Sábado, 25 de Maio, 2019
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Pesquisas no Google são o "divã de psicanálise do séc. XXI"

Os milhões de pedidos formulados todos os dias no motor de busca do Google são uma autêntica “mina de ouro” para os anunciantes  - mas também para os investigadores em ciências sociais. Uma análise daquilo que os internautas perguntam denuncia as suas questões mais “tabu” e as suas opiniões mais embaraçosas. O Google tornou-se “o verdadeiro divã do séc.XXI”. Esta revelação é de um especialista em dados, que trabalhou lá dentro e agora escreve para os jornais e já publicou um livro. 

O autor, Seth Stephens-Davidowitz, licenciado em Economia em Harvard, começa por dizer que os habituais estudos de opinião trazem consigo muitas ideias tendenciosas, e dá como exemplo um inquérito de 1950 sobre os habitantes de Denver. A percentagem das pessoas que declaravam ter votado, ou ter contribuído para uma instituição de caridade, era bastante mais elevada do que os números reais  - e, no entanto, os questionários eram anónimos.  

O seu livro tem um título revelador e perturbante: “Everybody Lies: What the Internet Can Tell Us About Who We Really Are” (“Toda a gente mente: o que nos diz a Internet sobre aquilo que realmente somos”).  

“Doenças mentais, sexualidade humana, aborto, religião, saúde. Passei quatro anos a analisar os dados anónimos do Google para os Estados Unidos. (…)  Estou agora convencido de que as buscas do Google são o conjunto de dados mais importante jamais recolhido sobre o psiquismo humano”  -  afirma Seth Stephens-Davidowitz.”  

Alguns dos resultados dessa pesquisa, segundo uma síntese já publicada pelo diário britânico The Guardian

Sobre o tema muito íntimo da sexualidade, “as pessoas mentem aos amigos, aos amantes, aos médicos e mesmo a si mesmas”. Segundo os dados do Google, a principal queixa no seio dos pares casados é a falta de relações sexuais. As buscas por “casamento sem sexo” são três vezes mais frequentes do que por “casamento infeliz”, e oito vezes mais frequentes do que por “casamento sem amor”. As queixas são igualmente partilhadas por maridos e esposas.  

E este tema gera “uma enorme ansiedade”, sublinha o especialista, adiantando que “os homens fazem mais perguntas sobre o seu órgão sexual do que sobre qualquer outra parte do seu corpo”.  

Os Big Data do Google revelam-se um bom “soro da verdade” quanto a preconceitos, diz ainda Seth Stephens-Davidowitz. O utentes formulam pedidos de busca juntando “afro-americanos” e “grosseiro”, ou “judeus” e “maus”, ou ainda “homossexual” e “maléfico”. O autor ficou particularmente chocado por descobrir que o termo nigger [expressão pejorativa para “negro”] aparece incluído em sete milhões de buscas todos os anos. As pesquisas com discurso de ódio envolvendo o termo “muçulmano” são igualmente numerosas.

 

 

Mais informação no artigo de Les Echos, que aqui citamos, e em The Guardian

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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