Quinta-feira, 21 de Setembro, 2017
Fórum

A invasão de notícias falsas pode transformar a Internet num "Estado falhado"

A Internet pode ser “um Estado falhado”, como disse John Naughton, inundada de mentiras e manipulações por todos os lados, mas a publicidade de falsos remédios ou processos de cura “é uma indústria cujo êxito económico se baseia no seu próprio fracasso”. Ninguém fica curado, mas todos pagam. É esta a reflexão do editor de Media-tics, Miguel Ormaetxea, sobre um dos aspectos menos em evidência da praga das fake news.

O caso é tão sério que a jornalista de investigação Cathryn Jakobson Ramin publicou recentemente um livro em que documenta como a maior parte das terapias que se aconselham para curar as dores de costas não são eficazes. A autora explica que estes tratamentos custam, nos Estados Unidos, cerca de 100 mil milhões de dólares por ano, “mais do que se gasta, no mesmo período, com o cancro, as doenças coronárias e a SIDA, tudo junto”. 

“Depois de seis anos a investigar estas queixas, Cathryn Jakobson chegou à conclusão de que muitos dos tratamentos que custam tanto dinheiro são uma fraude e estão cheios de erros. A jornalista sublinha que os próprios doentes são propensos a cairem no engano.” (...) 

“Passamos oito horas no trabalho, mais um par de horas no sofá, em casa, e muitas mais deitados na cama, portanto não é de estranhar que as costas se queixem. Fazer exercício e estiramentos de modo regular pode ser a melhor opção, segundo Jakobson, que também sofre destas dores crónicas.” (...) 

O próprio Miguel Ormaetxea descreve como as coisas se passam na Net: “Basta que se faça uma consulta na Internet sobre uma doença para nos cair em cima um dilúvio de ofertas, na maior parte tendenciosas ou enganosas.” (...) 

É claro que nem todos serão desta natureza. O autor esclarece que os grandes motores de busca, e neste caso o Google, têm o seu próprio sistema de filtragem, mas “está a tornar-se imprescindível e urgente uma limpeza maciça do eco-sistema da publicidade”. Como disse o perito em marketing Scott Galloway, “a publicidade está a tornar-se um imposto que pagam os pobres e os analfabetos tecnológicos”. (...) 

A Amnistia Internacional, por seu lado, faz um esforço para desmascarar a invasão da falsidade. “O seu laboratório verifica vídeos e imagens de abusos denunciados dos Direitos Humanos. Utiliza o Google Earth para examinar as paisagens de fundo e para provar se determinado vídeo ou imagem foram de facto obtidos quando e onde se afirma.” (...)

 

 

Mais informação em Media-tics e no artigo de John Naughton

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


ver mais >
Opinião
Na semana passada aconteceu o que há muito se esperava – um dos maiores grupos de comunicação anunciou que vai encerrar ou vender a maior parte dos seus títulos de imprensa. A braços com um endividamente gigantesco, acaba por reconhecer que as receitas que obtém, quando existem, são insuficientes para inverter a situação criada ao longo de anos. O cenário actual complica tudo: é devastador folhear um jornal...
Falhada a emissão obrigacionista, sabia-se que algo teria de acontecer na Impresa, em função do elevado nível do seu endividamento. A entrevista de 12 páginas publicada na revista do Expresso com António Costa, sem nenhuma novidade que justificasse tamanho relevo, acompanhada de uma invulgar chamada de capa  a 5 colunas (além da própria capa integral da revista)  já deixava perceber um critério editorial pouco...
Peter Barbey, actual proprietário (desde 2015) do The Village Voice, anunciou em 22 de Agosto o fim da edição impressa do semanário nova-iorquino, após 62 anos de publicação, continuando a ser produzida a versão digital. A edição impressa – gratuita desde há 21 anos -  tinha actualmente uma tiragem de 120 mil exemplares, enquanto a versão digital, segundo a comScore (empresa de análise de...
Balsemão e o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
O grupo Impresa passa por algumas dificuldades, constando que irá vender, ou fechar, certas revistas. Mas essas dificuldades não devem levar-nos a esquecer que Francisco P. Balsemão é um destacado empresário da comunicação social. Chegou a primeiro-ministro, mas a sua paixão era e é o jornalismo. Por isso, enquanto chefe do grupo Impresa, soube compreender e até promover a independência editorial dos seus...
O Rumo da Europa
Luís Queirós
Na minha opinião, as declarações da Sra Merkel na Baviera - proferidas no rescaldo da cimeira do G7, em Taormina- podem ser o sinal de uma mudança de rumo para a Europa. No essencial, a Sra. Merkel sentenciou que "os europeus têm de cuidar de si próprios e resolver os seus problemas, e que a Europa tem de continuar a manter boas relações com  os Estados Unidos e com ao Reino Unido, mas também com outros países,...
Agenda
25
Set
4º Workshop de Pós-Graduação em Ciência da Informação
09:00 @ Faculdade de Letras da Universidade do Porto
25
Set
Atelier de Jornalismo Televisivo
09:00 @ Cenjor, Lisboa
02
Out
09
Out