Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

A grande Imprensa dos EUA enfrenta o “duopólio digital”

A associação que representa alguns dos maiores jornais de referência nos Estados Unidos, como The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post, vai solicitar ao Congresso uma isenção temporária das normas de concorrência, para poder negociar em conjunto perante o “duopólio” Google – Facebook. Este propósito é definido num artigo publicado em The New York Times, no qual a News Media Alliance diz que Google e Facebook "continuam a engolir o mercado de publicidade digital", retirando receitas que outrora pagavam um jornalismo de qualidade  – o mesmo que as plataformas tecnológicas disponibilizam de forma gratuita.

Segundo a notícia do Jornal de Negócios, que aqui citamos, as publicações reconhecem que estão dependentes do Google e Facebook para chegarem aos seus leitores, “lutando por atenção ao lado de notícias falsas, sites que replicam os seus conteúdos e vídeos de gatos”. 

A comparação vai ainda mais longe: se os gigantes tecnológicos são a “realeza da corte”, os jornais “são os suplicantes e os servos”. “Representam uma ameaça economicamente maior do que o presidente Trump (até agora) com a sua retórica”, acrescentam. A aliança reconhece ainda que seria necessária legislação adicional para que lhes seja dada autorização para negociar como um grupo. 

A News Media Alliance (que até Setembro de 2016 se chamava Newspaper Association of America) representa cerca de dois mil jornais nos EUA e no Canadá, incluindo jornais digitais e empresas multimédia. Também a News Corporation (de Rupert Murdoch) declarou que apoia o esforço de “chamar a atenção do público e do Congresso para o comportamento anti-competitivo do duopólio digital, especialmente no modo como ele afecta negativamente as empresas noticiosas e de informação”.

 

Mais informação no Jornal de Negócios, o artigo original do NYT (a que pertence a imagem utilizada) e a evolução da NAA para a nova News Media Alliance

Connosco
Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube
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