Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Fórum

Festival Internacional de Jornalismo dominado pelo tema das "notícias falsas"

As “notícias falsas” não se inscreveram para o Festival Internacional de Jornalismo de Perugia, em Itália, mas foram convocadas e estiveram presentes em praticamente todos os debates. Entre os muitos jornalistas e empresários dos media que animaram o evento, era evidente que o fenómeno das fake news, da “pós-verdade” e dos populismos que as alimentam e se alimentam delas acaba por ser, nos últimos tempos, o grande desafio do jornalismo responsável. E, nesta edição de 2017, “ficou claro que a indústria não tem uma solução definitiva para o grande problema”.

Houve, no entanto, uma proveitosa troca de experiências e de informação sobre projectos e investigações em curso. O relato desenvolvido destas intervenções é uma das peças importantes na mais recente edição de Cuadernos de Periodistas, agora divulgada no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.  

Para complicar as coisas, nem sempre as fake news são criadas com intenção política deliberada, mas com objectivo económico, conforme explicou Alexios Mantzarlis, responsável pela Rede Internacional de Verificação de Dados do Poynter Institute:

“Muitas vezes trata-se de anúncios escondidos por baixo de títulos de clic fácil e, para acrescentar mais confusão ao leitor, as notícias falsas misturam-se com as autênticas.” (...) 

Pela natureza instantânea da comunicação digital, links de toda a espécie acabam por chegar ao Facebook ou ao Twitter e são replicados até fartar. Pior do que isso, os boatos começam muitas vezes online, mas acabam também por ser publicados pelos media tradicionais, o que mostra a gravidade do problema. “Os meios de comunicação deviam fazer o seu trabalho melhor e mais rápido”  - disse Gaia Pianigiani, repórter de The New York Times em Roma. 

Um tema que foi discutido em paralelo com este, durante todo o Festival de Perugia, foi o dos populismos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. “O Presidente Donald Trump e a sua relação com os media foram protagnistas de muitas intervenções, mas também a Turquia e a Hungria, que aprenderam a usar as notícias falsas e os meios de comunicação em seu próprio benefício.” (...)


Um jornalista turco no exílio, Yavuz Baydar, recordou que a desinformação e os populismos andaram sempre juntos: “Não é nada de novo. Se lermos Goebbels, vemos que já então garantia que uma mentira muito repetida acaba por ser acreditada.” (...) 

O texto da reportagem actualiza a situação para o tempo corrente: 

“A desinformação sempre existiu, mas o que mudou foi a maneira de produzir e distribuir as notícias. Com as redes sociais, os defensores de um e de outro lado fecham-se nas suas convicções e bloqueiam as informações que as contradigam, incrementando o nível de desinformação. Os media também têm sido cúmplices, nos últimos anos, tomando decisões editoriais baseadas no número de clics ou visitantes ao seu website; também são mais relevantes do que nunca.” (...) 

“Durante o festival, o Public Data Lab, uma rede internacional e interdisciplinar que investiga o uso de dados públicos, apresentou o seu projecto A Field Guide to Fake News, no qual se oferecem diferentes receitas para defrontar e localizar notícias falsas. (...) Este guia está cheio de exercícios que procuram ensinar de que modo uma notícia viaja pelas redes sociais e como estas receitas podem ser usadas para melhorar o entendimento. Por outras palavras, garante que um jornalista poderá medir de que modo os artigos que desmentem uma notícia funcionam diante das próprias notícias falsas.” (...)

Mais informação na reportagem publicada em Cuadernos de Periodistas e no site do Festival Internacional de Perugia.
O vídeo do lançamento do Field Guide to Fake News

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...