Terça-feira, 21 de Novembro, 2017
Media

Jornal digital catalão oferece formato para ser impresso em casa

Um dos maiores problemas, no jornalismo digital, é que as pessoas passaram a receber as notícias por meio das redes sociais, e acabam por ficar só com um pedaço, perdem o contexto e a visão de conjunto do que acontece. Por que não criar um jornal que possam imprimir em casa, publicado às dez da noite? Foi esta ideia que levou Vicent Partal, o director do jornal online catalão VilaWeb, a imaginar e propor aos seus assinantes este desdobramento da primeira edição.

Anunciada no final de Junho, a VilaWeb Paper é uma edição vespertina, que os leitores podem imprimir no conforto das suas casas, ou abrir no telemóvel ou no tablet. Ao contrário dos jornais tradicionais, não pode ser encontrado nos quiosques. 

A VilaWeb Paper fica disponível às 22 horas, quando as pessoas estão em casa e têm tempo para ler. A ideia é destacar as chamadas slow news, “um noticiário muito mais elaborado”. 

Segundo Vicent Partal, o número de textos que serão publicados nesta edição ainda está por decidir. Ele aponta para um jornal que não tenha mais de 24 páginas:

“Não se trata de um jornal impresso tradicional, mas eu acho que se uma pessoa tiver de imprimir mais do que 24 páginas, não é bom. Vamos incluir artigos de opinião, que são muito importantes para a VilaWeb, entrevistas, algumas reportagens e notícias mais pequenas, mas não as últimas do momento.” (...) 

“Ao deixarmos que sejam as próprias pessoas a imprimir o seu jornal, estamos a contornar o problema da distribuição e estamos também a chegar às pessoas no exacto momento em que têm tempo para ler.” 

Curiosamente, a ideia nasceu em conversas a respeito das fake news, do papel da Internet e do desafio que se coloca, aos jornais, de realçar “a qualidade da Imprensa, principalmente da digital”.

VilaWeb enveredou pelas assinaturas há três anos e tem neste momento 6.000 assinantes. Vicent Partal diz que está a procurar identificar o melhor modo de formar uma base forte neste espaço: 

“Não precisamos de muitos, temos a esperança de chegar aos dez mil, talvez vinte mil, nos próximos três anos, porque isso iria mudar e simplificar o nosso modelo.” 

“O jornalismo dirige-se a comunidades verdadeiras, de pessoas verdadeiras, portanto temos de ser parte delas, e ter instrumentos que deixem as pessoas ajudar-nos, mostrando-nos o que querem”  - acrescenta.

O pior, para os assinantes do jornal, será o custo dos tinteiros das impressoras domésticas...

 

O artigo original, em Journalism.co.uk, que contém o link para o vídeo em que Vicent Partal conta, em inglês, a história de VilaWeb. Mais informação em Media-tics

Connosco
Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas Ver galeria

“Um jornal, hoje, não pode viver sem se pôr de joelhos diante da Google”. Foi esta a síntese de Casimiro García Abadillo, director de El Independiente, na comemoração do centenário do jornal El Sol. Disse ainda que as quedas da tiragem e da receita publicitária, desde a chegada da Internet, trouxeram uma “debilidade financeira” que permitiu que os grandes jornais fossem apropriados pela banca e outros grupos empresariais. Outra consequência foi a perda de emprego para muitos profissionais e uma desvalorização salarial que “proletarizou [a profissão] até limites insuportáveis”. A reportagem é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro Ver galeria

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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