Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
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A invasão de notícias falsas pode transformar a Internet num "Estado falhado"

A Internet pode ser “um Estado falhado”, como disse John Naughton, inundada de mentiras e manipulações por todos os lados, mas a publicidade de falsos remédios ou processos de cura “é uma indústria cujo êxito económico se baseia no seu próprio fracasso”. Ninguém fica curado, mas todos pagam. É esta a reflexão do editor de Media-tics, Miguel Ormaetxea, sobre um dos aspectos menos em evidência da praga das fake news.

O caso é tão sério que a jornalista de investigação Cathryn Jakobson Ramin publicou recentemente um livro em que documenta como a maior parte das terapias que se aconselham para curar as dores de costas não são eficazes. A autora explica que estes tratamentos custam, nos Estados Unidos, cerca de 100 mil milhões de dólares por ano, “mais do que se gasta, no mesmo período, com o cancro, as doenças coronárias e a SIDA, tudo junto”. 

“Depois de seis anos a investigar estas queixas, Cathryn Jakobson chegou à conclusão de que muitos dos tratamentos que custam tanto dinheiro são uma fraude e estão cheios de erros. A jornalista sublinha que os próprios doentes são propensos a cairem no engano.” (...) 

“Passamos oito horas no trabalho, mais um par de horas no sofá, em casa, e muitas mais deitados na cama, portanto não é de estranhar que as costas se queixem. Fazer exercício e estiramentos de modo regular pode ser a melhor opção, segundo Jakobson, que também sofre destas dores crónicas.” (...) 

O próprio Miguel Ormaetxea descreve como as coisas se passam na Net: “Basta que se faça uma consulta na Internet sobre uma doença para nos cair em cima um dilúvio de ofertas, na maior parte tendenciosas ou enganosas.” (...) 

É claro que nem todos serão desta natureza. O autor esclarece que os grandes motores de busca, e neste caso o Google, têm o seu próprio sistema de filtragem, mas “está a tornar-se imprescindível e urgente uma limpeza maciça do eco-sistema da publicidade”. Como disse o perito em marketing Scott Galloway, “a publicidade está a tornar-se um imposto que pagam os pobres e os analfabetos tecnológicos”. (...) 

A Amnistia Internacional, por seu lado, faz um esforço para desmascarar a invasão da falsidade. “O seu laboratório verifica vídeos e imagens de abusos denunciados dos Direitos Humanos. Utiliza o Google Earth para examinar as paisagens de fundo e para provar se determinado vídeo ou imagem foram de facto obtidos quando e onde se afirma.” (...)

 

 

Mais informação em Media-tics e no artigo de John Naughton

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Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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