Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Opinião

Uma comunicação mal comunicada

por Francisco Sarsfield Cabral

A tragédia dos incêndios florestal tem evidenciado uma preocupante desorganização no seu combate. Essa desorganização também se manifesta no campo da comunicação social.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) anunciou há dias que passaria a concentrar a informação sobre os fogos em dois “briefings” diários na sua sede em Carnaxide – um de manhã, outro à tarde. Os bombeiros não gostaram; o presidente da Liga de Bombeiros falou mesmo em “lei da rolha”. Instalou-se a ideia que ANPC queria filtrar e eventualmente ocultar alguma informação. Os jornalistas também se insurgiram contra a anunciada medida, considerando indispensável terem informação fidedigna no terreno, no “teatro das operações”.

A ideia da “lei da rolha” parece afinal ser falsa: a nova directiva só se aplica aos elementos da estrutura operacional da ANPC, não aos comandantes dos bombeiros e outros operacionais no terreno. Digo “parece” porque esta clarificação passou largamente desapercebida, havendo ainda agora quem critique a aparente “mordaça” aos bombeiros. Vejam-se, por exemplo, os artigos de hoje (sexta-feira, 20) de José Manuel Fernandes no Observador e de Felisbela Lopes no Jornal de Notícias.

 

De facto, as primeiras explicações da ANPC sobre a tal directiva referiam justificações como “em situações excepcionais são precisas soluções excepcionais”. “Não temos qualquer interesse em esconder informação”, garantia Patrícia Gaspar, da ANPC. Mas é difícil confiar em que venha informação útil da parte de uma entidade que tão mal comunicou algo que lhe dizia respeito.

 

Para além deste caso envolvendo a ANPC, creio existir fraca consciência em algumas cabeças quanto à maneira como, actualmente, funciona a comunicação social: em permanente informação. Seja através das televisões (cinco canais informativos transmitindo notícias quase 24 horas por dia), seja pelas rádios, jornais, blogues,    

redes sociais, etc. Mesmo os jornais que apenas e publicam uma vez por dia têm, como os outros “media”, sites onde as notícias são actualizadas em permanência.

 

Da parte das autoridades deveriam existir pessoas qualificadas (bombeiros ou não) capazes de transmitir aos jornalistas informações seguras nos locais dos incêndios. Tem havido progressos, por exemplo na PSP, na informação pública. Esses progressos deveriam chegar, também ao combate aos incêndios florestais.

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião