Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
Media

A “tempestade perfeita” que ameaça os meios de comunicação

A convergência entre o domínio esmagador do Google e do Facebook sobre a publicidade digital, os bloqueadores de anúncios, a chegada de uma publicidade menos invasiva e a presente entronização dos dispositivos móveis está a reunir todos os elementos para uma espécie de “tempestade perfeita” no sector dos meios de comunicação, que podem ter pela frente uma devastadora nova vaga de crise. Devem os governos intervir, indo mesmo ao ponto de converter as grandes plataformas numa espécie de serviço público? Esta reflexão é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics.

O Google recolheu, em 2016, 90.300 milhões de dólares, essencialmente provenientes da publicidade digital. Segundo os peritos, este ano poderá ultrapassar os cem mil milhões, duplicando assim a sua receita em cinco anos. O Google tem um valor em bolsa de 581.000 milhões de dólares, e Facebook e Amazon aproximam-se já dos 400.000 milhões de capitalização.

Como recorda Miguel Ormaetxea: 

“Perante isto, e para ajudar as editoras, o Google dotou com 150 milhões de euros a sua Digital News Initiative. No dia 6 de Julho concordou em dar 21 milhões de euros a 107 projectos europeus. É de notar que a grande maioria deste dinheiro foi para editoras médias ou grandes, quando são as pequenas editoras digitais as que mais estão a sofrer, até ao ponto de poderem extinguir-se em massa, como os dinossauros. É curioso assinalar também que o Google financiou o projecto RADAR, um site de ‘jornalista-robot’ capaz de escrever 30 mil notícias por mês. É esta a ideia que tem o Google sobre o novo eco-sistema da Informação digital? 21 milhões de 90 mil de receita? Estão a gozar connosco?” (...) 

Cabe dizer, neste ponto, que o artigo que citamos faz uma espécie de “revisão da matéria dada” sobre factos muito recentes, dos quais temos deixado oportuna referência no site do CPI.

O mais recente de todos é a diligência conjunta dos grandes jornais de referência dos Estados Unidos, para imporem, por via legal, a capacidade de negociarem colectivamente, a nível da sua associação representativa, a News Media Alliance, contra a pressão do “duopólio digital” Google – Facebook. 

O Google disse em comunicado que pretende “ajudar as editoras a triunfarem na sua transição digital” mas Miguel Ormaetxea comenta:

“Não parece que esteja a consegui-lo. Para dar só um exemplo, o grupo de media que é hegemónico em Espanha, a PRISA, viu reduzirem-se as suas receitas 66% em menos de dez anos, e o EBITDA 74%, e ainda suporta uma dívida de 1.600 milhões de euros. A acção perdeu mais de 90% do seu valor. Não parece que o Google tenha ajudado muito a PRISA.” (...)

O autor fala ainda das várias alianças de jornais em curso, em diferentes países, para combaterem juntos o referido “duopólio”, e termina com uma referência à batalha pela posse dos dados sociodemográficos e de tendências de compra:

“A chave são os dados: aquelas editoras que têm apenas um endereço de e-mail dos seus assinantes têm muito pouco que possam fazer. E os reis dos dados são, de novo, Google, Facebook e Amazon. Está na hora de ir mais longe do que aplicar simples multas.”

 

 

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics

Connosco
Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

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António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


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Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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