Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Estudo confirma jornais menos lidos mas mais confiáveis

A boa notícia é que os jornais impressos continuam a ter prestígio; a má é que, apesar disso, são o meio de comunicação menos lido. É a conclusão que propõe o comentário de apresentação de um inquérito muito recente, realizado no Reino Unido, sobre os hábitos de consumo de notícias e o seu grau de fiabilidade e de preferência reconhecida pelos leitores.

Segundo este texto, que citamos de Media-tics, à pergunta de como se mantêm actualizados do ponto de vista das notícias, 31% dos entrevistados respondem que é pela televisão, seguida a alguma distância pelos diários online com as suas aplicações (24%) e ainda  a maior distância pelas redes sociais (18%). 

Os jornais impressos e os noticiários radiofónicos são escolhidos, em ambos os casos, por 7%.

Mas a situação dá uma grande volta quando se trata de escolher o meio que tem mais probabilidade de proporcionar uma informação fidedigna e validada pelos factos. Neste ponto, 61% dos entrevistados nomeiam os jornais de grande formato e 52% as emissoras nacionais. Os conteúdos que se partilham nas redes sociais, e que são seguidos por muitos, só recolhem a confiança de cerca de 4%. 

Mas o sentido das respostas também depende muito do modo como se faz a pergunta. É neste ponto que a profissão do jornalismo leva um “balde de água fria”, quando a questão formulada é sobre “em quem confiaria mais, para lhe transmitir uma reportagem fiável, e factualmente verificada”, só 30% mencionam um jornalista, enquanto 45% preferem “um membro do público presente na cena”... 

O estudo foi realizado pela Morar Researsch para a agência de vídeo Newsflare, sobre duas mil entrevistas. 

 

Mais informação em Media-Tics, que cita a PressGazette

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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