activista alemão.” (...) 

“O processo do Cumhuriyet é o do jornalismo na Turquia”  - declarou Christophe Deloire, secretário-geral da ONG Repórteres sem Fronteiras. “Os jornalistas são tratados como terroristas apenas por terem feito o seu trabalho.” 

Encontram-se entre os acusados neste julgamento “alguns dos maiores nomes do jornalismo turco”, citando ainda Le Monde: o colunista francófono Kadri Gürsel, o jornalista de investigação Ahmet Sik e o caricaturista Musa Kart. É também o caso do proprietário do jornal, Akin Atalay, e do chefe de redacção, Murat Sabuncu. “Entre os acusados, onze estão em prisão preventiva, a maior parte desde há cerca de nove meses. Desde então, o jornal deixa sistematicamente um espaço vazio no local onde deviam aparecer os textos dos seus colunistas encarcerados, como Kadri Gürsel.” 

“Outro acusado famoso, Can Dündar, anterior chefe de redacção do Cumhuriyet, que tinha atraído sobre si a ira de Erdogan por ter publicado, em 2014, um artigo afirmando que Ankara estava a entregas armas aos islamistas na Síria, está exilado na Alemanha e é julgado à revelia.” (...) 

“A solidariedade ultrapassou as fronteiras, como testemunha o aparecimento de uma edição especial do diário francês Libération, que abriu as suas páginas aos jornalistas do Cumhuriyet. Sob a imagem de duas mãos prisioneiras de um jornal transformado em jugo de grilhetas, o ‘Libé’ põe por título: ‘A Imprensa segundo Erdogan’.” 


Mais informação no Le Monde, com novos pormenores sobre o julgamento

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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