Terça-feira, 21 de Novembro, 2017
Media

Mais um jornal condenado pede socorro no meio do naufrágio

O semanário The Baltimore City Paper, que durante 40 anos tem animado a cidade com o seu estilo “alternativo” de reportagem, sobre música e artes em geral, vai encerrar durante este ano. A notícia vem da empresa a que pertence, o Grupo do Baltimore Sun, mas o editor não se rende sem luta e lança um apelo no meio do naufrágio: “Daqui fala Brandon Soderberg, editor do City Paper, em directo do deck do Titanic; (…) ainda estou meio convencido de que isto não vai ser o fim do jornal e que alguém vai aparecer de repente para nos comprar.” 

O motivo oficial anunciado é o do costume, a quebra nas receitas da publicidade. Mas Ross Barkan, num comentário em The Guardian, vai mais directo ao assunto:  

“O jornalismo está hoje a morrer porque ninguém ainda conseguiu descobrir como pode ser financiado num sistema capitalista do tipo ‘quem ganha fica com tudo’.” (…)  

E recorda os números conhecidos: 

“Nos últimos 15 anos, mais de metade dos empregos na indústria da Informação desapareceram, segundo um relatório do Bureau of Labour Statistics dos Estados Unidos, publicado em Abril. Em Janeiro de 2001, empregava 411.800 pessoas. Em Setembro de 2016, este número tinha caído para 173.709. Houve crescimento nos meios noticiosos online, ao longo da década, mas não foi suficiente para compensar todos os empregos perdidos nos jornais. A maioria desses websites estão concentrados em meia dúzia de grandes cidades, o que é fraco consolo para as cidades pequenas e as regiões mais modestas, que são as mais atingidas pelo colapso.” 

Ross Barkan afirma que “as preocupações financeiras colocam à indústria da Informação uma ameaça muito maior do que tudo aquilo que Trump diga ou faça”. Não poupa críticas aos “nihilistas Trumpianos”, pelo modo como denigrem a profissão do jornalismo na sua totalidade. Mas acrescenta: 

“A tragédia é que isto seria muito mais difícil de conseguir se os maiores adeptos de Trump, espalhados pelos vários subúrbios e ex-urbes e cidades deprimidas por todo o país encontrassem regularmente jornais locais vibrantes, reconhecendo o papel construtivo que podem ter.” 

A concluir, a sua esperança de “um modelo económico que funcione” passa por um misto de empresa não-lucrativa ou baseada nos seus próprios membros (como a ProPublica ou o jornal holandês De Correspondent) “ou pela necessidade, a longo prazo, de que o governo comece a tratar as empresas noticiosas como um bem público, subsidiando parcialmente as suas necessidades limite, ou providenciando outras salvaguardas para as manter vivas". 

 

O artigo citado, em The Guardian, e mais informação sobre o City Paper

Connosco
Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas Ver galeria

“Um jornal, hoje, não pode viver sem se pôr de joelhos diante da Google”. Foi esta a síntese de Casimiro García Abadillo, director de El Independiente, na comemoração do centenário do jornal El Sol. Disse ainda que as quedas da tiragem e da receita publicitária, desde a chegada da Internet, trouxeram uma “debilidade financeira” que permitiu que os grandes jornais fossem apropriados pela banca e outros grupos empresariais. Outra consequência foi a perda de emprego para muitos profissionais e uma desvalorização salarial que “proletarizou [a profissão] até limites insuportáveis”. A reportagem é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro Ver galeria

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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