Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Manual de segurança digital e privacidade para jornalistas

A instantaneidade e facilidade de acesso trazidas pela revolução digital podem servir ou agredir a missão do jornalismo. Todo o profissional tem hoje consciência da vulnerabilidade do tráfego e da necessidade de assumir procedimentos de segurança. Um jovem jornalista brasileiro, começando pela sua própria experiência e seguindo outros modelos que procurou, lançou recentemente um site especializado em “Privacidade para Jornalistas”, com este mesmo título. 

Raphael Hernandes, repórter de audiência e dados na Folha de S. Paulo, definiu uma análise das ameaças para chegar às melhores alternativas para combater “a vigilância, o hacking e a colheita e retenção de dados pelos mais variados adversários, de governos a bisbilhoteiros casuais, passando por corporações e criminosos”. 

O modelo que o inspirou mais de perto foi o australiano Privacy for Journalists, da organização sem fins lucrativos CryptoAustralia

Uma das suas primeiras preocupações é a protecção do sigilo das fontes:

“De acordo com Gabor Szathmari (o fundador da CryptoAustralia) as medidas de segurança mais básicas incluem substituir programas de mensagem como o Messenger e o Skype por plataformas encriptadas, como Sinal e Wire. Em casos mais sigilosos, outras medidas são necessárias. ‘Deixe o seu smartphone em casa se você vai se encontrar com a fonte  - ele é uma máquina espiã. Sugiro evitar o computador em geral e tirar a poeira do bom e velho bloco de notasm caso sejam anotações muito sigilosas’, recomendou.” 

Entre as mais básicas ferramentas de protecção, Raphael Hernandes aconselha a criptografia de HD e de pen-drives; a autenticação por duas etapas; a aplicação Signal, disponível para smartphones, para protecção de mensagens; o sistema de armazenamento em “nuvem” Sync.com; e a PGP – Pretty Good Privacy, para encriptar e-mails

 

O artigo citado, que contém os links para o site e cada uma das rubricas mencionadas

 

 

 

 

 

 

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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