Sábado, 20 de Outubro, 2018
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Pesquisas no Google são o "divã de psicanálise do séc. XXI"

Os milhões de pedidos formulados todos os dias no motor de busca do Google são uma autêntica “mina de ouro” para os anunciantes  - mas também para os investigadores em ciências sociais. Uma análise daquilo que os internautas perguntam denuncia as suas questões mais “tabu” e as suas opiniões mais embaraçosas. O Google tornou-se “o verdadeiro divã do séc.XXI”. Esta revelação é de um especialista em dados, que trabalhou lá dentro e agora escreve para os jornais e já publicou um livro. 

O autor, Seth Stephens-Davidowitz, licenciado em Economia em Harvard, começa por dizer que os habituais estudos de opinião trazem consigo muitas ideias tendenciosas, e dá como exemplo um inquérito de 1950 sobre os habitantes de Denver. A percentagem das pessoas que declaravam ter votado, ou ter contribuído para uma instituição de caridade, era bastante mais elevada do que os números reais  - e, no entanto, os questionários eram anónimos.  

O seu livro tem um título revelador e perturbante: “Everybody Lies: What the Internet Can Tell Us About Who We Really Are” (“Toda a gente mente: o que nos diz a Internet sobre aquilo que realmente somos”).  

“Doenças mentais, sexualidade humana, aborto, religião, saúde. Passei quatro anos a analisar os dados anónimos do Google para os Estados Unidos. (…)  Estou agora convencido de que as buscas do Google são o conjunto de dados mais importante jamais recolhido sobre o psiquismo humano”  -  afirma Seth Stephens-Davidowitz.”  

Alguns dos resultados dessa pesquisa, segundo uma síntese já publicada pelo diário britânico The Guardian

Sobre o tema muito íntimo da sexualidade, “as pessoas mentem aos amigos, aos amantes, aos médicos e mesmo a si mesmas”. Segundo os dados do Google, a principal queixa no seio dos pares casados é a falta de relações sexuais. As buscas por “casamento sem sexo” são três vezes mais frequentes do que por “casamento infeliz”, e oito vezes mais frequentes do que por “casamento sem amor”. As queixas são igualmente partilhadas por maridos e esposas.  

E este tema gera “uma enorme ansiedade”, sublinha o especialista, adiantando que “os homens fazem mais perguntas sobre o seu órgão sexual do que sobre qualquer outra parte do seu corpo”.  

Os Big Data do Google revelam-se um bom “soro da verdade” quanto a preconceitos, diz ainda Seth Stephens-Davidowitz. O utentes formulam pedidos de busca juntando “afro-americanos” e “grosseiro”, ou “judeus” e “maus”, ou ainda “homossexual” e “maléfico”. O autor ficou particularmente chocado por descobrir que o termo nigger [expressão pejorativa para “negro”] aparece incluído em sete milhões de buscas todos os anos. As pesquisas com discurso de ódio envolvendo o termo “muçulmano” são igualmente numerosas.

 

 

Mais informação no artigo de Les Echos, que aqui citamos, e em The Guardian

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Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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