Sábado, 20 de Outubro, 2018
Novas iniciativas

Escola de jornalismo jovem no Brasil divulga Manual de Diversidade

Um manual de diversidade concebido como “um guia aberto e não definitivo para uma prática jornalística mais consciente”, criado “de maneira colaborativa por um grupo de jornalistas do centro e das periferias”. Este é um dos projectos do movimento Énois – Inteligência Jovem, que criou a primeira escola online de jornalismo no Brasil, voltada para o público jovem, aqui apresentado no Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria. 

O texto de introdução do Manual de Diversidade no Jornalismo começa por recordar que “a imprensa no Brasil nasceu das mãos de D. João VI para registrar o que acontecia na colónia e, desde então, continuou nas mãos de quem tinha mais poder aquisitivo. E isso rende problemas até hoje, como a falta de diversidade nas redacções, no público-alvo, nos processos selectivos, na chefia, nas fontes procuradas e até mesmo na linguagem utilizada para falar de tudo isso”. 

O primeiro capítulo pronuncia-se sobre a concentração económica dos media, “que reflecte também os interesses de grupos específicos, com demandas específicas”, recordando que a ONG Repórteres sem Fronteiras rebaixou o Brasil, em 2016, cinco posições no seu ranking, para o 104º lugar de um conjunto de 180 países, precisamente pelo nível de concentração dos seus meios de comunicação. 

O Manual de Diversidade no Jornalismo é um documento de pouco mais de 30 páginas, com texto e imagem repartidos por sete capítulos de consulta simples e apelativa, sobre os seguintes temas:

  1. – Representatividade e Agenda Pública
  2. – Diálogo com a Sociedade
  3. – Processo Selectivo
  4. – Cargos de Chefia
  5. – Diversificar as Fontes
  6. – Linguagem Responsável e Acessível
  7. – Empatia.

Segundo a história contada no seu próprio site, "a Énois nasceu em 2009, fundada pelas jornalistas Amanda Rahra e Nina Weingrill a partir de um trabalho de formação voluntário no Capão Redondo, um dos bairros mais violentos da periferia paulistana. Depois de formarem 300 estudantes em cursos presenciais, a dupla resolveu dar um passo adiante para alcançar um número maior de pessoas e partiu para o ensino online".

"Em Outubro de 2014 criaram a primeira escola online de jornalismo do Brasil voltada ao público jovem, a Escola de Jornalismo. Nela, cursos gratuitos são apresentados por meio de aulas por vídeo, instrutores especialistas e materiais de referência num formato de tutorial, inovando a linguagem utilizada para educação online. Hoje a plataforma já conta com mais de 4 mil alunos inscritos."


 

A apresentação do Manual no Observatório da Imprensa, o seu acesso online e a história do movimento Énois – Inteligência Jovem

 

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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