Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Uma fórmula original de serviço público para apoiar o jornalismo local

A grande crise que se tem abatido sobre os meios de comunicação, nos Estados Unidos, é mais visível pelos cortes e despedimentos nos grandes títulos, mas regista um número incontável de vítimas entre os jornais de informação local. Agora, um grupo de jornalistas interessado em reverter esta tendência retoma a noção do serviço público como possível caminho de solução, e o seu espaço de implantação numa entidade autárquica americana pouco conhecida entre nós  -  os Distritos de Serviços Especiais.

Existem presentemente nos EUA mais de 30 mil Special Service Districts, cuja lógica é a vocação de serviço público numa determinada função e para uma determinada comunidade humana, que pode não coincidir com o território definido pelos Estados ou pelas municipalidades onde esta necessidade é sentida. 

Pode tratar-se de manter os serviços de bombeiros, ou de saúde, ou do fornecimento de água, por exemplo. Estes Distritos são sustentados por impostos ou outras contribuições recolhidas em determinada área geográfica, e ficam com a responsabilidade de servir as comunidades que contribuíram para isso. 

Existem depois, dentro desta rede, os Community Information Districts (à letra, Distritos de Informação Comunitária), que têm por missão servir as necessidades de informação em determinada área, que pode reunir várias municipalidades. 

É neste espaço que o jornalista Simon Galperin e os seus companheiros têm estado a propor a criação de um modelo de Special Service District direccionado para o jornalismo local. 

Os jornalistas que já foram abordados sobre este assunto  - como conta em artigo publicado na Columbia Journalism Review, que aqui citamos  -  “ficaram intrigados com a ideia, embora alguns se tenham tornado apreensivos quando se lhes pede que avaliem a proposta como contribuintes; mas nós também falámos com os contribuintes, que se mostraram de modo geral receptivos”. 

O autor cita o exemplo da sua cidade de Fair Lawn, no Estado de New Jersey, com 32 mil habitantes. Uma contribuição anual de 40 dólares por cada habitação podia financiar um orçamento operativo de 500 mil dólares a uma redacção vocacionada para compreender e servir as necessidades de noticiário e informação local da sua comunidade. 

“Esse orçamento podia manter jornais impressos ou online, ou a transmissão ao vivo das assembleias municipais. Um Special Service District para o jornalismo local podia organizar debates comunitários ou cursos de literacia dos media, criar um sistema de mensagens ou alertas de e-mail, ou pagar um serviço automatizado de resposta a perguntas como  – está em vigor o parqueamento em lados alternados?” (...) 

“Estes Community Information Districts não serão uma cura universal, e há obstáculos ao seu estabelecimento. Algumas comunidades podem resistir à noção de mais um imposto. Outras podem não ter, antes do mais, a base necessária para manter estes serviços. Estamos à procura de soluções para estes casos, mas não são insuperáveis.” (...) 

“O acesso às notícias e à informação é a chave para um governo democrático. O modelo dos CID’s oferece um motor financeiro para um jornalismo sustentável e radicalmente local, que por sua vez mantém a Imprensa regional e nacional. Proporciona um incentivo financeiro directo a jornalistas para que deixem as [cidades costeiras], se envolvam profundamente nas suas comunidades e passem a dar prioridade ao impacto do seu trabalho, em vez de às pageviews. Os CID’s podiam revitalizar e manter o noticiário local, reconstruir a confiança e aumentar o envolvimento cívico por todo o país.” 

 

O texto original, na íntegra, na CJ Review

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

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Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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