Sexta-feira, 22 de Setembro, 2017
Estudo

Revolução digital nos “Media” exige "mudar a cabeça dos jornalistas"

A procura de um modelo económico sustentável, no novo paradigma digital, e a relação que cada jornal estabelece com os seus leitores, são as questões-chave de uma entrevista do jornalista brasileiro Caio Túlio Costa, onde se fala de mais coisas: da crise política no Brasil e suas implicações nos media, do impacto dos novos formatos na linguagem jornalística tradicional. Primeiro Ombudsman (Provedor dos Leitores) na Imprensa brasileira, docente na ESPM em São Paulo, autor de vários trabalhos neste terreno, citamos a sua entrevista do Observatório da Imprensa  - com o qual mantemos um acordo de parceria.

A sua resposta sobre a recente extinção do cargo de Ombudsman por The New York Times é de desagrado; ele reconhece que os leitores fazem a crítica do jornalismo praticado pelo seu jornal favorito, como sempre fizeram, mas isso não chega: 

“Mas essa crítica, este acompanhamento feito pelos leitores, em nada se assemelha ao trabalho do editor público, ou ombudsman. Ele faz a crítica do jornal de uma forma técnica. Faz a crítica do ponto de vista de um profissional do jornalismo movido pelo interesse do leitor. Abrir mão deste olhar técnico, do expert, é abrir mão da discussão sistemática e profissional do jornalismo praticado. Foi péssima a demissão e pior ainda a explicação.” (...) 

Sobre a procura de novos modelos de negócio para o jornalismo digital, diz Caio Túlio:

“As empresas jornalísticas continuam teimando em buscar receitas digitais apenas em publicidade e assinatura (via diversas formas de paywall). A nova fonte de receita sugerida no paper, criar produtos/serviços de valor adicionado, praticamente tem sido ignorada. No memento, a impressão que se tem é a de que apenas o Washington Post pode seguir por este caminho.” (...) 

“A única forma capaz de dar sustentabilidade a um veículo digital de maiores proporções (que fique do tamanho das redacções de imprensa clássicas) é criar uma outra fonte de receitas, que viria dos produtos de valor adicionado. As empresas jornalísticas precisam fazer como fizeram as empresas de telecomunicações quando acabou o tráfego nas linhas fixas. Criaram os tráfegos de dados, e os celulares. Os barões do jornalismo continuam agarrados às suas edições tradicionais e estão vendo-as morrer, definhar. A cadeia de valor no mundo digital é outra.” (...) 

“Primeiro de tudo, é preciso mudar a cabeça dos jornalistas. A maioria tem a cabeça analógica. Não haverá tempo para que as novas gerações, de cabeças digitais, tome conta do negócio. Pode ser que quando as novas gerações chegarem ao poder esta imprensa que conhecemos hoje não mais exista.” (...)

 

A entrevista com Caio Túlio Costa, na íntegra, no Observatório da Imprensa

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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4º Workshop de Pós-Graduação em Ciência da Informação
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