null, 29 de Março, 2020
Media

Quando o jornal e os leitores formam uma comunidade

Os jornais vivem para os seus leitores e, em princípio, dos seus leitores. Pelo lado melhor, estabelecem com eles uma relação de serviço público. Outras vezes tratam-nos como consumidores, ou clientes instáveis, cujas preferências é preciso satisfazer. Quando a publicidade deixou de garantir a sobrevivência das empresas, estas apelaram à constância dos leitores como assinantes. Jay Rosen, docente de Jornalismo na Universidade de Nova Iorque, está a pesquisar um caminho ainda mais ambicioso: o de se estabelecer, entre os leitores e o seu jornal, uma relação de pertença, uma fidelidade de “membrasia”.

O projecto que apresentou, no final de Março de 2017, chama-se Membership Puzzle Project e, antes do mais, não esconde que tem mecenato à partida: é apoiado pela Fundação Knight, pelo Democracy Fund e pela First Look Media. Mas o seu objectivo é o de desenvolver os jornais como comunidades associativas de envolvimento pessoal, e o modelo proposto como exemplo a seguir é o de um jornal que já existe, o De Correspondent, na Holanda.  

“Uma das coisas que descobri  - afirma Jay Rosen -  é que o De Correspondent conseguiu, no período de três anos, criar uma cultura interna muito forte. É um lugar muito divertido para se trabalhar. As pessoas estão todas na mesma página.” 

“Não têm tanto cinismo sobre a sua própria empresa como muitos jornalistas nos jornais das grandes metrópoles. E têm uma liderança que é muito respeitada. Os princípios de manterem a ligação com os membros e de se relacionarem com as pessoas como sendo leitores esclarecidos, bem como a ideia de que qualquer pessoa é competente em qualquer coisa, são princípios em que os correspondentes realmente acreditam, na sua maioria.” 

“Há alguns dissidentes e uns poucos que duvidam. Mas, na sua maioria, os que são correspondentes no De Correspondent têm aprendido que este tipo de envolvimento é muito útil e os ajuda a fazerem melhor trabalho. E mostram entusiasmo no seu aperfeiçoamento.” (...) 

Interrogado sobre a viabilidade deste modelo nos Estados Unidos, Jay Rosen lembra que a ideia de “membrasia” se limita muito à noção de doar apoio económico para sustentar qualquer instituição. No caso de um jornal, acaba por ser um departamento completamente separado da redacção. Mas “é quando as pessoas estão envolvidas com o jornalismo, e se sentem parte dele, que se cria o laço mais forte entre membros e jornalistas”. 

E, no entanto, não falta nos EUA uma “tradição forte de associações voluntárias e de filantropia”. Há modelos de “membrasia” no apoio às orquestras e outras instituições culturais, bem como em movimentos activistas [por causas concretas] e, evidentemente, na religião. As igrejas podem ser um exemplo interessante a ter em conta.

 

 

A entrevista com Jay Rosen, o lançamento do Membership Puzzle Project e o jornal De Correspondent, apresentado em inglês

Connosco
Associações de imprensa europeias unem-se em defesa da liberdade de informação Ver galeria

Numa altura em que a crise espoletada pelo novo coronavírus começa a afectar, gravemente,  todos os sectores da economia europeia, várias  organizações internacionais de imprensa uniram-se para apelar às autoridades europeias no sentido de declararem o jornalismo como um  serviço essencial.


Numa carta dirigida à Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e aos Presidentes do Parlamento e Conselho europeus, as associações apelaram à garantia da livre circulação de informação, bem como à liberdade de imprensa, que consideram ser medidas essenciais para o combate do Covid-19. 


Poderá ler, a seguir, a tradução parcial e adaptada da carta:


"Nós, organizações que defendem a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, escrevemos-lhe para expressar a nossa profunda preocupação com a possibilidade de os governos tirarem partido da pandemia da COVID-19 para punirem os “media” e para introduzirem restrições no acesso da imprensa às decisões e acções governamentais.

Experiência jornalística no "YouTube" conquista público brasileiro Ver galeria

Em plena crise do sector mediático, o jornalismo lusófono continua a ser vanguardista na inovação. Os seus profissionais apostam, continuamente, em novos formatos e algumas das fórmulas testadas começam a dar os primeiros frutos.

Lançado, no YouTube, em Março de 2018, pela jornalista Mara Luquet e pelo actor Antonio Tabet, o canal brasileiro de jornalismo MyNews, já completou dois anos e conta com mais de 345 mil subscritores. A iniciativa emprega cerca de 30 pessoas, e atingiu, em 2019, um lucro superior a meio milhão de reais ( 88 mil euros).

Nos seus vídeos institucionais, o canal apresenta-se como um projecto jornalístico livre,  "sem ideologias tendenciosas ", com informação diversa e  plural,  que visa combater a polarização na sociedade brasileira.

Actualmente o My News produz 14 programas, em formatos variados e gratuitos, nos quais se incluem debates, entrevistas e colunas. Os temas mais abordados são a política, a economia e as finanças. 

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Opinião
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
Em toda a parte, ou quase, a pandemia causada pelo coronavírus fechou em casa muitos milhões de pessoas, para evitarem ser contaminadas. Um dos efeitos desse confinamento foi terem aumentado as audiências de televisão. Por outro lado, as pessoas precisam de informação, por isso o estado de emergência em Portugal mantém abertos os quiosques, que vendem jornais.   Melhores tempos para a comunicação social? Nem por isso,...
No Brasil uma empresa de mídia afixou uma campanha, de grande formato, com uma legenda: “Eu tô aqui porque sou um outdoor. E você, tá fazendo o quê na rua?”. Este é o melhor exemplo que vi nos últimos dias sobre a necessidade de manter a comunicação e reforçar as mensagens. Em Portugal e no estrangeiro sucedem-se adiamentos e cancelamentos de campanhas. Mas há também marcas que resolveram até...
O Covid-19, ou a “peste chinesa”, como já começa a ser conhecido, veio modificar profundamente os hábitos de vida dos portugueses, que não foram excepção  numa Europa assolada pelo contágio de um vírus mutante,  com dramáticas características infecciosas.  Neste quadro  de excepção, os “media”,  os audiovisuais e a Imprensa -- em suporte papel ou digital -- ,...
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SEO para Jornalistas
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Congresso Mundial de "Media"
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Stereo and Immersive Media 2020
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