Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

No Museu Nacional da Imprensa pode-se “reviver” a composição tipográfica a chumbo

Inaugurado há vinte anos, o Museu Nacional da Imprensa, situado no Porto, preserva “um dos maiores espólios mundiais de artes gráficas” e é o primeiro “museu vivo” do País, aberto 365 dias por ano. É um museu onde não é proibido mexer, antes pelo contrário: os visitantes podem viver a experiência de tocar nas peças e simular o processo de impressão e composição. Apesar do desprezo com que o delírio da “revolução digital” tratou a história dos jornais, sobreviveram em Portugal “muitas relíquias tipográficas” que o Museu Nacional da Imprensa se orgulha de abrigar e defender.

Há vinte anos ainda não havia redes sociais e os computadores pareciam televisores de secretária, com um teclado na frente, mas gordos e pesados por detrás do monitor. A história acelerou muito, e nem sempre tem sido amável com o jornalismo, mas tudo envelhece  -  mesmo aquilo que hoje parece que tem o futuro à sua frente.

 

Segundo o texto de apresentação no próprio site do Museu Nacional da Imprensa/Jornais e Artes Gráficas, que aqui citamos, “desde a inauguração, ocorrida em Abril de 1997, que perspectivamos a nossa actividade de forma a romper com o paradigma tradicional dos museus. (...) 

 

“É claro que lidamos com um objecto muito transversal  – a Imprensa –  mas a valorização do cartoon, como linguagem universal e acessível a todos, tem constituído um dos pilares da estratégia seguida. Imprimir textos de Camões, Almeida Garrett, Eça de Queirós, Sofia de Mello Breyner, ou Eugénio de Andrade, ou mesmo páginas de jornais, a par da produção manual de papel e do desfrute inteligente do humor, no Museu ou noutros espaços culturais e ‘comerciais’, tem sido uma prática que se intensifica à medida que a descentralização aumenta.”

 

“No campo da internacionalização, o PortoCartoon surge como uma pequenina aventura que cresce de ano para ano, inscrevendo o País e a cidade do Porto nos roteiros do cartoon mundial.” (...)

 

A este propósito, podemos recordar que o vencedor do PortoCartoon 2017, organizado pelo Museu Nacional de Imprensa, foi o caricaturista belga Luc Vernimmen, com “Turismo Sustentável”, uma sátira dolorosa à situação de guerra na Síria.

 

Entre outra informação sobre o seu trabalho, no site do MNI afirma-se ainda:

 

“Os diferentes Núcleos que o Museu está a criar no Continente e nas Ilhas poderão vir a formar uma rede de pequenos museus espalhados pelo País. O desenvolvimento integrado dessa rede permitirá que se constitua um grande Museu Polinucleado, que honre Gutenberg e faça de Portugal um país especial, quer na forma como preservou o seu património tipográfico, quer no modo como soube criar um projecto cultural e turístico de distintiva singularidade mundial.”

 

 

Mais informação no site do Museu Nacional da Imprensa, a que pertencem as imagens aqui incluídas

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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