Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
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Pesquisas no Google são o "divã de psicanálise do séc. XXI"

Os milhões de pedidos formulados todos os dias no motor de busca do Google são uma autêntica “mina de ouro” para os anunciantes  - mas também para os investigadores em ciências sociais. Uma análise daquilo que os internautas perguntam denuncia as suas questões mais “tabu” e as suas opiniões mais embaraçosas. O Google tornou-se “o verdadeiro divã do séc.XXI”. Esta revelação é de um especialista em dados, que trabalhou lá dentro e agora escreve para os jornais e já publicou um livro. 

O autor, Seth Stephens-Davidowitz, licenciado em Economia em Harvard, começa por dizer que os habituais estudos de opinião trazem consigo muitas ideias tendenciosas, e dá como exemplo um inquérito de 1950 sobre os habitantes de Denver. A percentagem das pessoas que declaravam ter votado, ou ter contribuído para uma instituição de caridade, era bastante mais elevada do que os números reais  - e, no entanto, os questionários eram anónimos.  

O seu livro tem um título revelador e perturbante: “Everybody Lies: What the Internet Can Tell Us About Who We Really Are” (“Toda a gente mente: o que nos diz a Internet sobre aquilo que realmente somos”).  

“Doenças mentais, sexualidade humana, aborto, religião, saúde. Passei quatro anos a analisar os dados anónimos do Google para os Estados Unidos. (…)  Estou agora convencido de que as buscas do Google são o conjunto de dados mais importante jamais recolhido sobre o psiquismo humano”  -  afirma Seth Stephens-Davidowitz.”  

Alguns dos resultados dessa pesquisa, segundo uma síntese já publicada pelo diário britânico The Guardian

Sobre o tema muito íntimo da sexualidade, “as pessoas mentem aos amigos, aos amantes, aos médicos e mesmo a si mesmas”. Segundo os dados do Google, a principal queixa no seio dos pares casados é a falta de relações sexuais. As buscas por “casamento sem sexo” são três vezes mais frequentes do que por “casamento infeliz”, e oito vezes mais frequentes do que por “casamento sem amor”. As queixas são igualmente partilhadas por maridos e esposas.  

E este tema gera “uma enorme ansiedade”, sublinha o especialista, adiantando que “os homens fazem mais perguntas sobre o seu órgão sexual do que sobre qualquer outra parte do seu corpo”.  

Os Big Data do Google revelam-se um bom “soro da verdade” quanto a preconceitos, diz ainda Seth Stephens-Davidowitz. O utentes formulam pedidos de busca juntando “afro-americanos” e “grosseiro”, ou “judeus” e “maus”, ou ainda “homossexual” e “maléfico”. O autor ficou particularmente chocado por descobrir que o termo nigger [expressão pejorativa para “negro”] aparece incluído em sete milhões de buscas todos os anos. As pesquisas com discurso de ódio envolvendo o termo “muçulmano” são igualmente numerosas.

 

 

Mais informação no artigo de Les Echos, que aqui citamos, e em The Guardian

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Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

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