Sábado, 17 de Novembro, 2018
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Festival Internacional de Jornalismo dominado pelo tema das "notícias falsas"

As “notícias falsas” não se inscreveram para o Festival Internacional de Jornalismo de Perugia, em Itália, mas foram convocadas e estiveram presentes em praticamente todos os debates. Entre os muitos jornalistas e empresários dos media que animaram o evento, era evidente que o fenómeno das fake news, da “pós-verdade” e dos populismos que as alimentam e se alimentam delas acaba por ser, nos últimos tempos, o grande desafio do jornalismo responsável. E, nesta edição de 2017, “ficou claro que a indústria não tem uma solução definitiva para o grande problema”.

Houve, no entanto, uma proveitosa troca de experiências e de informação sobre projectos e investigações em curso. O relato desenvolvido destas intervenções é uma das peças importantes na mais recente edição de Cuadernos de Periodistas, agora divulgada no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.  

Para complicar as coisas, nem sempre as fake news são criadas com intenção política deliberada, mas com objectivo económico, conforme explicou Alexios Mantzarlis, responsável pela Rede Internacional de Verificação de Dados do Poynter Institute:

“Muitas vezes trata-se de anúncios escondidos por baixo de títulos de clic fácil e, para acrescentar mais confusão ao leitor, as notícias falsas misturam-se com as autênticas.” (...) 

Pela natureza instantânea da comunicação digital, links de toda a espécie acabam por chegar ao Facebook ou ao Twitter e são replicados até fartar. Pior do que isso, os boatos começam muitas vezes online, mas acabam também por ser publicados pelos media tradicionais, o que mostra a gravidade do problema. “Os meios de comunicação deviam fazer o seu trabalho melhor e mais rápido”  - disse Gaia Pianigiani, repórter de The New York Times em Roma. 

Um tema que foi discutido em paralelo com este, durante todo o Festival de Perugia, foi o dos populismos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. “O Presidente Donald Trump e a sua relação com os media foram protagnistas de muitas intervenções, mas também a Turquia e a Hungria, que aprenderam a usar as notícias falsas e os meios de comunicação em seu próprio benefício.” (...)


Um jornalista turco no exílio, Yavuz Baydar, recordou que a desinformação e os populismos andaram sempre juntos: “Não é nada de novo. Se lermos Goebbels, vemos que já então garantia que uma mentira muito repetida acaba por ser acreditada.” (...) 

O texto da reportagem actualiza a situação para o tempo corrente: 

“A desinformação sempre existiu, mas o que mudou foi a maneira de produzir e distribuir as notícias. Com as redes sociais, os defensores de um e de outro lado fecham-se nas suas convicções e bloqueiam as informações que as contradigam, incrementando o nível de desinformação. Os media também têm sido cúmplices, nos últimos anos, tomando decisões editoriais baseadas no número de clics ou visitantes ao seu website; também são mais relevantes do que nunca.” (...) 

“Durante o festival, o Public Data Lab, uma rede internacional e interdisciplinar que investiga o uso de dados públicos, apresentou o seu projecto A Field Guide to Fake News, no qual se oferecem diferentes receitas para defrontar e localizar notícias falsas. (...) Este guia está cheio de exercícios que procuram ensinar de que modo uma notícia viaja pelas redes sociais e como estas receitas podem ser usadas para melhorar o entendimento. Por outras palavras, garante que um jornalista poderá medir de que modo os artigos que desmentem uma notícia funcionam diante das próprias notícias falsas.” (...)

Mais informação na reportagem publicada em Cuadernos de Periodistas e no site do Festival Internacional de Perugia.
O vídeo do lançamento do Field Guide to Fake News

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
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