A instantaneidade e facilidade de acesso trazidas pela revolução digital podem servir ou agredir a missão do jornalismo. Todo o profissional tem hoje consciência da vulnerabilidade do tráfego e da necessidade de assumir procedimentos de segurança. Um jovem jornalista brasileiro, começando pela sua própria experiência e seguindo outros modelos que procurou, lançou recentemente um site especializado em “Privacidade para Jornalistas”, com este mesmo título.
Raphael Hernandes, repórter de audiência e dados na Folha de S. Paulo, definiu uma análise das ameaças para chegar às melhores alternativas para combater “a vigilância, o hacking e a colheita e retenção de dados pelos mais variados adversários, de governos a bisbilhoteiros casuais, passando por corporações e criminosos”.
O modelo que o inspirou mais de perto foi o australiano Privacy for Journalists, da organização sem fins lucrativos CryptoAustralia.
Uma das suas primeiras preocupações é a protecção do sigilo das fontes:
“De acordo com Gabor Szathmari (o fundador da CryptoAustralia) as medidas de segurança mais básicas incluem substituir programas de mensagem como o Messenger e o Skype por plataformas encriptadas, como Sinal e Wire. Em casos mais sigilosos, outras medidas são necessárias. ‘Deixe o seu smartphone em casa se você vai se encontrar com a fonte - ele é uma máquina espiã. Sugiro evitar o computador em geral e tirar a poeira do bom e velho bloco de notasm caso sejam anotações muito sigilosas’, recomendou.”
Entre as mais básicas ferramentas de protecção, Raphael Hernandes aconselha a criptografia de HD e de pen-drives; a autenticação por duas etapas; a aplicação Signal, disponível para smartphones, para protecção de mensagens; o sistema de armazenamento em “nuvem” Sync.com; e a PGP – Pretty Good Privacy, para encriptar e-mails.
O artigo citado, que contém os links para o site e cada uma das rubricas mencionadas
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.