Quinta-feira, 21 de Setembro, 2017
Media

Jornal digital catalão oferece formato para ser impresso em casa

Um dos maiores problemas, no jornalismo digital, é que as pessoas passaram a receber as notícias por meio das redes sociais, e acabam por ficar só com um pedaço, perdem o contexto e a visão de conjunto do que acontece. Por que não criar um jornal que possam imprimir em casa, publicado às dez da noite? Foi esta ideia que levou Vicent Partal, o director do jornal online catalão VilaWeb, a imaginar e propor aos seus assinantes este desdobramento da primeira edição.

Anunciada no final de Junho, a VilaWeb Paper é uma edição vespertina, que os leitores podem imprimir no conforto das suas casas, ou abrir no telemóvel ou no tablet. Ao contrário dos jornais tradicionais, não pode ser encontrado nos quiosques. 

A VilaWeb Paper fica disponível às 22 horas, quando as pessoas estão em casa e têm tempo para ler. A ideia é destacar as chamadas slow news, “um noticiário muito mais elaborado”. 

Segundo Vicent Partal, o número de textos que serão publicados nesta edição ainda está por decidir. Ele aponta para um jornal que não tenha mais de 24 páginas:

“Não se trata de um jornal impresso tradicional, mas eu acho que se uma pessoa tiver de imprimir mais do que 24 páginas, não é bom. Vamos incluir artigos de opinião, que são muito importantes para a VilaWeb, entrevistas, algumas reportagens e notícias mais pequenas, mas não as últimas do momento.” (...) 

“Ao deixarmos que sejam as próprias pessoas a imprimir o seu jornal, estamos a contornar o problema da distribuição e estamos também a chegar às pessoas no exacto momento em que têm tempo para ler.” 

Curiosamente, a ideia nasceu em conversas a respeito das fake news, do papel da Internet e do desafio que se coloca, aos jornais, de realçar “a qualidade da Imprensa, principalmente da digital”.

VilaWeb enveredou pelas assinaturas há três anos e tem neste momento 6.000 assinantes. Vicent Partal diz que está a procurar identificar o melhor modo de formar uma base forte neste espaço: 

“Não precisamos de muitos, temos a esperança de chegar aos dez mil, talvez vinte mil, nos próximos três anos, porque isso iria mudar e simplificar o nosso modelo.” 

“O jornalismo dirige-se a comunidades verdadeiras, de pessoas verdadeiras, portanto temos de ser parte delas, e ter instrumentos que deixem as pessoas ajudar-nos, mostrando-nos o que querem”  - acrescenta.

O pior, para os assinantes do jornal, será o custo dos tinteiros das impressoras domésticas...

 

O artigo original, em Journalism.co.uk, que contém o link para o vídeo em que Vicent Partal conta, em inglês, a história de VilaWeb. Mais informação em Media-tics

Connosco
A prisão solitária do “egosistema digital” como doença contagiosa do nosso tempo Ver galeria

Há uma geração zombie deambulando pelas ruas sem levantar os olhos dos seus ecrãs, teclando no Whatsapp ou consultando o Facebook. Até os restaurantes se tornaram mais silenciosos, porque chamamos o empregado tocando num botão e conversamos à distância pelo smartphone sem prestar atenção aos vizinhos de mesa que estão a fazer exactamente o mesmo. Não é uma mudança tecnológica, é uma revolução sociológica. E o vírus é contagioso, impregnou o espaço do cosmos. Todos fomos contagiados pela doença do nosso tempo, o egosistema digital.

O jornalismo em “tempos de cólera” e a interacção com o público Ver galeria

Chegámos a um novo “patamar de interacção entre jornais e público, potencializado pela Internet e pelas ferramentas de diálogo”, e é nesse espaço  que “um tipo específico de emoção e de sensação” é agora exposto com mais frequência: “há casos recentes e emblemáticos que ilustram tempos de cólera, intolerância e polarização social por todo o mundo”. A questão de fundo é a de saber que papel de controlo, ou de mediação, pode ainda o jornalismo exercer. É este o tema do “comentário da semana” de ObjEthos, Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


ver mais >
Opinião
Na semana passada aconteceu o que há muito se esperava – um dos maiores grupos de comunicação anunciou que vai encerrar ou vender a maior parte dos seus títulos de imprensa. A braços com um endividamente gigantesco, acaba por reconhecer que as receitas que obtém, quando existem, são insuficientes para inverter a situação criada ao longo de anos. O cenário actual complica tudo: é devastador folhear um jornal...
Falhada a emissão obrigacionista, sabia-se que algo teria de acontecer na Impresa, em função do elevado nível do seu endividamento. A entrevista de 12 páginas publicada na revista do Expresso com António Costa, sem nenhuma novidade que justificasse tamanho relevo, acompanhada de uma invulgar chamada de capa  a 5 colunas (além da própria capa integral da revista)  já deixava perceber um critério editorial pouco...
Peter Barbey, actual proprietário (desde 2015) do The Village Voice, anunciou em 22 de Agosto o fim da edição impressa do semanário nova-iorquino, após 62 anos de publicação, continuando a ser produzida a versão digital. A edição impressa – gratuita desde há 21 anos -  tinha actualmente uma tiragem de 120 mil exemplares, enquanto a versão digital, segundo a comScore (empresa de análise de...
Balsemão e o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
O grupo Impresa passa por algumas dificuldades, constando que irá vender, ou fechar, certas revistas. Mas essas dificuldades não devem levar-nos a esquecer que Francisco P. Balsemão é um destacado empresário da comunicação social. Chegou a primeiro-ministro, mas a sua paixão era e é o jornalismo. Por isso, enquanto chefe do grupo Impresa, soube compreender e até promover a independência editorial dos seus...
O Rumo da Europa
Luís Queirós
Na minha opinião, as declarações da Sra Merkel na Baviera - proferidas no rescaldo da cimeira do G7, em Taormina- podem ser o sinal de uma mudança de rumo para a Europa. No essencial, a Sra. Merkel sentenciou que "os europeus têm de cuidar de si próprios e resolver os seus problemas, e que a Europa tem de continuar a manter boas relações com  os Estados Unidos e com ao Reino Unido, mas também com outros países,...
Agenda
25
Set
4º Workshop de Pós-Graduação em Ciência da Informação
09:00 @ Faculdade de Letras da Universidade do Porto
25
Set
Atelier de Jornalismo Televisivo
09:00 @ Cenjor, Lisboa
02
Out
09
Out