Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Estudo

Revolução digital nos “Media” exige "mudar a cabeça dos jornalistas"

A procura de um modelo económico sustentável, no novo paradigma digital, e a relação que cada jornal estabelece com os seus leitores, são as questões-chave de uma entrevista do jornalista brasileiro Caio Túlio Costa, onde se fala de mais coisas: da crise política no Brasil e suas implicações nos media, do impacto dos novos formatos na linguagem jornalística tradicional. Primeiro Ombudsman (Provedor dos Leitores) na Imprensa brasileira, docente na ESPM em São Paulo, autor de vários trabalhos neste terreno, citamos a sua entrevista do Observatório da Imprensa  - com o qual mantemos um acordo de parceria.

A sua resposta sobre a recente extinção do cargo de Ombudsman por The New York Times é de desagrado; ele reconhece que os leitores fazem a crítica do jornalismo praticado pelo seu jornal favorito, como sempre fizeram, mas isso não chega: 

“Mas essa crítica, este acompanhamento feito pelos leitores, em nada se assemelha ao trabalho do editor público, ou ombudsman. Ele faz a crítica do jornal de uma forma técnica. Faz a crítica do ponto de vista de um profissional do jornalismo movido pelo interesse do leitor. Abrir mão deste olhar técnico, do expert, é abrir mão da discussão sistemática e profissional do jornalismo praticado. Foi péssima a demissão e pior ainda a explicação.” (...) 

Sobre a procura de novos modelos de negócio para o jornalismo digital, diz Caio Túlio:

“As empresas jornalísticas continuam teimando em buscar receitas digitais apenas em publicidade e assinatura (via diversas formas de paywall). A nova fonte de receita sugerida no paper, criar produtos/serviços de valor adicionado, praticamente tem sido ignorada. No memento, a impressão que se tem é a de que apenas o Washington Post pode seguir por este caminho.” (...) 

“A única forma capaz de dar sustentabilidade a um veículo digital de maiores proporções (que fique do tamanho das redacções de imprensa clássicas) é criar uma outra fonte de receitas, que viria dos produtos de valor adicionado. As empresas jornalísticas precisam fazer como fizeram as empresas de telecomunicações quando acabou o tráfego nas linhas fixas. Criaram os tráfegos de dados, e os celulares. Os barões do jornalismo continuam agarrados às suas edições tradicionais e estão vendo-as morrer, definhar. A cadeia de valor no mundo digital é outra.” (...) 

“Primeiro de tudo, é preciso mudar a cabeça dos jornalistas. A maioria tem a cabeça analógica. Não haverá tempo para que as novas gerações, de cabeças digitais, tome conta do negócio. Pode ser que quando as novas gerações chegarem ao poder esta imprensa que conhecemos hoje não mais exista.” (...)

 

A entrevista com Caio Túlio Costa, na íntegra, no Observatório da Imprensa

Connosco
Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube
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