Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

“The Wall Street Journal” em queda mexe na redacção

Depois de um ano de 2016 com grandes quebras na sua receita publicitária, The Wall Street Journal admite, em documentos internos, que está a passar por “tempos difíceis”. Esforça-se agora por se tornar uma empresa mais digital e voltada para os dispositivos móveis. O passo seguinte é uma reorganização do seu corpo redactorial, depois de ter reconhecido, entre outros, que tinha um problema de igualdade de género.

The Wall Street Journal parecia um desses gigantes da Imprensa imune à crise que afectava o resto do sector.” No entanto, e segundo informação de Media-tics, que aqui citamos, “desde que o título passou a ser propriedade de Rupert Murdoch que não experimentava uma situação tão incerta”. 

No seu primeiro trimestre fiscal, registou uma quebra de 21% na receita publicitária. “A primeira medida que tomaram para reduzir custos foi reunir várias secções da edição impressa. (...) Os planos vão mais longe e incluem o desprendimento de parte importante das edições impressas na Europa e na Ásia.” (...) 

“O projecto WSJ2020 pretende converter o diário numa empresa cada vez mais digital e móvel. Segundo a Dow Jones, proprietária do jornal, no ano passado as assinaturas digitais duplicaram na Ásia e cresceram 48% na Europa. No primeiro trimestre de 2017, foram acrescentados 118 mil assinantes no digital aos quase 1,2 milhões [já existentes].” 

“Ainda que estes dados pareçam esperançosos, o certo é que na empresa assumiram como meta chegar aos três milhões de assinantes em 2017, um número que parece distante. A sua férrea pay-wall tornou-se uma grande fonte de receitas... mas também a sua própria laje.” 

A reestruturação teve que assumir que “uma empresa que pretenda ser um referencial no novo século não pode admitir uma redacção em que as mulheres mal tenham representação em postos importantes, ou que ganhem menos do que os homens”: 

“Depois de receber numerosas críticas internas e da sociedade americana, a Dow Jones emitiu um comunicado em que reconhecia este problema e se propunha contratar um especialista em diversidade e travar a desigualdade de género, raça, etnia, orientação sexual ou incapacidade”.

 

Mais informação em Media-tics

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Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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