Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
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Ética jornalística em debate sobre a cobertura de tiroteios indiscriminados

A reportagem dos tiroteios que se têm tornado vulgares nos Estados Unidos, habitualmente designados pela expressão mass shootings, coloca problemas de ética jornalística. Um deles pode ser o efeito de insensibilização dos leitores ou telespectadores; outro, pior, o de imitação, pelo qual outros candidatos a agressores são tentados à conquista de fama instantânea na comunicação social. Um inquérito recente, feito junto de 1.300 jornalistas, procura avaliar o que pensam disto os próprios profissionais.

A primeira afirmação do artigo que apresenta este trabalho é que os tiroteios desta natureza, sem motivo aparente e com vítimas aleatórias, se tornaram lugar-comum nos EUA  -  tendo já ocorrido 173 neste ano de 2017, segundo uma estimativa citada. O mais recente foi o de 30 de Junho, em que 25 pessoas foram mortas num clube nocturno em Little Rock. Duas semanas antes, o Congressista Steve Scalise contava-se entre os cinco mortos num campo de baseball em Alexandria, e a sua visibilidade política provocou uma cobertura mais intensa deste caso concreto, reavivando o debate sobre a violência com armas de fogo e a questão do seu controlo nos Estados Unidos. 

Alguns jornalistas e estudiosos do fenómeno  - incluindo o ex-Presidente Barack Obama -  sugerem que a natureza já rotineira desta cobertura dos mass shootings tem contribuído para a “fadiga da compaixão”, uma espécie de insensibilização à crise. 

Outros sublinham a relação entre os atacantes “sedentos de fama”, que podem ser seduzidos a agir por efeito de imitação. Em resultado desta descoberta, algumas organizações (como a No Notoriety), agentes policiais ou de governo, e mesmo jornalistas, têm feito a escolha consciente de não nomear os causadores dos tiroteios. Mas é evidente que a decisão de “não nomear” o protagonista de um acto destes é “atípica” na cobertura jornalística. 

A autora do artigo que citamos, Nicole Smith Dahmen, professora de comunicação visual na Universidade do Oregon e ela própria uma das quatro pessoas que realizaram o inquérito referido, apresenta as seguintes três conclusões principais:

  1. – Apesar de existir investigação que revela uma relação entre a cobertura noticiosa e o efeito de “imitação”, os jornalistas mostraram-se bastante ambivalentes quanto a esssa relação.
  2. – A maioria dos jornalistas apoia a cobertura típica do causador, incluindo a identificação e a publicação de fotos dele, bem como das suas afirmações, vídeos ou manifestos.
  3. – Ao mesmo tempo, os jornalistas manifestaram grande apoio a reportagens que se focam sobre os sobreviventes e a resiliência da comunidade no seguimento de mass shootings. Também apoiam muito uma cobertura de longo termo e apontando possíveis soluções.

 

Noutra parte do seu artigo, cita reacções de grupos específicos entre os profissionais dos media, por exemplo os editores, os jornalistas mais velhos, os não-brancos, etc. Há um momento em que afirma: 

“É uma triste conclusão pensar que o produto do trabalho de uma pessoa pode contribuir para mais mass shootings. Mas, dado que os resultados da investigação sugerem o efeito de ‘imitação’, os jornalistas devem estar conscientes de que a percepção que têm do seu trabalho nem sempre se ajusta ao seu real impacto. Uma comparação útil, neste caso, pode ser a cobertura de suicídios.” (...)

 

 

O artigo de Nicole Dahmen, na íntegra, na International Journalists’ Network

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Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

Expressiva manifestação em Bratislava evocando jornalista morto Ver galeria
“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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