Sexta-feira, 22 de Setembro, 2017
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Festival Internacional de Jornalismo dominado pelo tema das "notícias falsas"

As “notícias falsas” não se inscreveram para o Festival Internacional de Jornalismo de Perugia, em Itália, mas foram convocadas e estiveram presentes em praticamente todos os debates. Entre os muitos jornalistas e empresários dos media que animaram o evento, era evidente que o fenómeno das fake news, da “pós-verdade” e dos populismos que as alimentam e se alimentam delas acaba por ser, nos últimos tempos, o grande desafio do jornalismo responsável. E, nesta edição de 2017, “ficou claro que a indústria não tem uma solução definitiva para o grande problema”.

Houve, no entanto, uma proveitosa troca de experiências e de informação sobre projectos e investigações em curso. O relato desenvolvido destas intervenções é uma das peças importantes na mais recente edição de Cuadernos de Periodistas, agora divulgada no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.  

Para complicar as coisas, nem sempre as fake news são criadas com intenção política deliberada, mas com objectivo económico, conforme explicou Alexios Mantzarlis, responsável pela Rede Internacional de Verificação de Dados do Poynter Institute:

“Muitas vezes trata-se de anúncios escondidos por baixo de títulos de clic fácil e, para acrescentar mais confusão ao leitor, as notícias falsas misturam-se com as autênticas.” (...) 

Pela natureza instantânea da comunicação digital, links de toda a espécie acabam por chegar ao Facebook ou ao Twitter e são replicados até fartar. Pior do que isso, os boatos começam muitas vezes online, mas acabam também por ser publicados pelos media tradicionais, o que mostra a gravidade do problema. “Os meios de comunicação deviam fazer o seu trabalho melhor e mais rápido”  - disse Gaia Pianigiani, repórter de The New York Times em Roma. 

Um tema que foi discutido em paralelo com este, durante todo o Festival de Perugia, foi o dos populismos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. “O Presidente Donald Trump e a sua relação com os media foram protagnistas de muitas intervenções, mas também a Turquia e a Hungria, que aprenderam a usar as notícias falsas e os meios de comunicação em seu próprio benefício.” (...)


Um jornalista turco no exílio, Yavuz Baydar, recordou que a desinformação e os populismos andaram sempre juntos: “Não é nada de novo. Se lermos Goebbels, vemos que já então garantia que uma mentira muito repetida acaba por ser acreditada.” (...) 

O texto da reportagem actualiza a situação para o tempo corrente: 

“A desinformação sempre existiu, mas o que mudou foi a maneira de produzir e distribuir as notícias. Com as redes sociais, os defensores de um e de outro lado fecham-se nas suas convicções e bloqueiam as informações que as contradigam, incrementando o nível de desinformação. Os media também têm sido cúmplices, nos últimos anos, tomando decisões editoriais baseadas no número de clics ou visitantes ao seu website; também são mais relevantes do que nunca.” (...) 

“Durante o festival, o Public Data Lab, uma rede internacional e interdisciplinar que investiga o uso de dados públicos, apresentou o seu projecto A Field Guide to Fake News, no qual se oferecem diferentes receitas para defrontar e localizar notícias falsas. (...) Este guia está cheio de exercícios que procuram ensinar de que modo uma notícia viaja pelas redes sociais e como estas receitas podem ser usadas para melhorar o entendimento. Por outras palavras, garante que um jornalista poderá medir de que modo os artigos que desmentem uma notícia funcionam diante das próprias notícias falsas.” (...)

Mais informação na reportagem publicada em Cuadernos de Periodistas e no site do Festival Internacional de Perugia.
O vídeo do lançamento do Field Guide to Fake News

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
Na semana passada aconteceu o que há muito se esperava – um dos maiores grupos de comunicação anunciou que vai encerrar ou vender a maior parte dos seus títulos de imprensa. A braços com um endividamente gigantesco, acaba por reconhecer que as receitas que obtém, quando existem, são insuficientes para inverter a situação criada ao longo de anos. O cenário actual complica tudo: é devastador folhear um jornal...
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Peter Barbey, actual proprietário (desde 2015) do The Village Voice, anunciou em 22 de Agosto o fim da edição impressa do semanário nova-iorquino, após 62 anos de publicação, continuando a ser produzida a versão digital. A edição impressa – gratuita desde há 21 anos -  tinha actualmente uma tiragem de 120 mil exemplares, enquanto a versão digital, segundo a comScore (empresa de análise de...
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