Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
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A invasão de notícias falsas pode transformar a Internet num "Estado falhado"

A Internet pode ser “um Estado falhado”, como disse John Naughton, inundada de mentiras e manipulações por todos os lados, mas a publicidade de falsos remédios ou processos de cura “é uma indústria cujo êxito económico se baseia no seu próprio fracasso”. Ninguém fica curado, mas todos pagam. É esta a reflexão do editor de Media-tics, Miguel Ormaetxea, sobre um dos aspectos menos em evidência da praga das fake news.

O caso é tão sério que a jornalista de investigação Cathryn Jakobson Ramin publicou recentemente um livro em que documenta como a maior parte das terapias que se aconselham para curar as dores de costas não são eficazes. A autora explica que estes tratamentos custam, nos Estados Unidos, cerca de 100 mil milhões de dólares por ano, “mais do que se gasta, no mesmo período, com o cancro, as doenças coronárias e a SIDA, tudo junto”. 

“Depois de seis anos a investigar estas queixas, Cathryn Jakobson chegou à conclusão de que muitos dos tratamentos que custam tanto dinheiro são uma fraude e estão cheios de erros. A jornalista sublinha que os próprios doentes são propensos a cairem no engano.” (...) 

“Passamos oito horas no trabalho, mais um par de horas no sofá, em casa, e muitas mais deitados na cama, portanto não é de estranhar que as costas se queixem. Fazer exercício e estiramentos de modo regular pode ser a melhor opção, segundo Jakobson, que também sofre destas dores crónicas.” (...) 

O próprio Miguel Ormaetxea descreve como as coisas se passam na Net: “Basta que se faça uma consulta na Internet sobre uma doença para nos cair em cima um dilúvio de ofertas, na maior parte tendenciosas ou enganosas.” (...) 

É claro que nem todos serão desta natureza. O autor esclarece que os grandes motores de busca, e neste caso o Google, têm o seu próprio sistema de filtragem, mas “está a tornar-se imprescindível e urgente uma limpeza maciça do eco-sistema da publicidade”. Como disse o perito em marketing Scott Galloway, “a publicidade está a tornar-se um imposto que pagam os pobres e os analfabetos tecnológicos”. (...) 

A Amnistia Internacional, por seu lado, faz um esforço para desmascarar a invasão da falsidade. “O seu laboratório verifica vídeos e imagens de abusos denunciados dos Direitos Humanos. Utiliza o Google Earth para examinar as paisagens de fundo e para provar se determinado vídeo ou imagem foram de facto obtidos quando e onde se afirma.” (...)

 

 

Mais informação em Media-tics e no artigo de John Naughton

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Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, subordinado ao tema genérico O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções” prossegue  no próximo dia 24 de Janeiro, sendo orador convidado António Lobo Xavier, advogado, político e conselheiro de Estado designado por Marcelo Rebelo de Sousa.  

António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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