Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

Jornal digital catalão oferece formato para ser impresso em casa

Um dos maiores problemas, no jornalismo digital, é que as pessoas passaram a receber as notícias por meio das redes sociais, e acabam por ficar só com um pedaço, perdem o contexto e a visão de conjunto do que acontece. Por que não criar um jornal que possam imprimir em casa, publicado às dez da noite? Foi esta ideia que levou Vicent Partal, o director do jornal online catalão VilaWeb, a imaginar e propor aos seus assinantes este desdobramento da primeira edição.

Anunciada no final de Junho, a VilaWeb Paper é uma edição vespertina, que os leitores podem imprimir no conforto das suas casas, ou abrir no telemóvel ou no tablet. Ao contrário dos jornais tradicionais, não pode ser encontrado nos quiosques. 

A VilaWeb Paper fica disponível às 22 horas, quando as pessoas estão em casa e têm tempo para ler. A ideia é destacar as chamadas slow news, “um noticiário muito mais elaborado”. 

Segundo Vicent Partal, o número de textos que serão publicados nesta edição ainda está por decidir. Ele aponta para um jornal que não tenha mais de 24 páginas:

“Não se trata de um jornal impresso tradicional, mas eu acho que se uma pessoa tiver de imprimir mais do que 24 páginas, não é bom. Vamos incluir artigos de opinião, que são muito importantes para a VilaWeb, entrevistas, algumas reportagens e notícias mais pequenas, mas não as últimas do momento.” (...) 

“Ao deixarmos que sejam as próprias pessoas a imprimir o seu jornal, estamos a contornar o problema da distribuição e estamos também a chegar às pessoas no exacto momento em que têm tempo para ler.” 

Curiosamente, a ideia nasceu em conversas a respeito das fake news, do papel da Internet e do desafio que se coloca, aos jornais, de realçar “a qualidade da Imprensa, principalmente da digital”.

VilaWeb enveredou pelas assinaturas há três anos e tem neste momento 6.000 assinantes. Vicent Partal diz que está a procurar identificar o melhor modo de formar uma base forte neste espaço: 

“Não precisamos de muitos, temos a esperança de chegar aos dez mil, talvez vinte mil, nos próximos três anos, porque isso iria mudar e simplificar o nosso modelo.” 

“O jornalismo dirige-se a comunidades verdadeiras, de pessoas verdadeiras, portanto temos de ser parte delas, e ter instrumentos que deixem as pessoas ajudar-nos, mostrando-nos o que querem”  - acrescenta.

O pior, para os assinantes do jornal, será o custo dos tinteiros das impressoras domésticas...

 

O artigo original, em Journalism.co.uk, que contém o link para o vídeo em que Vicent Partal conta, em inglês, a história de VilaWeb. Mais informação em Media-tics

Connosco
Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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