Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

“The Wall Street Journal” em queda mexe na redacção

Depois de um ano de 2016 com grandes quebras na sua receita publicitária, The Wall Street Journal admite, em documentos internos, que está a passar por “tempos difíceis”. Esforça-se agora por se tornar uma empresa mais digital e voltada para os dispositivos móveis. O passo seguinte é uma reorganização do seu corpo redactorial, depois de ter reconhecido, entre outros, que tinha um problema de igualdade de género.

The Wall Street Journal parecia um desses gigantes da Imprensa imune à crise que afectava o resto do sector.” No entanto, e segundo informação de Media-tics, que aqui citamos, “desde que o título passou a ser propriedade de Rupert Murdoch que não experimentava uma situação tão incerta”. 

No seu primeiro trimestre fiscal, registou uma quebra de 21% na receita publicitária. “A primeira medida que tomaram para reduzir custos foi reunir várias secções da edição impressa. (...) Os planos vão mais longe e incluem o desprendimento de parte importante das edições impressas na Europa e na Ásia.” (...) 

“O projecto WSJ2020 pretende converter o diário numa empresa cada vez mais digital e móvel. Segundo a Dow Jones, proprietária do jornal, no ano passado as assinaturas digitais duplicaram na Ásia e cresceram 48% na Europa. No primeiro trimestre de 2017, foram acrescentados 118 mil assinantes no digital aos quase 1,2 milhões [já existentes].” 

“Ainda que estes dados pareçam esperançosos, o certo é que na empresa assumiram como meta chegar aos três milhões de assinantes em 2017, um número que parece distante. A sua férrea pay-wall tornou-se uma grande fonte de receitas... mas também a sua própria laje.” 

A reestruturação teve que assumir que “uma empresa que pretenda ser um referencial no novo século não pode admitir uma redacção em que as mulheres mal tenham representação em postos importantes, ou que ganhem menos do que os homens”: 

“Depois de receber numerosas críticas internas e da sociedade americana, a Dow Jones emitiu um comunicado em que reconhecia este problema e se propunha contratar um especialista em diversidade e travar a desigualdade de género, raça, etnia, orientação sexual ou incapacidade”.

 

Mais informação em Media-tics

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Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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