Sábado, 25 de Maio, 2019
Novas iniciativas

Escola de jornalismo jovem no Brasil divulga Manual de Diversidade

Um manual de diversidade concebido como “um guia aberto e não definitivo para uma prática jornalística mais consciente”, criado “de maneira colaborativa por um grupo de jornalistas do centro e das periferias”. Este é um dos projectos do movimento Énois – Inteligência Jovem, que criou a primeira escola online de jornalismo no Brasil, voltada para o público jovem, aqui apresentado no Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria. 

O texto de introdução do Manual de Diversidade no Jornalismo começa por recordar que “a imprensa no Brasil nasceu das mãos de D. João VI para registrar o que acontecia na colónia e, desde então, continuou nas mãos de quem tinha mais poder aquisitivo. E isso rende problemas até hoje, como a falta de diversidade nas redacções, no público-alvo, nos processos selectivos, na chefia, nas fontes procuradas e até mesmo na linguagem utilizada para falar de tudo isso”. 

O primeiro capítulo pronuncia-se sobre a concentração económica dos media, “que reflecte também os interesses de grupos específicos, com demandas específicas”, recordando que a ONG Repórteres sem Fronteiras rebaixou o Brasil, em 2016, cinco posições no seu ranking, para o 104º lugar de um conjunto de 180 países, precisamente pelo nível de concentração dos seus meios de comunicação. 

O Manual de Diversidade no Jornalismo é um documento de pouco mais de 30 páginas, com texto e imagem repartidos por sete capítulos de consulta simples e apelativa, sobre os seguintes temas:

  1. – Representatividade e Agenda Pública
  2. – Diálogo com a Sociedade
  3. – Processo Selectivo
  4. – Cargos de Chefia
  5. – Diversificar as Fontes
  6. – Linguagem Responsável e Acessível
  7. – Empatia.

Segundo a história contada no seu próprio site, "a Énois nasceu em 2009, fundada pelas jornalistas Amanda Rahra e Nina Weingrill a partir de um trabalho de formação voluntário no Capão Redondo, um dos bairros mais violentos da periferia paulistana. Depois de formarem 300 estudantes em cursos presenciais, a dupla resolveu dar um passo adiante para alcançar um número maior de pessoas e partiu para o ensino online".

"Em Outubro de 2014 criaram a primeira escola online de jornalismo do Brasil voltada ao público jovem, a Escola de Jornalismo. Nela, cursos gratuitos são apresentados por meio de aulas por vídeo, instrutores especialistas e materiais de referência num formato de tutorial, inovando a linguagem utilizada para educação online. Hoje a plataforma já conta com mais de 4 mil alunos inscritos."


 

A apresentação do Manual no Observatório da Imprensa, o seu acesso online e a história do movimento Énois – Inteligência Jovem

 

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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