Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
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O 25 de Novembro 40 anos depois: os conflitos nos Media

Os conflitos que dividiam a sociedade portuguesa, ao longo do “Verão quente” de 1975, polarizaram também os meios de comunicação. Os jornalistas foram testemunhas, protagonistas e, por vezes, vítimas do processo de que participavam. Quatro jornalistas que estiveram lá contaram a sua experiência, num colóquio intitulado “O 25 de Novembro e a Comunicação Social”, realizado no dia 4 na Fundação Calouste Gulbenkian.

Integrado num ciclo de colóquios e conferências comemorativo do 25 de Novembro, realizou-se na Fundação Calouste Gulbenkian um painel em que quatro jornalistas fizeram o exercício de memória e testemunho do que viram e viveram nesse tempo conturbado. Foram eles Maria João Avillez, Dinis de Abreu, José Manuel Fernandes e Mário Mesquita, tendo como moderador Francisco Sarsfield Cabral.

Na primeira intervenção,  Maria João Avilez evocou “a vertigem tumultuosa daqueles dias”, em que “o País espantava-se com o desconcerto e confundia-se com o excesso, enquanto no Expresso nós reportávamos, contávamos, entrevistávamos e ouvíamos”.

“O desconcerto e o excesso tinham a assinatura de uma ínfima parte de Portugal, que em confronto com a outra impunha, mais que propunha, um modelo, uma sociedade e uma Pátria que nunca aqui poderia ter lugar  - mas que era imperativo que parecesse que poderia, pelo menos antes de concluir com êxito o terceiro D”  - de  Descolonizar. (.../...)  “Basta recordar a demissão de Spínola no final de Setembro para nos lembrarmos que ela tinha a África ex-portuguesa em pano de fundo.”

Recordou, a seguir, as eleições de 25 de Abril de 75, “o milagre no meio da tormenta, autorizado por Costa Gomes contra a maré radical e as tremendas divisões das Forças Armadas”, e que “foi depois dessas eleições que a Informação em Portugal pôde separar com nitidez o que era jornalismo de propaganda do que era jornalismo de notícia ou interpretação do sentir dos acontecimentos; foi a indicação objectiva do que haviam sido as preferências políticas da sociedade portuguesa, que abriu para os jornalistas um espaço de liberdade e, ao mesmo tempo, de responsabilidade.”

Maria João Avilez sublinhou o papel do Expresso em todo este processo, afirmando:  “Tenho a pura noção de que, ter vivido tudo isto no Expresso, fez de mim não apenas uma jornalista, mas sobretudo uma grande privilegiada.  (.../...)  Congratulei-me porque, apesar de o jornal abrigar escribas revolucionários enragés, patetas uns, perigosos outros, mas todos eles intimidatórios, o Expresso nunca se enganou de combate. Ou como, apesar de lá pontificar um dos três fundadores do PPD, na pessoa do director do jornal, as folhas do Expresso constituíram um imenso leque sempre aberto, de informações e opiniões plurais.”

Depois de ter evocado os principais protagonistas do 25 de Novembro, disse ainda:  “O País assinou por debaixo do 25 de Abril porque, por detrás da revolução de poucos, escondia-se a democracia de todos os outros. Percebendo tudo isto, o Expresso transmitiu tudo isto. Mas o coro da Comunicação Social não cantou a uma só voz e destoou no tom. Politicamente, o 25 de Abril foi aplaudido por 90% dos portugueses, mas não por 90% dos jornalistas  - como de certa forma ainda hoje ocorre, e ocorre porque a raiz da fronda plantada em 74 nunca deixou de ser adubada desde então, e resume-se a isto: à legitimidade de uns jornalistas para dizerem e intervirem, nunca correspondeu, até hoje, a natural legitimidade dos outros.”  E a concluir:

“Aprendi muito, vi tudo, não esqueci nada. E por isso tenho legitimidade para enfatizar e louvar o tão ímpar quanto invulgar papel que o Expresso teve no antes, no durante e no depois do 25 de Novembro de 1975. Tenho orgulho em ter lá estado e sempre de serviço. O jornalismo português cresceu com o semanário Expresso.” 

 

Falou a seguir Dinis de Abreu, que começou por evocar o extinto Diário Popular, onde viveu tanto o 25 de Abril como o 25 de Novembro: 

“Em ambos os casos festejei, com euforia, a recuperação da liberdade  de escrever sem censura. Por estranho que  pareça, foi assim mesmo. Reencontrei-me depois de Abril com outras censuras, tão assumidas como  asfixiantes.”  Descreveu os conflitos internos, na redacção, com predomínio dos jornalistas filiados ou “aparecidos à pressa no PCP”, que “só não era absoluto porque, além de um pequeno núcleo de jornalistas democratas, sem clube partidário, havia outros colegas identificados com a extrema esquerda  – trotskistas e maoistas -, que já nessa altura se digladiavam com o PCP e tinham-no como adversário mais temível.”  E adiantou:

“Estava criada uma atmosfera densa, de cortar à faca, onde quem não quisesse  partilhar do jargão marxista-leninista corria o sério risco de ser proscrito. E quem não aguentasse, a pé firme, os intermináveis plenários da redacção, poderia acordar no dia seguinte com as piores surpresas, vindas de moções aprovadas de braço no ar. Estive por dentro de muitos plenários, eleito pelos  órgãos representativos dos jornalistas, e sei bem do que falo.”

Depois de lembrar o nome de José Manuel Rodrigues da Silva, já falecido, jornalista “generoso e brilhante” e “um tribuno admirável vindo das lutas académicas, homem de esquerda combativo, inteligente e destemido perante plenários hostis”, prosseguiu:

“Depois dos plenários agitados da redacção do Diário Popular, vivi a ressaca do 25 de Novembro na redacção do Diário de Noticias, na qual ingressei, em Janeiro de 76, pela mão do saudoso Victor Cunha Rego, cumpliciado com o Mário Mesquita, aqui presente neste painel. Felizmente que vinha habilitado do Diário Popular com uma razoável blindagem, o que me permitiu suportar  as investidas da ‘tropa de choque’ plantada pela direcção de José Saramago.”

E mais adiante: “A gestão editorial não era fácil e a recuperação do jornal seria penosa, depois de quase soçobrar pela mão de Saramago, que destruíra, em pouco tempo, boa parte da circulação do jornal, conduzindo as vendas a um patamar residual. Houve quem genuinamente temesse que lhe estivesse reservada a mesma sorte de outro matutino histórico, O Século, fechado  por Manuel Alegre quando estava à beira do centenário.”

“Nos alvores de 1976  – continuou -  a redacção que encontrei no DN fervilhava de agitação. (.../...) Porém, Victor Cunha Rego era um homem determinado e sem medo. E o Mário Mesquita tão pouco. Ambos impuseram uma orientação pluralista, derrubando muros e tabus, não obstante as ameaças que se ouviam pelos corredores, nem sequer em surdina.” (.../...) “Para além da redacção, a  Comissão de Trabalhadores era uma força activa, com poder, e cujo objectivo fundamental consistia em contrariar a orientação imprimida pelos novos directores ao conteúdo noticioso do jornal.”

Dinis de Abreu referiu-se, depois, à reprivatização do DN, no início da década de 90, “já os ânimos revolucionários se tinham aquietado”, e à informatização de toda a produção editorial:

“Mas essa é outra história que um dia será contada. A história que hoje nos trouxe aqui teve o seu epicentro no 25 de Novembro, quando os media voltaram a ser libertados de censuras e coacções, permitindo aos jornalistas escrever em liberdade, sem temerem o desemprego por ‘delito de opinião’, ou por não terem o cartão do partido. Num momento em que despontam novos medos, com a maioria dos  jornais em dificuldades por causa da quebra de vendas e das receitas de publicidade, as tentações de enfeudamento a interesses de origem diversa, políticos e económicos, são obviamente de ter em conta.”

Dinis de Abreu terminou referindo-se às notícias de uma possível venda do edifício-sede do Diário de Notícias, “para fins diversos da sua vocação matricial, o que, a consumar-se, constituirá um verdadeiro atentado contra o património cultural edificado da cidade”, e concluíu:  “O silêncio é ruidoso e, pelos vistos, ninguém se importa. O edifício emblemático do  Diário de Noticias, fundado por Eduardo Coelho há 150 anos, está à venda. Quarenta anos depois do assalto do PCP, o seu destino volta a ser incerto. O 25 de Novembro não resolveu tudo.”

 

A terceira intervenção foi de José Manuel Fernandes, que falou da “extrema politização” ocorrida tanto na sociedade como nos meios de comunicação, logo a seguir ao 25 de Abril, que considerou normal à partida, mas que depois evoluíu para  “formas, umas mais verticais, vindas das direcções, outras mais inorgânicas, vindas de dentro, de condicionar a informação que se dava a um determinado objectivo revolucionário, a uma determinada fidelidade com o chamado PREC.”

Sublinhou as excepções, mencionando os casos do Expresso, do diário República, mais tarde do semanário O Jornal e do vespertino Jornal Novo, e disse:  “Quando se dá o 25 de Novembro há alguma ‘normalização’, mas uma normalização relativa. Só quinze anos depois, em finais dos anos 80, princípio dos anos 90, é que se vai proceder à reversão das nacionalizações. Para muitos órgãos de Informação, já foi demasiado tarde. O Século morreu logo, e outros morreriam pelas condições em que voltaram a poder estar em condições normais no mercado. Um deles foi precisamente o Diário Popular. Mas o que aconteceu nesses anos e nos anos imediatamente a seguir ao 25 de Novembro não foi apenas a permanência de uma parte importante da Imprensa nas mãos do Estado. Foi o prolongamento, nalguns casos até o reforço do carácter político, quase partidário, nalguns casos assumidamente partidário, de uma boa parte da Imprensa.”  Referia-se neste ponto a jornais como O Diário, A Luta e o Portugal Hoje. Quanto aos jornais que continuaram por mais tempo propriedade do Estado, afirmou que “houve claras flutuações ao longo dos tempos, nesses órgãos de informação, em função das nuances de ciclo político, e isso foi também um dos factores que levou alguns deles a acabarem muito mal neste processo.”

José Manuel Fernandes considerou que temos hoje uma situação “relativamente original em quase toda a Europa, e no resto do mundo desenvolvido  -  é que, se nós olharmos para os órgãos de Informação, nenhum deles assume uma orientação”, que não tem de ser uma orientação partidária, ou ideológica, mas “um ponto de vista, uma maneira diferente de olhar para a realidade”, que identifica as várias sensibilidades relativas dos principais jornais nas bancas na Inglaterra, na França, Espanha, Itália ou Estados Unidos, para dar os exemplos mais próximos do nosso conhecimento.

A terminar, reflectiu sobre “quem é que realmente manda” nos media, se são as direcções ou as redacções, e que relação tem essa tendência com a opinião pública mais vasta:

“E aí não tenho muitas dúvidas, subscrevo o que disse a Maria João, eu costumo dizer que em Portugal, se o corpo eleitoral fosse constituído apenas por jornalistas, sucederia o mesmo que sucede no corpo que cobre a Casa Branca  - a última sondagem de que tenho conhecimento dá 80% de Democratas e 20% de Republicanos, em França dá 80% de Socialistas e 20% da direita... Não há uma coincidência entre o ‘corpo eleitoral’ dos jornalistas e a sociedade. Saber quem manda nas redacções é uma questão mais complexa do que muitas vezes se pensa, e eu advogaria maior transparência, designadamente nos estatutos editoriais, para permitir que fosse mais claro o ponto de vista.”

 

A última intervenção coube a Mário Mesquita, que começou por definir três grandes fases na Imprensa portuguesa, entre o 25 de Abril e meados da década de 90: 

“Uma primeira, que é esta de 75/76, a que chamaria ideologias, e que teria como figura-tipo um jornalista militante;  a seguir ao 25 de Novembro e até 87, com a adesão de Portugal à União Europeia e com o primeiro governo de Cavaco Silva, temos a época a que eu chamaria institucionalização, e escolheria como figura-tipo os porta-vozes, de instituições democráticas diversas, período caracterizado também por uma coexistência de um sector público que se estendia até à Imprensa escrita e um sector privado que ia ganhando novas proporções;  de 87 para diante, com as privatizações na Imprensa escrita e o ressurgimento, no início dos anos 90, das televisões privadas, uma época em que a influência do mercado passa a ser, não direi total, mas mais importante e mais decisiva, em que a figura do gestor se torna mais relevante e também a de um jornalista mais profissional.”

Centrando a sua atenção no período de 74/75, recordou assim os conflitos ocorridos:

“Diferentes concepções dos media e do jornalismo conduziram a afrontamentos dolorosos; companheiros na luta contra a repressão salazarista encontravam-se agora em trincheiras que se combatiam de forma implacável  - eram 600 jornalistas em 75, agora são mais de 6.000…  São universos muito difíceis de comparar e realidades sociológicas também.”  (.../...)

“Algumas forças políticas julgaram que seria possível legitimarem-se através do controlo dos media e da ligação às bases populares, dispensando os mecanismos da democracia representativa. Jean-Paul Sartre, que visitou nessa altura Portugal, acompanhado por um jornalista que tinha um grande passado esquerdista, Serge July, um homem do Maio de 68, disse que a Imprensa portuguesa daquela época, fosse de esquerda ou de direita, ‘não explicava nada’. Colava comunicados emanados dos centros de decisão militares ou partidários  - isto não se aplicaria a todos, mas aplicava-se à maior parte dos meios de comunicação…”  (.../...)

“Essas representações e modelos de actuação mediáticos eram inspirados, nuns casos, em fontes ideológicas ou partidárias, muitas delas de tendência marxista, noutros em experiências de acção psicológica ensaiadas pelas Forças Armadas Portuguesas na guerra colonial. A reivindicação do controlo operário sobre o conteúdo dos jornais, liderada por trabalhadores gráficos, esteve no centro de vários conflitos em empresas jornalísticas, situações dramáticas de luta pela posse de órgãos de comunicação social, como os casos República e Renascença, que desencadearam manifestações de rua e levaram à queda de um dos Governos Provisórios.”

Lembrou ainda, no ‘Verão quente’, as “fogueiras com papel de jornal  - o Jornal Novo, por exemplo, foi queimado, como A Luta, como outros jornais, depois passou a haver pluralismo na queima, queimavam-se uns a Norte e outros a Sul...”

Mário Mesquita recordou que  “havia uma obsessão em relação à Comunicação Social, que percorria todas as forças políticas do tempo; uma Comissão Ad Hoc do tempo do General Spínola, a actuar mais à direita, uma Comissão Ad Hoc após 28 de Setembro, a actuar mais à esquerda; a tal luta política nas redacções, nas tipografias  - houve uma fórmula que uma vez usei, ‘a cada jornal segundo a sua tipografia’: é um exagero, mas em certos casos foi mesmo assim.”

A concluir, referiu  “um momento inédito na História universal, que é o governo que faz greve… contra os jornais; o Governo presidido pelo Almirante Pinheiro de Azevedo anuncia que faria uma greve, não funcionaria, dado o mau funcionamento da Imprensa, o que de facto é qualquer coisa de extraordinário…”

 

Após este painel de jornalistas, que viveram por dentro das redacções o 25 de Novembro, intervieram na sessão de encerramento do ciclo comemorativo Artur Santos Silva, Francisco Pinto Balsemão, António Barreto e Vasco Rocha Vieira que abordaram o tema da efeméride em diferentes perspectivas, da civilista à militar, incluindo a tentativa de “apagar a data  da História”.

 

 

 

 

 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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