Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Fórum

Festival Internacional de Jornalismo dominado pelo tema das "notícias falsas"

As “notícias falsas” não se inscreveram para o Festival Internacional de Jornalismo de Perugia, em Itália, mas foram convocadas e estiveram presentes em praticamente todos os debates. Entre os muitos jornalistas e empresários dos media que animaram o evento, era evidente que o fenómeno das fake news, da “pós-verdade” e dos populismos que as alimentam e se alimentam delas acaba por ser, nos últimos tempos, o grande desafio do jornalismo responsável. E, nesta edição de 2017, “ficou claro que a indústria não tem uma solução definitiva para o grande problema”.

Houve, no entanto, uma proveitosa troca de experiências e de informação sobre projectos e investigações em curso. O relato desenvolvido destas intervenções é uma das peças importantes na mais recente edição de Cuadernos de Periodistas, agora divulgada no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.  

Para complicar as coisas, nem sempre as fake news são criadas com intenção política deliberada, mas com objectivo económico, conforme explicou Alexios Mantzarlis, responsável pela Rede Internacional de Verificação de Dados do Poynter Institute:

“Muitas vezes trata-se de anúncios escondidos por baixo de títulos de clic fácil e, para acrescentar mais confusão ao leitor, as notícias falsas misturam-se com as autênticas.” (...) 

Pela natureza instantânea da comunicação digital, links de toda a espécie acabam por chegar ao Facebook ou ao Twitter e são replicados até fartar. Pior do que isso, os boatos começam muitas vezes online, mas acabam também por ser publicados pelos media tradicionais, o que mostra a gravidade do problema. “Os meios de comunicação deviam fazer o seu trabalho melhor e mais rápido”  - disse Gaia Pianigiani, repórter de The New York Times em Roma. 

Um tema que foi discutido em paralelo com este, durante todo o Festival de Perugia, foi o dos populismos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. “O Presidente Donald Trump e a sua relação com os media foram protagnistas de muitas intervenções, mas também a Turquia e a Hungria, que aprenderam a usar as notícias falsas e os meios de comunicação em seu próprio benefício.” (...)


Um jornalista turco no exílio, Yavuz Baydar, recordou que a desinformação e os populismos andaram sempre juntos: “Não é nada de novo. Se lermos Goebbels, vemos que já então garantia que uma mentira muito repetida acaba por ser acreditada.” (...) 

O texto da reportagem actualiza a situação para o tempo corrente: 

“A desinformação sempre existiu, mas o que mudou foi a maneira de produzir e distribuir as notícias. Com as redes sociais, os defensores de um e de outro lado fecham-se nas suas convicções e bloqueiam as informações que as contradigam, incrementando o nível de desinformação. Os media também têm sido cúmplices, nos últimos anos, tomando decisões editoriais baseadas no número de clics ou visitantes ao seu website; também são mais relevantes do que nunca.” (...) 

“Durante o festival, o Public Data Lab, uma rede internacional e interdisciplinar que investiga o uso de dados públicos, apresentou o seu projecto A Field Guide to Fake News, no qual se oferecem diferentes receitas para defrontar e localizar notícias falsas. (...) Este guia está cheio de exercícios que procuram ensinar de que modo uma notícia viaja pelas redes sociais e como estas receitas podem ser usadas para melhorar o entendimento. Por outras palavras, garante que um jornalista poderá medir de que modo os artigos que desmentem uma notícia funcionam diante das próprias notícias falsas.” (...)

Mais informação na reportagem publicada em Cuadernos de Periodistas e no site do Festival Internacional de Perugia.
O vídeo do lançamento do Field Guide to Fake News

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião
As redes sociais e o passado
Francisco Sarsfield Cabral
O semanário britânico The Economist, geralmente um entusiasta do progresso científico e tecnológico, dedicou a capa e o primeiro editorial de um seu recente número a uma crítica severa às redes sociais. Estas, em vez de contribuírem para o esclarecimento público e o debate racional (como inicialmente se esperava), multiplicam mentiras e falsidades – por exemplo, as milhares de intromissões russas no Facebook e no...
Quem achar que a Amazon é apenas um vendedor de livros ou de discos está enganado, e muito. A Amazon tem estado no último ano a alargar o seu espectro de acção, comprando cadeias de retalhistas, oferecendo novos serviços através de parcerias que estabelece nas mais diversas áreas e, sobretudo, está a começar a utilizar o enorme conhecimento que tem sobre os hábitos dos seus clientes. Poucas empresas da nova economia...
O  estado dos media americanos continua a inspirar apreensão, e desenvolvimentos reportados desde o verão têem acentuado os motivos de preocupação, com poucas  excepções. Os relatórios do Pew Research Center – organização não-partidária com sede em Washington, fundada em 2004, dedicada ao estudo da evolução de sectores como o jornalismo, demografia, política e opinião...
Ao completar 25 anos, a SIC  cresceu, mas não se emancipou nem libertou o seu criador de preocupações. Francisco Pinto Balsemão, com 80 anos feitos, merecia um sossego que não tem, perante a crise que atingiu o Grupo de media que construiu do zero . Balsemão ganhou vários desafios, alguns deles complexos, desde que lançou o Expresso nos idos de 70 do século passado - o seu “navio-almirante”, como gosta de...
Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Agenda
27
Nov
10º Congresso Sopcom
09:00 @ Viseu
27
Nov
Formação sobre podcasts
09:00 @ Cenjor,Lisboa
28
Nov
29
Nov
SEO para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa