Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

História da Al-Jazeera "longe de ser perfeita" vista por um seu “biógrafo”

A estação Al-Jazeera está “longe de ser perfeita”, e a sua política continua controversa, mas “as sociedades árabes beneficiam por terem uma diversidade de vozes debatendo os temas actuais”. “Fechar qualquer empresa noticiosa enfraquece a viabilidade de uma Imprensa livre  - em especial numa região onde a democracia tem tanta dificuldade em consolidar-se.” Esta reflexão é de Philip Seib, docente de Jornalismo e Relações Internacionais na Universidade de Southern California, citada do European Journalism Observatory.

O autor começa por se declarar um estudioso e comentador do fenómeno Al-Jazeera desde o seu começo, o que o levou, em 2008, a publicar o livro The Al Jazeera Effect

Philip Seib descreve a surpresa que causou na paisagem mediática árabe, quando foi fundada em 1996, oferecendo “uma cobertura relativamente não censurada da política na região”, um pouco à semelhança dos noticiários da BBC e da CNN

Mais importante, quando aconteceu a Segunda Intifada (o levantamento Palestiniano de 2000 contra Israel), “as audiências árabes já não tinham de ligar para as estações ocidentais para obterem uma análise sobre o que estava a acontecer; em vez disso viam repórteres árabes cobrindo as notícias com uma inclinação pró-árabe”. (...) 

“Em termos mais amplos, o canal tornou-se controverso devido à sua reportagem das guerras americanas no Afeganistão e no Iraque. O governo de George W. Bush considerou a sua cobertura inflamatória, pelo relevo atribuído às baixas civis nesses conflitos, com representantes oficiais acusando a Al-Jazeera de atiçar a oposição contra os esforços dos Estados Unidos na região.” (...)

Philip Seib explica, também, que, sendo embora muito crítica das classes dominantes na maior parte dos Estados árebes, a Al-Jazeera não faz a cobertura da família real do Qatar com o mesmo nível de investigação, sendo considerada, na prática, uma parte do “aparelho de política estrangeira do Qatar”. (...) 

“A Arábia Saudita, o Bahrain e os Emirados Árabes Unidos sentiram-se especialmente contrariados com a Al-Jazeera e os seus proprietários do Qatar a partir das Primaveras Árabes de 2011. Eles consideraram a Al-Jazeera como favorável aos contestatários e entenderam que estava a soprar as labaredas da revolta que ameaçava as monarquias da região.” 

Philip Seib afirma que a Al-Jazeera fez uma cobertura favorável à Irmandade Muçulmana (o que enfureceu o Presidente Abdel Fattah el-Sisi), e que é verdade que a sua reportagem tem “uma inclinação pró-Islamista”. Os adversários do Qatar dizem “que esta reportagem toma a forma de uma cobertura simpática não só da Irmandade Muçulmana, mas ainda de grupos ligados à Al-Qaeda na Síria e no Iemen”. (...) 

Apesar de tudo, e em conclusão, o autor declara:

“O Médio Oriente tem problemas incontáveis, mas eles não vão ser resolvidos fazendo recuar uma já limitada liberdade de Imprensa.”

 

O artigo de Philip Seib, no European Journalism Observatory

Connosco
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Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

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