Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
Media

Quando o jornal e os leitores formam uma comunidade

Os jornais vivem para os seus leitores e, em princípio, dos seus leitores. Pelo lado melhor, estabelecem com eles uma relação de serviço público. Outras vezes tratam-nos como consumidores, ou clientes instáveis, cujas preferências é preciso satisfazer. Quando a publicidade deixou de garantir a sobrevivência das empresas, estas apelaram à constância dos leitores como assinantes. Jay Rosen, docente de Jornalismo na Universidade de Nova Iorque, está a pesquisar um caminho ainda mais ambicioso: o de se estabelecer, entre os leitores e o seu jornal, uma relação de pertença, uma fidelidade de “membrasia”.

O projecto que apresentou, no final de Março de 2017, chama-se Membership Puzzle Project e, antes do mais, não esconde que tem mecenato à partida: é apoiado pela Fundação Knight, pelo Democracy Fund e pela First Look Media. Mas o seu objectivo é o de desenvolver os jornais como comunidades associativas de envolvimento pessoal, e o modelo proposto como exemplo a seguir é o de um jornal que já existe, o De Correspondent, na Holanda.  

“Uma das coisas que descobri  - afirma Jay Rosen -  é que o De Correspondent conseguiu, no período de três anos, criar uma cultura interna muito forte. É um lugar muito divertido para se trabalhar. As pessoas estão todas na mesma página.” 

“Não têm tanto cinismo sobre a sua própria empresa como muitos jornalistas nos jornais das grandes metrópoles. E têm uma liderança que é muito respeitada. Os princípios de manterem a ligação com os membros e de se relacionarem com as pessoas como sendo leitores esclarecidos, bem como a ideia de que qualquer pessoa é competente em qualquer coisa, são princípios em que os correspondentes realmente acreditam, na sua maioria.” 

“Há alguns dissidentes e uns poucos que duvidam. Mas, na sua maioria, os que são correspondentes no De Correspondent têm aprendido que este tipo de envolvimento é muito útil e os ajuda a fazerem melhor trabalho. E mostram entusiasmo no seu aperfeiçoamento.” (...) 

Interrogado sobre a viabilidade deste modelo nos Estados Unidos, Jay Rosen lembra que a ideia de “membrasia” se limita muito à noção de doar apoio económico para sustentar qualquer instituição. No caso de um jornal, acaba por ser um departamento completamente separado da redacção. Mas “é quando as pessoas estão envolvidas com o jornalismo, e se sentem parte dele, que se cria o laço mais forte entre membros e jornalistas”. 

E, no entanto, não falta nos EUA uma “tradição forte de associações voluntárias e de filantropia”. Há modelos de “membrasia” no apoio às orquestras e outras instituições culturais, bem como em movimentos activistas [por causas concretas] e, evidentemente, na religião. As igrejas podem ser um exemplo interessante a ter em conta.

 

 

A entrevista com Jay Rosen, o lançamento do Membership Puzzle Project e o jornal De Correspondent, apresentado em inglês

Connosco
Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, subordinado ao tema genérico O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções” prossegue  no próximo dia 24 de Janeiro, sendo orador convidado António Lobo Xavier, advogado, político e conselheiro de Estado designado por Marcelo Rebelo de Sousa.  

António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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