Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
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Pesquisas no Google são o "divã de psicanálise do séc. XXI"

Os milhões de pedidos formulados todos os dias no motor de busca do Google são uma autêntica “mina de ouro” para os anunciantes  - mas também para os investigadores em ciências sociais. Uma análise daquilo que os internautas perguntam denuncia as suas questões mais “tabu” e as suas opiniões mais embaraçosas. O Google tornou-se “o verdadeiro divã do séc.XXI”. Esta revelação é de um especialista em dados, que trabalhou lá dentro e agora escreve para os jornais e já publicou um livro. 

O autor, Seth Stephens-Davidowitz, licenciado em Economia em Harvard, começa por dizer que os habituais estudos de opinião trazem consigo muitas ideias tendenciosas, e dá como exemplo um inquérito de 1950 sobre os habitantes de Denver. A percentagem das pessoas que declaravam ter votado, ou ter contribuído para uma instituição de caridade, era bastante mais elevada do que os números reais  - e, no entanto, os questionários eram anónimos.  

O seu livro tem um título revelador e perturbante: “Everybody Lies: What the Internet Can Tell Us About Who We Really Are” (“Toda a gente mente: o que nos diz a Internet sobre aquilo que realmente somos”).  

“Doenças mentais, sexualidade humana, aborto, religião, saúde. Passei quatro anos a analisar os dados anónimos do Google para os Estados Unidos. (…)  Estou agora convencido de que as buscas do Google são o conjunto de dados mais importante jamais recolhido sobre o psiquismo humano”  -  afirma Seth Stephens-Davidowitz.”  

Alguns dos resultados dessa pesquisa, segundo uma síntese já publicada pelo diário britânico The Guardian

Sobre o tema muito íntimo da sexualidade, “as pessoas mentem aos amigos, aos amantes, aos médicos e mesmo a si mesmas”. Segundo os dados do Google, a principal queixa no seio dos pares casados é a falta de relações sexuais. As buscas por “casamento sem sexo” são três vezes mais frequentes do que por “casamento infeliz”, e oito vezes mais frequentes do que por “casamento sem amor”. As queixas são igualmente partilhadas por maridos e esposas.  

E este tema gera “uma enorme ansiedade”, sublinha o especialista, adiantando que “os homens fazem mais perguntas sobre o seu órgão sexual do que sobre qualquer outra parte do seu corpo”.  

Os Big Data do Google revelam-se um bom “soro da verdade” quanto a preconceitos, diz ainda Seth Stephens-Davidowitz. O utentes formulam pedidos de busca juntando “afro-americanos” e “grosseiro”, ou “judeus” e “maus”, ou ainda “homossexual” e “maléfico”. O autor ficou particularmente chocado por descobrir que o termo nigger [expressão pejorativa para “negro”] aparece incluído em sete milhões de buscas todos os anos. As pesquisas com discurso de ódio envolvendo o termo “muçulmano” são igualmente numerosas.

 

 

Mais informação no artigo de Les Echos, que aqui citamos, e em The Guardian

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Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

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