Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Media

"El País" suprime anúncios de “contactos” íntimos

O diário espanhol El País suprimiu, nas páginas de publicidade de todas as suas edições, os anúncios de “contactos” ou encontros pessoais. A decisão segue-se a “um profundo debate interno” em que tiveram grande peso as opiniões dos leitores, que comunicaram a sua recusa por este tipo de anúncios. A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que se tem batido por esta causa, congratula-se pela decisão do jornal. 

Segundo notícia do próprio El País, a decisão assenta numa “coerência editorial”, lembrando que o diário tem publicado numerosas reportagens de denúncia da exploração sexual das mulheres. 

“A prostituição não é ilegal em España  - o país europeu com maior procura de prostituição -  mas a sociedade já dispõe de dados que reflectem o verdadeiro rosto desta prática, graças a recentes alterações legais (em 2010 e 2015) que penalizam o tráfico humano. Só em cinco anos (de 2012 a 2016) já foram resgatadas 4.300 vítimas de exploração sexual. Diversos estudos e peritos destacam que a grande maioria das mulheres que oferecem serviços sexuais fazem-no em situação de escravatura. O proxenetismo, a prostituição de menores ou o tráfico de pessoas para exploração sexual são delitos contemplados pelo Código Penal.” 

Segundo notícia no site da FAPE, “a supressão dos anúncios que publicitam a prostituição é uma antiga reivindicação da FAPE, por cuja consecução continua a lutar, considerando inadmissível que haja meios de comunicação que beneficiem deste tipo de publicidade, que converte a mulher em mercadoria”.

 

Mais informação na FAPE e a notícia de El País

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Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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