Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Media

Mais um jornal condenado pede socorro no meio do naufrágio

O semanário The Baltimore City Paper, que durante 40 anos tem animado a cidade com o seu estilo “alternativo” de reportagem, sobre música e artes em geral, vai encerrar durante este ano. A notícia vem da empresa a que pertence, o Grupo do Baltimore Sun, mas o editor não se rende sem luta e lança um apelo no meio do naufrágio: “Daqui fala Brandon Soderberg, editor do City Paper, em directo do deck do Titanic; (…) ainda estou meio convencido de que isto não vai ser o fim do jornal e que alguém vai aparecer de repente para nos comprar.” 

O motivo oficial anunciado é o do costume, a quebra nas receitas da publicidade. Mas Ross Barkan, num comentário em The Guardian, vai mais directo ao assunto:  

“O jornalismo está hoje a morrer porque ninguém ainda conseguiu descobrir como pode ser financiado num sistema capitalista do tipo ‘quem ganha fica com tudo’.” (…)  

E recorda os números conhecidos: 

“Nos últimos 15 anos, mais de metade dos empregos na indústria da Informação desapareceram, segundo um relatório do Bureau of Labour Statistics dos Estados Unidos, publicado em Abril. Em Janeiro de 2001, empregava 411.800 pessoas. Em Setembro de 2016, este número tinha caído para 173.709. Houve crescimento nos meios noticiosos online, ao longo da década, mas não foi suficiente para compensar todos os empregos perdidos nos jornais. A maioria desses websites estão concentrados em meia dúzia de grandes cidades, o que é fraco consolo para as cidades pequenas e as regiões mais modestas, que são as mais atingidas pelo colapso.” 

Ross Barkan afirma que “as preocupações financeiras colocam à indústria da Informação uma ameaça muito maior do que tudo aquilo que Trump diga ou faça”. Não poupa críticas aos “nihilistas Trumpianos”, pelo modo como denigrem a profissão do jornalismo na sua totalidade. Mas acrescenta: 

“A tragédia é que isto seria muito mais difícil de conseguir se os maiores adeptos de Trump, espalhados pelos vários subúrbios e ex-urbes e cidades deprimidas por todo o país encontrassem regularmente jornais locais vibrantes, reconhecendo o papel construtivo que podem ter.” 

A concluir, a sua esperança de “um modelo económico que funcione” passa por um misto de empresa não-lucrativa ou baseada nos seus próprios membros (como a ProPublica ou o jornal holandês De Correspondent) “ou pela necessidade, a longo prazo, de que o governo comece a tratar as empresas noticiosas como um bem público, subsidiando parcialmente as suas necessidades limite, ou providenciando outras salvaguardas para as manter vivas". 

 

O artigo citado, em The Guardian, e mais informação sobre o City Paper

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Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

Expressiva manifestação em Bratislava evocando jornalista morto Ver galeria
“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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