Sexta-feira, 22 de Setembro, 2017
Media

Mais um jornal condenado pede socorro no meio do naufrágio

O semanário The Baltimore City Paper, que durante 40 anos tem animado a cidade com o seu estilo “alternativo” de reportagem, sobre música e artes em geral, vai encerrar durante este ano. A notícia vem da empresa a que pertence, o Grupo do Baltimore Sun, mas o editor não se rende sem luta e lança um apelo no meio do naufrágio: “Daqui fala Brandon Soderberg, editor do City Paper, em directo do deck do Titanic; (…) ainda estou meio convencido de que isto não vai ser o fim do jornal e que alguém vai aparecer de repente para nos comprar.” 

O motivo oficial anunciado é o do costume, a quebra nas receitas da publicidade. Mas Ross Barkan, num comentário em The Guardian, vai mais directo ao assunto:  

“O jornalismo está hoje a morrer porque ninguém ainda conseguiu descobrir como pode ser financiado num sistema capitalista do tipo ‘quem ganha fica com tudo’.” (…)  

E recorda os números conhecidos: 

“Nos últimos 15 anos, mais de metade dos empregos na indústria da Informação desapareceram, segundo um relatório do Bureau of Labour Statistics dos Estados Unidos, publicado em Abril. Em Janeiro de 2001, empregava 411.800 pessoas. Em Setembro de 2016, este número tinha caído para 173.709. Houve crescimento nos meios noticiosos online, ao longo da década, mas não foi suficiente para compensar todos os empregos perdidos nos jornais. A maioria desses websites estão concentrados em meia dúzia de grandes cidades, o que é fraco consolo para as cidades pequenas e as regiões mais modestas, que são as mais atingidas pelo colapso.” 

Ross Barkan afirma que “as preocupações financeiras colocam à indústria da Informação uma ameaça muito maior do que tudo aquilo que Trump diga ou faça”. Não poupa críticas aos “nihilistas Trumpianos”, pelo modo como denigrem a profissão do jornalismo na sua totalidade. Mas acrescenta: 

“A tragédia é que isto seria muito mais difícil de conseguir se os maiores adeptos de Trump, espalhados pelos vários subúrbios e ex-urbes e cidades deprimidas por todo o país encontrassem regularmente jornais locais vibrantes, reconhecendo o papel construtivo que podem ter.” 

A concluir, a sua esperança de “um modelo económico que funcione” passa por um misto de empresa não-lucrativa ou baseada nos seus próprios membros (como a ProPublica ou o jornal holandês De Correspondent) “ou pela necessidade, a longo prazo, de que o governo comece a tratar as empresas noticiosas como um bem público, subsidiando parcialmente as suas necessidades limite, ou providenciando outras salvaguardas para as manter vivas". 

 

O artigo citado, em The Guardian, e mais informação sobre o City Paper

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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