Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Novas iniciativas

“El Salto” alarga proposta original financiada pelos leitores

A revista mensal El Salto, que surgiu  há poucos meses, substituindo o extinto jornal Diagonal, acaba de editar o seu terceiro numero.

Trata-se de um novo modelo, que assenta em formas distintas de colaboração e de cooperação entre projectos afins, mas com suportes diferentes.

Martin Cuneo, membro da equipa do El Salto, classifica-o como “uma confederação de meios“.

 A sua versão em papel tem seis edições regionais: Andaluzia, Aragão, Hordago, Madrid,Galiza e Valência, e pode ser adquirido em mais de 5 mil e quinhentos postos de venda no território espanhol, ou através do site Saltamos.net.

El Salto, não tem um director, mas sim vários coordenadores, e é publicado por um “editor colectivo" apoiado em diferentes projectos jornalisticos que se  envolvem na edição de formas diferentes.

A  investigação conjunta e a publicação mensal da revista a par de um site web, são alguns dos projectos oriundos de diferentes territórios que partilham a mesma ideia dcomunicacional baseada em quatro princípios essenciais:

- um jornalismo que não dependa economicamente da publicidade das grandes empresas, nem de governos;

- um jornalismo que funcione de forma horizontal;

- um jornalismo de qualidade e rigor;

- e um jornalismo que procure colaborar com projectos afins.

El Salto, integra informação geral “ligada à actualidade”, e tem, entre outros, como objectivo, fazer uma análise aprofundada dos temas, que permita ao leitor entender o que está a passar-se à sua volta.

 

Desde que surgiu em 2016, o projecto iniciou uma campanha de assinaturas, tendo obtido até agora 6 mil e seiscentos aderentes..

A filosofia do El Salto, como explica Martin Cuneo, é a de que os conteúdos têm que estar disponíveis para todos. "Acreditamos na democratização da informação e temos como objectivo  chegar ao maior número de pessoas possível”, afirma.

Para além dos assinantes já incritos, o El Salto conta com 108 mil seguidores no Twitter e mais de 150 mil no Facebook.

O projecto espanhol tem já um “irmão” italiano, Il Salto, que partilha os mesmos princípios de independência, propriedade comum e qualidade jornalística.

 

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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