Terça-feira, 21 de Novembro, 2017
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A invasão de notícias falsas pode transformar a Internet num "Estado falhado"

A Internet pode ser “um Estado falhado”, como disse John Naughton, inundada de mentiras e manipulações por todos os lados, mas a publicidade de falsos remédios ou processos de cura “é uma indústria cujo êxito económico se baseia no seu próprio fracasso”. Ninguém fica curado, mas todos pagam. É esta a reflexão do editor de Media-tics, Miguel Ormaetxea, sobre um dos aspectos menos em evidência da praga das fake news.

O caso é tão sério que a jornalista de investigação Cathryn Jakobson Ramin publicou recentemente um livro em que documenta como a maior parte das terapias que se aconselham para curar as dores de costas não são eficazes. A autora explica que estes tratamentos custam, nos Estados Unidos, cerca de 100 mil milhões de dólares por ano, “mais do que se gasta, no mesmo período, com o cancro, as doenças coronárias e a SIDA, tudo junto”. 

“Depois de seis anos a investigar estas queixas, Cathryn Jakobson chegou à conclusão de que muitos dos tratamentos que custam tanto dinheiro são uma fraude e estão cheios de erros. A jornalista sublinha que os próprios doentes são propensos a cairem no engano.” (...) 

“Passamos oito horas no trabalho, mais um par de horas no sofá, em casa, e muitas mais deitados na cama, portanto não é de estranhar que as costas se queixem. Fazer exercício e estiramentos de modo regular pode ser a melhor opção, segundo Jakobson, que também sofre destas dores crónicas.” (...) 

O próprio Miguel Ormaetxea descreve como as coisas se passam na Net: “Basta que se faça uma consulta na Internet sobre uma doença para nos cair em cima um dilúvio de ofertas, na maior parte tendenciosas ou enganosas.” (...) 

É claro que nem todos serão desta natureza. O autor esclarece que os grandes motores de busca, e neste caso o Google, têm o seu próprio sistema de filtragem, mas “está a tornar-se imprescindível e urgente uma limpeza maciça do eco-sistema da publicidade”. Como disse o perito em marketing Scott Galloway, “a publicidade está a tornar-se um imposto que pagam os pobres e os analfabetos tecnológicos”. (...) 

A Amnistia Internacional, por seu lado, faz um esforço para desmascarar a invasão da falsidade. “O seu laboratório verifica vídeos e imagens de abusos denunciados dos Direitos Humanos. Utiliza o Google Earth para examinar as paisagens de fundo e para provar se determinado vídeo ou imagem foram de facto obtidos quando e onde se afirma.” (...)

 

 

Mais informação em Media-tics e no artigo de John Naughton

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Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas Ver galeria

“Um jornal, hoje, não pode viver sem se pôr de joelhos diante da Google”. Foi esta a síntese de Casimiro García Abadillo, director de El Independiente, na comemoração do centenário do jornal El Sol. Disse ainda que as quedas da tiragem e da receita publicitária, desde a chegada da Internet, trouxeram uma “debilidade financeira” que permitiu que os grandes jornais fossem apropriados pela banca e outros grupos empresariais. Outra consequência foi a perda de emprego para muitos profissionais e uma desvalorização salarial que “proletarizou [a profissão] até limites insuportáveis”. A reportagem é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro Ver galeria

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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