Terça-feira, 26 de Outubro, 2021
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O 25 de Novembro 40 anos depois: os conflitos nos Media

Os conflitos que dividiam a sociedade portuguesa, ao longo do “Verão quente” de 1975, polarizaram também os meios de comunicação. Os jornalistas foram testemunhas, protagonistas e, por vezes, vítimas do processo de que participavam. Quatro jornalistas que estiveram lá contaram a sua experiência, num colóquio intitulado “O 25 de Novembro e a Comunicação Social”, realizado no dia 4 na Fundação Calouste Gulbenkian.

Integrado num ciclo de colóquios e conferências comemorativo do 25 de Novembro, realizou-se na Fundação Calouste Gulbenkian um painel em que quatro jornalistas fizeram o exercício de memória e testemunho do que viram e viveram nesse tempo conturbado. Foram eles Maria João Avillez, Dinis de Abreu, José Manuel Fernandes e Mário Mesquita, tendo como moderador Francisco Sarsfield Cabral.

Na primeira intervenção,  Maria João Avilez evocou “a vertigem tumultuosa daqueles dias”, em que “o País espantava-se com o desconcerto e confundia-se com o excesso, enquanto no Expresso nós reportávamos, contávamos, entrevistávamos e ouvíamos”.

“O desconcerto e o excesso tinham a assinatura de uma ínfima parte de Portugal, que em confronto com a outra impunha, mais que propunha, um modelo, uma sociedade e uma Pátria que nunca aqui poderia ter lugar  - mas que era imperativo que parecesse que poderia, pelo menos antes de concluir com êxito o terceiro D”  - de  Descolonizar. (.../...)  “Basta recordar a demissão de Spínola no final de Setembro para nos lembrarmos que ela tinha a África ex-portuguesa em pano de fundo.”

Recordou, a seguir, as eleições de 25 de Abril de 75, “o milagre no meio da tormenta, autorizado por Costa Gomes contra a maré radical e as tremendas divisões das Forças Armadas”, e que “foi depois dessas eleições que a Informação em Portugal pôde separar com nitidez o que era jornalismo de propaganda do que era jornalismo de notícia ou interpretação do sentir dos acontecimentos; foi a indicação objectiva do que haviam sido as preferências políticas da sociedade portuguesa, que abriu para os jornalistas um espaço de liberdade e, ao mesmo tempo, de responsabilidade.”

Maria João Avilez sublinhou o papel do Expresso em todo este processo, afirmando:  “Tenho a pura noção de que, ter vivido tudo isto no Expresso, fez de mim não apenas uma jornalista, mas sobretudo uma grande privilegiada.  (.../...)  Congratulei-me porque, apesar de o jornal abrigar escribas revolucionários enragés, patetas uns, perigosos outros, mas todos eles intimidatórios, o Expresso nunca se enganou de combate. Ou como, apesar de lá pontificar um dos três fundadores do PPD, na pessoa do director do jornal, as folhas do Expresso constituíram um imenso leque sempre aberto, de informações e opiniões plurais.”

Depois de ter evocado os principais protagonistas do 25 de Novembro, disse ainda:  “O País assinou por debaixo do 25 de Abril porque, por detrás da revolução de poucos, escondia-se a democracia de todos os outros. Percebendo tudo isto, o Expresso transmitiu tudo isto. Mas o coro da Comunicação Social não cantou a uma só voz e destoou no tom. Politicamente, o 25 de Abril foi aplaudido por 90% dos portugueses, mas não por 90% dos jornalistas  - como de certa forma ainda hoje ocorre, e ocorre porque a raiz da fronda plantada em 74 nunca deixou de ser adubada desde então, e resume-se a isto: à legitimidade de uns jornalistas para dizerem e intervirem, nunca correspondeu, até hoje, a natural legitimidade dos outros.”  E a concluir:

“Aprendi muito, vi tudo, não esqueci nada. E por isso tenho legitimidade para enfatizar e louvar o tão ímpar quanto invulgar papel que o Expresso teve no antes, no durante e no depois do 25 de Novembro de 1975. Tenho orgulho em ter lá estado e sempre de serviço. O jornalismo português cresceu com o semanário Expresso.” 

 

Falou a seguir Dinis de Abreu, que começou por evocar o extinto Diário Popular, onde viveu tanto o 25 de Abril como o 25 de Novembro: 

“Em ambos os casos festejei, com euforia, a recuperação da liberdade  de escrever sem censura. Por estranho que  pareça, foi assim mesmo. Reencontrei-me depois de Abril com outras censuras, tão assumidas como  asfixiantes.”  Descreveu os conflitos internos, na redacção, com predomínio dos jornalistas filiados ou “aparecidos à pressa no PCP”, que “só não era absoluto porque, além de um pequeno núcleo de jornalistas democratas, sem clube partidário, havia outros colegas identificados com a extrema esquerda  – trotskistas e maoistas -, que já nessa altura se digladiavam com o PCP e tinham-no como adversário mais temível.”  E adiantou:

“Estava criada uma atmosfera densa, de cortar à faca, onde quem não quisesse  partilhar do jargão marxista-leninista corria o sério risco de ser proscrito. E quem não aguentasse, a pé firme, os intermináveis plenários da redacção, poderia acordar no dia seguinte com as piores surpresas, vindas de moções aprovadas de braço no ar. Estive por dentro de muitos plenários, eleito pelos  órgãos representativos dos jornalistas, e sei bem do que falo.”

Depois de lembrar o nome de José Manuel Rodrigues da Silva, já falecido, jornalista “generoso e brilhante” e “um tribuno admirável vindo das lutas académicas, homem de esquerda combativo, inteligente e destemido perante plenários hostis”, prosseguiu:

“Depois dos plenários agitados da redacção do Diário Popular, vivi a ressaca do 25 de Novembro na redacção do Diário de Noticias, na qual ingressei, em Janeiro de 76, pela mão do saudoso Victor Cunha Rego, cumpliciado com o Mário Mesquita, aqui presente neste painel. Felizmente que vinha habilitado do Diário Popular com uma razoável blindagem, o que me permitiu suportar  as investidas da ‘tropa de choque’ plantada pela direcção de José Saramago.”

E mais adiante: “A gestão editorial não era fácil e a recuperação do jornal seria penosa, depois de quase soçobrar pela mão de Saramago, que destruíra, em pouco tempo, boa parte da circulação do jornal, conduzindo as vendas a um patamar residual. Houve quem genuinamente temesse que lhe estivesse reservada a mesma sorte de outro matutino histórico, O Século, fechado  por Manuel Alegre quando estava à beira do centenário.”

“Nos alvores de 1976  – continuou -  a redacção que encontrei no DN fervilhava de agitação. (.../...) Porém, Victor Cunha Rego era um homem determinado e sem medo. E o Mário Mesquita tão pouco. Ambos impuseram uma orientação pluralista, derrubando muros e tabus, não obstante as ameaças que se ouviam pelos corredores, nem sequer em surdina.” (.../...) “Para além da redacção, a  Comissão de Trabalhadores era uma força activa, com poder, e cujo objectivo fundamental consistia em contrariar a orientação imprimida pelos novos directores ao conteúdo noticioso do jornal.”

Dinis de Abreu referiu-se, depois, à reprivatização do DN, no início da década de 90, “já os ânimos revolucionários se tinham aquietado”, e à informatização de toda a produção editorial:

“Mas essa é outra história que um dia será contada. A história que hoje nos trouxe aqui teve o seu epicentro no 25 de Novembro, quando os media voltaram a ser libertados de censuras e coacções, permitindo aos jornalistas escrever em liberdade, sem temerem o desemprego por ‘delito de opinião’, ou por não terem o cartão do partido. Num momento em que despontam novos medos, com a maioria dos  jornais em dificuldades por causa da quebra de vendas e das receitas de publicidade, as tentações de enfeudamento a interesses de origem diversa, políticos e económicos, são obviamente de ter em conta.”

Dinis de Abreu terminou referindo-se às notícias de uma possível venda do edifício-sede do Diário de Notícias, “para fins diversos da sua vocação matricial, o que, a consumar-se, constituirá um verdadeiro atentado contra o património cultural edificado da cidade”, e concluíu:  “O silêncio é ruidoso e, pelos vistos, ninguém se importa. O edifício emblemático do  Diário de Noticias, fundado por Eduardo Coelho há 150 anos, está à venda. Quarenta anos depois do assalto do PCP, o seu destino volta a ser incerto. O 25 de Novembro não resolveu tudo.”

 

A terceira intervenção foi de José Manuel Fernandes, que falou da “extrema politização” ocorrida tanto na sociedade como nos meios de comunicação, logo a seguir ao 25 de Abril, que considerou normal à partida, mas que depois evoluíu para  “formas, umas mais verticais, vindas das direcções, outras mais inorgânicas, vindas de dentro, de condicionar a informação que se dava a um determinado objectivo revolucionário, a uma determinada fidelidade com o chamado PREC.”

Sublinhou as excepções, mencionando os casos do Expresso, do diário República, mais tarde do semanário O Jornal e do vespertino Jornal Novo, e disse:  “Quando se dá o 25 de Novembro há alguma ‘normalização’, mas uma normalização relativa. Só quinze anos depois, em finais dos anos 80, princípio dos anos 90, é que se vai proceder à reversão das nacionalizações. Para muitos órgãos de Informação, já foi demasiado tarde. O Século morreu logo, e outros morreriam pelas condições em que voltaram a poder estar em condições normais no mercado. Um deles foi precisamente o Diário Popular. Mas o que aconteceu nesses anos e nos anos imediatamente a seguir ao 25 de Novembro não foi apenas a permanência de uma parte importante da Imprensa nas mãos do Estado. Foi o prolongamento, nalguns casos até o reforço do carácter político, quase partidário, nalguns casos assumidamente partidário, de uma boa parte da Imprensa.”  Referia-se neste ponto a jornais como O Diário, A Luta e o Portugal Hoje. Quanto aos jornais que continuaram por mais tempo propriedade do Estado, afirmou que “houve claras flutuações ao longo dos tempos, nesses órgãos de informação, em função das nuances de ciclo político, e isso foi também um dos factores que levou alguns deles a acabarem muito mal neste processo.”

José Manuel Fernandes considerou que temos hoje uma situação “relativamente original em quase toda a Europa, e no resto do mundo desenvolvido  -  é que, se nós olharmos para os órgãos de Informação, nenhum deles assume uma orientação”, que não tem de ser uma orientação partidária, ou ideológica, mas “um ponto de vista, uma maneira diferente de olhar para a realidade”, que identifica as várias sensibilidades relativas dos principais jornais nas bancas na Inglaterra, na França, Espanha, Itália ou Estados Unidos, para dar os exemplos mais próximos do nosso conhecimento.

A terminar, reflectiu sobre “quem é que realmente manda” nos media, se são as direcções ou as redacções, e que relação tem essa tendência com a opinião pública mais vasta:

“E aí não tenho muitas dúvidas, subscrevo o que disse a Maria João, eu costumo dizer que em Portugal, se o corpo eleitoral fosse constituído apenas por jornalistas, sucederia o mesmo que sucede no corpo que cobre a Casa Branca  - a última sondagem de que tenho conhecimento dá 80% de Democratas e 20% de Republicanos, em França dá 80% de Socialistas e 20% da direita... Não há uma coincidência entre o ‘corpo eleitoral’ dos jornalistas e a sociedade. Saber quem manda nas redacções é uma questão mais complexa do que muitas vezes se pensa, e eu advogaria maior transparência, designadamente nos estatutos editoriais, para permitir que fosse mais claro o ponto de vista.”

 

A última intervenção coube a Mário Mesquita, que começou por definir três grandes fases na Imprensa portuguesa, entre o 25 de Abril e meados da década de 90: 

“Uma primeira, que é esta de 75/76, a que chamaria ideologias, e que teria como figura-tipo um jornalista militante;  a seguir ao 25 de Novembro e até 87, com a adesão de Portugal à União Europeia e com o primeiro governo de Cavaco Silva, temos a época a que eu chamaria institucionalização, e escolheria como figura-tipo os porta-vozes, de instituições democráticas diversas, período caracterizado também por uma coexistência de um sector público que se estendia até à Imprensa escrita e um sector privado que ia ganhando novas proporções;  de 87 para diante, com as privatizações na Imprensa escrita e o ressurgimento, no início dos anos 90, das televisões privadas, uma época em que a influência do mercado passa a ser, não direi total, mas mais importante e mais decisiva, em que a figura do gestor se torna mais relevante e também a de um jornalista mais profissional.”

Centrando a sua atenção no período de 74/75, recordou assim os conflitos ocorridos:

“Diferentes concepções dos media e do jornalismo conduziram a afrontamentos dolorosos; companheiros na luta contra a repressão salazarista encontravam-se agora em trincheiras que se combatiam de forma implacável  - eram 600 jornalistas em 75, agora são mais de 6.000…  São universos muito difíceis de comparar e realidades sociológicas também.”  (.../...)

“Algumas forças políticas julgaram que seria possível legitimarem-se através do controlo dos media e da ligação às bases populares, dispensando os mecanismos da democracia representativa. Jean-Paul Sartre, que visitou nessa altura Portugal, acompanhado por um jornalista que tinha um grande passado esquerdista, Serge July, um homem do Maio de 68, disse que a Imprensa portuguesa daquela época, fosse de esquerda ou de direita, ‘não explicava nada’. Colava comunicados emanados dos centros de decisão militares ou partidários  - isto não se aplicaria a todos, mas aplicava-se à maior parte dos meios de comunicação…”  (.../...)

“Essas representações e modelos de actuação mediáticos eram inspirados, nuns casos, em fontes ideológicas ou partidárias, muitas delas de tendência marxista, noutros em experiências de acção psicológica ensaiadas pelas Forças Armadas Portuguesas na guerra colonial. A reivindicação do controlo operário sobre o conteúdo dos jornais, liderada por trabalhadores gráficos, esteve no centro de vários conflitos em empresas jornalísticas, situações dramáticas de luta pela posse de órgãos de comunicação social, como os casos República e Renascença, que desencadearam manifestações de rua e levaram à queda de um dos Governos Provisórios.”

Lembrou ainda, no ‘Verão quente’, as “fogueiras com papel de jornal  - o Jornal Novo, por exemplo, foi queimado, como A Luta, como outros jornais, depois passou a haver pluralismo na queima, queimavam-se uns a Norte e outros a Sul...”

Mário Mesquita recordou que  “havia uma obsessão em relação à Comunicação Social, que percorria todas as forças políticas do tempo; uma Comissão Ad Hoc do tempo do General Spínola, a actuar mais à direita, uma Comissão Ad Hoc após 28 de Setembro, a actuar mais à esquerda; a tal luta política nas redacções, nas tipografias  - houve uma fórmula que uma vez usei, ‘a cada jornal segundo a sua tipografia’: é um exagero, mas em certos casos foi mesmo assim.”

A concluir, referiu  “um momento inédito na História universal, que é o governo que faz greve… contra os jornais; o Governo presidido pelo Almirante Pinheiro de Azevedo anuncia que faria uma greve, não funcionaria, dado o mau funcionamento da Imprensa, o que de facto é qualquer coisa de extraordinário…”

 

Após este painel de jornalistas, que viveram por dentro das redacções o 25 de Novembro, intervieram na sessão de encerramento do ciclo comemorativo Artur Santos Silva, Francisco Pinto Balsemão, António Barreto e Vasco Rocha Vieira que abordaram o tema da efeméride em diferentes perspectivas, da civilista à militar, incluindo a tentativa de “apagar a data  da História”.

 

 

 

 

 

Connosco
Jornal finlandês troca "cadeados" por "diamantes" para atrair assinantes Ver galeria

Com a era digital, vários jornais passaram a apostar nos conteúdos “online”, recorrendo às “paywalls” para obter receitas.

Este novo modelo de negócio foi introduzido um pouco por toda a Europa, incluindo na Finlândia, onde o jornal “Helsingin Sanomat” conta com a subscrição de 48% de todos os assinantes de produtos noticiosos do país.

Conforme apontou Hanaa Tameez num artigo publicado no “Nieman Lab”, o "Helsingin Sanomat” foi fundado em 1889, quando a Finlândia ainda integrava o Império Russo. Agora, este jornal é detido pelo Grupo Sanoma, que controla 40 outras marcas mediáticas naquele país.

Em 2016, continuou Tameez, os editores do “Helsingin Sanomat” chegaram à conclusão de que a “paywall” não estava a obter os resultados esperados.

Por isso mesmo, os responsáveis por aquela publicação começaram a analisar o tipo de conteúdos que deveriam ser exclusivos para subscritores e, em vez de os assinalarem com um “cadeado”, passaram a identificá-los através de um “diamante”.

“O símbolo do cadeado passou a ser reconhecido mundialmente enquanto um identificador da ‘Paywall’”, disse o editor-executivo, Kaius Niemi, em entrevista para o “Nieman Lab”. “Sentimos, contudo, que o cadeado não simboliza valor acrescentado no jornalismo, ou ‘storytelling’ avançado. Por outro lado, acaba por ter uma conotação negativa, já que fecha a porta a um potencial subscritor. Os diamantes, por sua vez, ilustram o trabalho árduo dedicado a cada história”.

Graças a estas iniciativas, a equipa editorial daquele jornal finlandês percebeu que estava a apostar em temáticas que não chamavam a atenção dos leitores, e decidiram investir em artigos sobre sociedade, cultura e “lifestyle”.

Relatório aponta prioridade para o jornalismo isento e objectivo Ver galeria

As audiências valorizam a imparcialidade no jornalismo, e justificam a convicção de que os artigos noticiosos e as colunas de opinião devem ser, claramente, distinguidas, aponta o estudo The Relevance Of Impartial News In A Polarised World, encomendado pela Universidade de Oxford.

De acordo com este relatório -- que contou com 52 participantes, provenientes da Alemanha, do Brasil, dos Estados Unidos e do Reino Unido -- a informação objectiva e a contextualização devem estar no centro de qualquer formato noticioso.

Neste sentido, os participantes do estudo alertaram para o facto de as peças noticiosas e as colunas de opinião não serem facilmente identificáveis em formatos “online”, ao contrário do que acontece nas publicações em formato de papel.

“As audiências valorizam a opinião como um suplemento dos factos, mas, na sua generalidade, querem que a informação objectiva seja estabelecida em primeiro lugar. O público preocupa-se, também, com a mistura destes dois formatos”.

Os jornais assumem-se, assim, como a fonte noticiosa mais fiável, embora alguns leitores mais jovens considerem que estas publicações transmitem “ideais conservadores”, com os quais não se identificam.

Por outro lado, os participantes afirmam que as redes sociais não são boas fontes noticiosas, já que os seus algoritmos dão prioridade aos artigos de opinião, sem que estes estejam identificados como tal.

“Nas redes sociais, torna-se difícil distinguir entre notícias e a opinião, devido à falta de pistas. Algumas pessoas consideram que isto é um problema”, indica o relatório. “Alguns temem que o conteúdo de opinião esteja a contaminar as notícias. Outros assumem, simplesmente, que a opinião é uma característica inerente a estas plataformas”.

O Clube


Conhecidas as propostas do governo para o Orçamento de Estado, verifica-se que o sector dos media continua a ser o “parente pobre”, sem atrair medidas de reanimação capazes de corrigirem e de equilibrarem o plano inclinado em que se encontra a maioria das empresas jornalísticas, já periclitantes antes de serem fortemente flageladas pela pandemia.
O Sindicato dos Jornalistas lamenta-o e estranha que o OE ignore “completamente as dificuldades da comunicação social”. As associações do sector, como é o caso do CPI, certamente não menos.
O documento é omisso em medidas de apoio, que possam contribuir para inverter o declínio das vendas de jornais e revistas, sem pôr em causa a independência das publicações.
O bom jornalismo não precisa de ser subsidiado, mas implica redacções ágeis e com capacidade de resposta, que não dependam das redes sociais para medirem a realidade.
Com as contas no “vermelho”, as empresas editoriais não dispõem , contudo, de meios nem de condições propícias ao investimento, por exemplo, na reportagem de investigação.
Os jornalistas saem cada vez menos e a pandemia, com o teletrabalho, mais acentuou esse défice de contacto com o exterior.
É impossível não concordar com o SJ quando este defende várias medidas, como a criação de um voucher de 20 euros por agregado familiar para assinaturas ou compra de jornais e revistas, o desconto do IVA de produtos de media no IRS e a oferta de jornais ou de uma assinatura digital a todos os jovens que completem 18 anos.
Salva-se apenas a digitalização, a única que tem verbas disponíveis no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). É importante. Mas não é exclusivamente por aí que se salvam os media em sérias dificuldades, que lutam pela sobrevivência. E que são um pilar da democracia. Eis um debate urgente ao qual nos associamos.


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Opinião
O jornalismo está de parabéns. O Nobel da Paz atribuído a dois jornalistas, Maria Ressa e Dmitry Muratov, uma filipina e um russo, premiou uma incansável e corajosa luta pela liberdade de expressão nos seus países, com risco da própria vida. São um exemplo. Foi necessário passar quase um século para um Nobel da Paz caber novamente a jornalistas, que pugnam pela sobrevivência do jornalismo sério e independente,...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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