Quarta-feira, 24 de Abril, 2019
Media

A grande Imprensa dos EUA enfrenta o “duopólio digital”

A associação que representa alguns dos maiores jornais de referência nos Estados Unidos, como The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post, vai solicitar ao Congresso uma isenção temporária das normas de concorrência, para poder negociar em conjunto perante o “duopólio” Google – Facebook. Este propósito é definido num artigo publicado em The New York Times, no qual a News Media Alliance diz que Google e Facebook "continuam a engolir o mercado de publicidade digital", retirando receitas que outrora pagavam um jornalismo de qualidade  – o mesmo que as plataformas tecnológicas disponibilizam de forma gratuita.

Segundo a notícia do Jornal de Negócios, que aqui citamos, as publicações reconhecem que estão dependentes do Google e Facebook para chegarem aos seus leitores, “lutando por atenção ao lado de notícias falsas, sites que replicam os seus conteúdos e vídeos de gatos”. 

A comparação vai ainda mais longe: se os gigantes tecnológicos são a “realeza da corte”, os jornais “são os suplicantes e os servos”. “Representam uma ameaça economicamente maior do que o presidente Trump (até agora) com a sua retórica”, acrescentam. A aliança reconhece ainda que seria necessária legislação adicional para que lhes seja dada autorização para negociar como um grupo. 

A News Media Alliance (que até Setembro de 2016 se chamava Newspaper Association of America) representa cerca de dois mil jornais nos EUA e no Canadá, incluindo jornais digitais e empresas multimédia. Também a News Corporation (de Rupert Murdoch) declarou que apoia o esforço de “chamar a atenção do público e do Congresso para o comportamento anti-competitivo do duopólio digital, especialmente no modo como ele afecta negativamente as empresas noticiosas e de informação”.

 

Mais informação no Jornal de Negócios, o artigo original do NYT (a que pertence a imagem utilizada) e a evolução da NAA para a nova News Media Alliance

Connosco
Os sete elementos decisivos para os leitores confiarem nos Media Ver galeria

Sete elementos fundamentais foram identificados como decisivos na confiança que os leitores depositam num meio de comunicação  - e os três primeiros, votados a grande distância de todos os outros, são o equilíbrio, a honestidade e a profundidade de tratamento dos temas.

Esta recolha foi elaborada a partir de um inquérito realizado por vários media associados à TrustingNews.org, na forma de 81 entrevistas pessoais com leitores escolhidos como representantes de diversos pontos de vista.

Rob Jones, um estudante na Escola de Jornalismo do Missouri, pesquisou os temas mais presentes em todas as respostas e organizou-os no estudo agora divulgado pelo Instituto Reynolds de Jornalismo. A informação é publicada na Red Ética, da FNPI – Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano.
Quando o jornalismo procura o passado para ler o futuro Ver galeria

O futuro que foi imaginado pela literatura do passado nem sempre coincide com o que vemos hoje. Tanto pelo seu lado mais luminoso, como pelo mais sombrio, podemos reencontrar “imagens das histórias utópicas ou distópicas já contadas”.
Mas, “em tempos de esperança reduzida, em que pouco se vê além da poeira levantada pela vida agitada deste momento, as distopias têm voltado a ser mais lembradas”.

É esta a reflexão inicial de Vanessa Pedro, docente de jornalismo e pesquisadora do ObjEthos, num artigo sobre este gosto presente pelos zombies, “as histórias dos mortos-vivos, que nem se vão nos deixando em paz e nem voltam mesmo à vida como um milagre que poderia trazer esperanças de renovação”.

Neste tipo de leitura  - como acrescenta -  “o passado acaba sendo um ideal mais interessante e feliz do que o futuro”:

“E aí vemos diversos agendamentos, inclusive como pauta do Jornalismo e da sociedade de forma geral. O período da ditadura militar brasileira passa a ser idolatrado, defendido e desejado, quase festejado. (...)  Até as décadas que antecedem e sucedem a Segunda Guerra Mundial entraram na disputa, têm sido citadas, defendidas, atacadas, recontadas para serem usadas como narrativas de um mundo ideal, ou ideal para ser repelido.” (...)

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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