null, 26 de Maio, 2019
Media

“The Wall Street Journal” em queda mexe na redacção

Depois de um ano de 2016 com grandes quebras na sua receita publicitária, The Wall Street Journal admite, em documentos internos, que está a passar por “tempos difíceis”. Esforça-se agora por se tornar uma empresa mais digital e voltada para os dispositivos móveis. O passo seguinte é uma reorganização do seu corpo redactorial, depois de ter reconhecido, entre outros, que tinha um problema de igualdade de género.

The Wall Street Journal parecia um desses gigantes da Imprensa imune à crise que afectava o resto do sector.” No entanto, e segundo informação de Media-tics, que aqui citamos, “desde que o título passou a ser propriedade de Rupert Murdoch que não experimentava uma situação tão incerta”. 

No seu primeiro trimestre fiscal, registou uma quebra de 21% na receita publicitária. “A primeira medida que tomaram para reduzir custos foi reunir várias secções da edição impressa. (...) Os planos vão mais longe e incluem o desprendimento de parte importante das edições impressas na Europa e na Ásia.” (...) 

“O projecto WSJ2020 pretende converter o diário numa empresa cada vez mais digital e móvel. Segundo a Dow Jones, proprietária do jornal, no ano passado as assinaturas digitais duplicaram na Ásia e cresceram 48% na Europa. No primeiro trimestre de 2017, foram acrescentados 118 mil assinantes no digital aos quase 1,2 milhões [já existentes].” 

“Ainda que estes dados pareçam esperançosos, o certo é que na empresa assumiram como meta chegar aos três milhões de assinantes em 2017, um número que parece distante. A sua férrea pay-wall tornou-se uma grande fonte de receitas... mas também a sua própria laje.” 

A reestruturação teve que assumir que “uma empresa que pretenda ser um referencial no novo século não pode admitir uma redacção em que as mulheres mal tenham representação em postos importantes, ou que ganhem menos do que os homens”: 

“Depois de receber numerosas críticas internas e da sociedade americana, a Dow Jones emitiu um comunicado em que reconhecia este problema e se propunha contratar um especialista em diversidade e travar a desigualdade de género, raça, etnia, orientação sexual ou incapacidade”.

 

Mais informação em Media-tics

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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