Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

"El País" suprime anúncios de “contactos” íntimos

O diário espanhol El País suprimiu, nas páginas de publicidade de todas as suas edições, os anúncios de “contactos” ou encontros pessoais. A decisão segue-se a “um profundo debate interno” em que tiveram grande peso as opiniões dos leitores, que comunicaram a sua recusa por este tipo de anúncios. A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que se tem batido por esta causa, congratula-se pela decisão do jornal. 

Segundo notícia do próprio El País, a decisão assenta numa “coerência editorial”, lembrando que o diário tem publicado numerosas reportagens de denúncia da exploração sexual das mulheres. 

“A prostituição não é ilegal em España  - o país europeu com maior procura de prostituição -  mas a sociedade já dispõe de dados que reflectem o verdadeiro rosto desta prática, graças a recentes alterações legais (em 2010 e 2015) que penalizam o tráfico humano. Só em cinco anos (de 2012 a 2016) já foram resgatadas 4.300 vítimas de exploração sexual. Diversos estudos e peritos destacam que a grande maioria das mulheres que oferecem serviços sexuais fazem-no em situação de escravatura. O proxenetismo, a prostituição de menores ou o tráfico de pessoas para exploração sexual são delitos contemplados pelo Código Penal.” 

Segundo notícia no site da FAPE, “a supressão dos anúncios que publicitam a prostituição é uma antiga reivindicação da FAPE, por cuja consecução continua a lutar, considerando inadmissível que haja meios de comunicação que beneficiem deste tipo de publicidade, que converte a mulher em mercadoria”.

 

Mais informação na FAPE e a notícia de El País

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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