Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Media

Quando o jornal e os leitores formam uma comunidade

Os jornais vivem para os seus leitores e, em princípio, dos seus leitores. Pelo lado melhor, estabelecem com eles uma relação de serviço público. Outras vezes tratam-nos como consumidores, ou clientes instáveis, cujas preferências é preciso satisfazer. Quando a publicidade deixou de garantir a sobrevivência das empresas, estas apelaram à constância dos leitores como assinantes. Jay Rosen, docente de Jornalismo na Universidade de Nova Iorque, está a pesquisar um caminho ainda mais ambicioso: o de se estabelecer, entre os leitores e o seu jornal, uma relação de pertença, uma fidelidade de “membrasia”.

O projecto que apresentou, no final de Março de 2017, chama-se Membership Puzzle Project e, antes do mais, não esconde que tem mecenato à partida: é apoiado pela Fundação Knight, pelo Democracy Fund e pela First Look Media. Mas o seu objectivo é o de desenvolver os jornais como comunidades associativas de envolvimento pessoal, e o modelo proposto como exemplo a seguir é o de um jornal que já existe, o De Correspondent, na Holanda.  

“Uma das coisas que descobri  - afirma Jay Rosen -  é que o De Correspondent conseguiu, no período de três anos, criar uma cultura interna muito forte. É um lugar muito divertido para se trabalhar. As pessoas estão todas na mesma página.” 

“Não têm tanto cinismo sobre a sua própria empresa como muitos jornalistas nos jornais das grandes metrópoles. E têm uma liderança que é muito respeitada. Os princípios de manterem a ligação com os membros e de se relacionarem com as pessoas como sendo leitores esclarecidos, bem como a ideia de que qualquer pessoa é competente em qualquer coisa, são princípios em que os correspondentes realmente acreditam, na sua maioria.” 

“Há alguns dissidentes e uns poucos que duvidam. Mas, na sua maioria, os que são correspondentes no De Correspondent têm aprendido que este tipo de envolvimento é muito útil e os ajuda a fazerem melhor trabalho. E mostram entusiasmo no seu aperfeiçoamento.” (...) 

Interrogado sobre a viabilidade deste modelo nos Estados Unidos, Jay Rosen lembra que a ideia de “membrasia” se limita muito à noção de doar apoio económico para sustentar qualquer instituição. No caso de um jornal, acaba por ser um departamento completamente separado da redacção. Mas “é quando as pessoas estão envolvidas com o jornalismo, e se sentem parte dele, que se cria o laço mais forte entre membros e jornalistas”. 

E, no entanto, não falta nos EUA uma “tradição forte de associações voluntárias e de filantropia”. Há modelos de “membrasia” no apoio às orquestras e outras instituições culturais, bem como em movimentos activistas [por causas concretas] e, evidentemente, na religião. As igrejas podem ser um exemplo interessante a ter em conta.

 

 

A entrevista com Jay Rosen, o lançamento do Membership Puzzle Project e o jornal De Correspondent, apresentado em inglês

Connosco
Quando os repórteres são os heróis que nos fazem falta Ver galeria

Parece excessivo declarar que os repórteres são os heróis do nosso tempo, como vem no título do texto que aqui citamos. Quem o diz não é um jornalista, mas um historiador. E explica porquê, e de que repórteres está a falar. Trata-se daqueles que assumem riscos e perdem a vida para investigar a verdade do que sucede à nossa volta  - e esse tipo de reportagem de investigação “é um pedacinho microscópico dessa coisa a que chamamos media”.

Os repórteres que “correm riscos pela verdade” fazem-no por todos nós, incluindo pelos soldados que vamos ou não enviar para a frente de batalha. O único modo de avaliarmos as guerras em que nos envolvemos é tendo repórteres “com a coragem e a capacidade de irem lá fazer reportagem”. Esta reflexão é do historiador norte-americano Timothy Snyder, que citamos da Global Investigative Journalism Network.

O jornalismo com mais “clics” pode não ser o mais lido Ver galeria

Pode acontecer que o melhor jornalismo nem seja o que é mais lido. Não gostamos de ouvir esta notícia, mas foi disto e de outras coisas parecidas que se falou no XXI Laboratorio de Periodismo da APM, o debate periódico sobre temas de actualidade que, na sua edição de Abril de 2017, teve por tema “O que lêem e o que não lêem os leitores”. O encontro decorreu na sede da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  e foi moderado por Nemésio Rodríguez, vice-presidente da APM e actual presidente da FAPE – Federación de las Asociaciones de Periodistas de España.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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Para Joana Marques Vidal, todo o seu mérito se resume a “ter impresso a uma pesada máquina em movimento um novo funcionamento”, mais “eficaz, mais oleado, mais interdependente entre as várias equipas especializadas, e mais responsabilizado e onde deixa transparecer uma grande proximidade entre a hierarquia e as várias instâncias envolvidas. Joana Marques Vidal nunca recebeu telefonemas de Rui Rio, ao contrário do seu antecessor. Mas...
O Poder do Dever
Luís Queirós
No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
A compra do The Los Angeles Times pelo cirurgião bilionário sino-americano Patrick Soon-Shiong – dono da maior fortuna da 2ª maior cidade americana - anunciada oficialmente em 7 de Fevereiro, marca o regresso da propriedade do jornal a um residente local, depois de 18 anos de controlo por grupos de media sediados fora da Califórnia. É o mais recente capítulo dos 137 anos de história do LA Times, propriedade da família Chandler durante...
Enquanto os dados mais recentes da APCT – Associação Portuguesa de controlo de Tiragem , confirmam a agonia de alguns titulos da Imprensa diária generalista e o recuo de semanários e de news magazines, do outro lado do Atlântico acredita-se que a credibilidade será a nova “moeda de troca” do jornalismo em 2018,  conforme se prevê num texto editado pelo Centro de Periodismo Digital de Guadalajara, que pode ser consultado...
Agenda
24
Abr
Social Media Week New York 2018
09:00 @ Sheraton Times Square, Nova Iorque
24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
25
Abr
8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa