Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Jornal digital catalão oferece formato para ser impresso em casa

Um dos maiores problemas, no jornalismo digital, é que as pessoas passaram a receber as notícias por meio das redes sociais, e acabam por ficar só com um pedaço, perdem o contexto e a visão de conjunto do que acontece. Por que não criar um jornal que possam imprimir em casa, publicado às dez da noite? Foi esta ideia que levou Vicent Partal, o director do jornal online catalão VilaWeb, a imaginar e propor aos seus assinantes este desdobramento da primeira edição.

Anunciada no final de Junho, a VilaWeb Paper é uma edição vespertina, que os leitores podem imprimir no conforto das suas casas, ou abrir no telemóvel ou no tablet. Ao contrário dos jornais tradicionais, não pode ser encontrado nos quiosques. 

A VilaWeb Paper fica disponível às 22 horas, quando as pessoas estão em casa e têm tempo para ler. A ideia é destacar as chamadas slow news, “um noticiário muito mais elaborado”. 

Segundo Vicent Partal, o número de textos que serão publicados nesta edição ainda está por decidir. Ele aponta para um jornal que não tenha mais de 24 páginas:

“Não se trata de um jornal impresso tradicional, mas eu acho que se uma pessoa tiver de imprimir mais do que 24 páginas, não é bom. Vamos incluir artigos de opinião, que são muito importantes para a VilaWeb, entrevistas, algumas reportagens e notícias mais pequenas, mas não as últimas do momento.” (...) 

“Ao deixarmos que sejam as próprias pessoas a imprimir o seu jornal, estamos a contornar o problema da distribuição e estamos também a chegar às pessoas no exacto momento em que têm tempo para ler.” 

Curiosamente, a ideia nasceu em conversas a respeito das fake news, do papel da Internet e do desafio que se coloca, aos jornais, de realçar “a qualidade da Imprensa, principalmente da digital”.

VilaWeb enveredou pelas assinaturas há três anos e tem neste momento 6.000 assinantes. Vicent Partal diz que está a procurar identificar o melhor modo de formar uma base forte neste espaço: 

“Não precisamos de muitos, temos a esperança de chegar aos dez mil, talvez vinte mil, nos próximos três anos, porque isso iria mudar e simplificar o nosso modelo.” 

“O jornalismo dirige-se a comunidades verdadeiras, de pessoas verdadeiras, portanto temos de ser parte delas, e ter instrumentos que deixem as pessoas ajudar-nos, mostrando-nos o que querem”  - acrescenta.

O pior, para os assinantes do jornal, será o custo dos tinteiros das impressoras domésticas...

 

O artigo original, em Journalism.co.uk, que contém o link para o vídeo em que Vicent Partal conta, em inglês, a história de VilaWeb. Mais informação em Media-tics

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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